Semana

Semana – Nem a arte do escultor chinês Ai Wey Wey é capaz de explicar a violência que tomou conta de Juiz de Fora nos últimos meses. Wey Wey, como temos visto na tevê, está expondo em São Paulo e uma de suas esculturas pesa 146 toneladas. Composta de ferro utilizado nas obras de concreto armado pode ser transportada e pesada em feixes, mas o peso da obra que o escultor está concluindo na China só poderá ser “estimado” e a peça exigirá base de concreto com dois metros de espessura.

Dizem os curadores e os críticos que a obra de Wey Wey, também grafado Weiwei, faz o público “pensar”, “refletir”, “meditar” e outras coisas que as pessoas podem fazer sem a obrigação de ver o corpo do referido artista, nu, deitado num colchão velho ao lado de uma jovem, também nua, que não é a senhora Lu Quing, sua mulher. Wey Wey nu e a moça do colchão estão representados em plástico branco.

E assim começamos a última semana das eleições. Não entendo como o ex-juiz Witzel e o Eduardo Paes podem digladiar-se pelo governo de um estado falido como o RJ. O debate paulista entre o Doria e o França, pela Band, foi muito divertido. No fundo, no fundo, tive a impressão de que os dois se gostam, mas trocam farpas, dizem cobras e lagartos.

Tevês e jornais do mundo inteiro, além dos presidentes e primeiros-ministros de diversos países, afetam preocupar-se com a morte do jornalista saudi-arábico Jamal Ahmad Khashoggi, sem que alguém tenha notado o motivo determinante do homicídio: Jamal Ahmad Khashoggi usava camiseta preta.

No mundo civilizado, camiseta preta, camisa social preta com gravata preta (ou de outra cor) justificam homicídios.

Maconha

Maconha – Ontem prometi contar o motivo pelo qual nunca fumei maconha, erva que também atende pelos seguintes nomes: abango, abangue, aliamba, bagulho, bango, bangue, bengue, birra, bongo, cangonha, diamba, dirígio, erva, fuminho, fumo, jererê, liamba, marijuana, massa, nadiamba, pango, rafi, riamba, seruma, soruma, suruma, tabanagira, umbaru.

Explicação simples: nunca me ofereceram. E olhem que frequentei rodas barra-pesadíssimas desde os 18 anos, todas ligadas ao álcool, nunca me ofereceram maconha, cocaína (o crack ainda não “existia”) e a pior delas todas, porque vicia na primeira aplicação: heroína.

Na rubrica química, alcaloide (C21H23NO5) derivado da morfina, com propriedades narcóticas e analgésicas. Cavalheiros lúcidos que experimentaram heroína dizem que a “sensação de entrar no céu” não pode ser melhor. O diabo é que o viciado logo descobre que o céu é um inferno.

Em matéria de vícios, o álcool é mais que suficiente. Álcool social, que não deve ser confundido com o alcoolismo. Conheci centenas de profissionais responsáveis, respeitados, todos do primeiro time, que sempre beberam socialmente. Lá uma vez ou outra o sujeito mamado faz uma besteira, mas não está livre de besteira igual ou pior sem álcool.

O resto é piu-piu, já dizia Ibrahim Sued, meu contemporâneo na redação de um Globo que não existe mais.

Notas

Notas – Elegante, alfabetizado, presidente da República Federativa do Brasil, Michel Miguel Elias Temer Lulia foi indiciado pela Polícia Federal junto com sua filha Maristela e mais nove comparsas num processo relacionado com o Porto de Santos em São Paulo, SP.

Notícia veiculada na tarde/noite de terça-feira, 16 de outubro corrente. Devo confessar que fui dormir na maior perplexidade, apesar de saber que vivo num país grande, bobo e corrupto, mesmo sabendo que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, condenado por unanimidade em segunda instância, está preso em Curitiba, PR.

E o Canadá, que não é o Uruguai, autorizou o consumo recreativo da maconha. Recreativo: “que dá prazer”, sensação ou emoção agradável, ligada à satisfação de uma vontade, uma necessidade, do exercício harmonioso das atividades vitais etc.

Nunca fumei maconha, mas sempre supus que os maconheiros consumissem a droga para ter prazer. Amanhã explico por que nunca experimentei o cânhamo, também conhecido como abango, abangue, aliamba, bagulho, bango, bangue, bengue, birra, bongo, cangonha, diamba, dirígio, erva, fuminho, fumo, jererê, liamba, marijuana, massa, nadiamba, pango, rafi, riamba, seruma, soruma, suruma, tabanagira, umbaru.

Feliz é o eleitor de Roraima, que pode votar num candidato honesto ao governo daquele estado. Chama-se Antônio Denarium e no meu dicionário latim-português denarium significa “moedas”. Nada melhor do que um candidato sério, que não esconde seu propósito governamental.

Maluquices

Maluquices – Não existe uma pessoa, um instrumento, um cálculo capaz de provar que o maldito horário de verão, no Brasil, economize energia elétrica, o que não tem impedido que sucessivos desgovernos insistam na chatice agravada, em 2018, com a sucessiva mudança nas datas em que a besteira funcionará.

Tudo compatível com a jiboia que apareceu (e sumiu…) no 23º andar de um prédio brasiliense. Morei na roça muitos anos. Tenho medo de serpentes veneníferas. Num só ano, no pequeno jardim de nossa pequena fazenda, a dona da casa abateu 35 jararacas a tiros. Foi um ano atípico. Ainda assim, era muita jararaca em torno da casa.

Jiboia não tem veneno, mas morde, ou pica, sei lá. O imbecil que a criava, sem autorização do Ibama, mora no 28º andar do tal prédio. Que se pode esperar de um sujeito que gosta de cobras?

Como sabe o caro e preclaro leitor de blogues, Carcassonne é uma comuna francesa do departamento de Aude, região da Occitânia. Em 2009 residiam na área urbana 96.420 pessoas.

Semana passada, 13 pessoas morreram na chuvarada que despencou na região, parecida com um temporal anotado por lá em 1891. A chuva de 2018 foi atribuída ao aquecimento global, enquanto a de 1891 correu por conta das chuvaradas que despencam aqui ou ali, eventualmente acolá, “desde que o mundo é mundo”. Resta saber se o WhatsApp também contribuiu para o temporal em Carcassone, como certamente o pum das vacas francesas vem influindo no clima europeu.

Quadro de insanidade agravado pela moda paulistana de jantar numa mesa, pendurada por um guindaste, 50 metros acima do nível do solo. Jantar de alta gastronomia, bancos de automóveis de corrida com cintos de segurança, vinhos, champanhes, comidas da melhor supimpitude. Até ontem não apareceram jiboias na mesa suspensa, mas no Brasil (e em Carcassonne) tudo é possível.

Natureza

Natureza – No tempo de antigamente dizia-se que certas cousas contrariavam a natureza. Dou-lhes exemplo atual nos telejornais da parte da manhã: aquela quantidade de automóveis contraria a natureza. O número de pessoas embarcadas dos trens, metrôs e ônibus também contraria a natureza.

Aí, temos a notícia de que 53 milhões de brasileiros vivem abaixo da linha de pobreza. São 15 vezes a população inteira do Uruguai. Cada um dos 53 milhões de patrícios vive com até 352 reais por mês, menos de 12 reais por dia e trepa com o entusiasmo, com o tesão de um padre chileno. Tesão de padre chileno virou sinônimo de potência sexual.

E Dom Carlos Antônio, bispo da diocese de Apucarana, atesta que a Rede Globo, as novelas da Rede Globo, a programação religiosa da Rede Globo, tudo da Rede Globo conspira para a destruição do cristianismo no Brasil.

Em sua homilia Dom Carlos Antônio foi vivamente aplaudido pela assistência. Está no youtube em cores, como convém.

E tem a jiboia que apareceu num apartamento do 25º andar de um prédio em Brasília. É tanta coisa contrariando a natureza, que vou parando por aqui.

Brasil…

Brasil… – Sexta-feira, 13 de outubro, Arthur Dapieve encerrou sua crônica semanal escrevendo: “Foram 25 anos…”. Na véspera, Celso Itiberê tinha concluído a sua com as seguintes palavras: “Foram 40 anos…” – e os dois explicavam que aquelas eram suas últimas matérias para o jornal que teve a coragem de inventar, há meses, seu desapreço pelo movimento militar de 1964.

Sábado, o arquiteto Washington Fajardo despediu-se dos leitores sem especificar o número de anos de sua colaboração, mas no domingo, 14 de outubro, Mauro Ventura explicou sua despedida ao cabo de 11 anos de colaboração regular.

Domingo espetacular com chamada de primeira página: “O que prometem, na retal final, os candidatos do Rio”. Ora, retal é “relativo ou pertencente ao reto”, “porção terminal do intestino grosso, que se estende até o ânus”.

Retal final só teria cabimento se a “filósofa” Márcia Tiburi, especialista em cus, ainda estivesse na disputa. Pelo visto, até a revisão da primeira página foi para o beleléu.

Concomitantemente, a coluna do senhor Ancelmo Gois anda atingindo a perfeição de conseguir piorar o péssimo. E o negócio vai por aí para tristeza dos que já trabalhamos naquele jornal. Esclareço que não fui despedido: demiti-me para morar no mato. Já contei o episódio um ror de vezes, motivo pelo qual peço licença para cuidar de assunto mais atual.

Depois de muitos anos de pesquisas, a ciência descobriu no pum da vaca o grande responsável pelo aquecimento global. Muito pior, dizem os cientistas, que o escapamento dos motores de milhões de automóveis que circulam pelo planeta.

Agora, cabe à medicina veterinária desenvolver o luftal vacum para resolver ou atenuar o problemão do peido bovino. Conhecida senhora da chamada melhor sociedade belo-horizontina é temida por seu tonitruante traquear. Como foi bonita, ribombou nos motéis da região quando corneava seu famoso marido.

E o imbróglio das placas, hein? Anunciadas ainda outro dia como grande novidade no emplacamento dos automóveis, já foram “proibidas”. O país é pouco sério, mas estava dispensado de exagerar.

Cáfila

Cáfila – Na rubrica gramática, coletivo é substantivo que, embora no singular, indica pluralidade de seres. Cáfila é grupo de camelos, como também é bando de gente, especialmente de indivíduos ordinários ou maus. As eleições para o governo de São Paulo me fizeram concluir que cáfila também é coletivo de políticos.

Vejamos. Maior colégio eleitoral, estado mais rico do Brasil, o segundo turno das eleições para o governo de São Paulo tem sido de uma imundície que espanta e entristece. Acusações de traição, canalhice, falta de caráter e as mais que você possa imaginar, sem prejuízo das inimagináveis.

Maiores de idade, alfabetizados, bem de vida, candidatos ao governo e candidatos derrotados trocam acusações da mais baixa extração como se fossem prostitutas do mais baixo meretrício, esquecidos de que disputam o governo do estado mais rico do Brasil.

Há exceções. Afinal, o repórter Heraldo Pereira afirmou outro dia que o brasileiro é um povo maravilhoso. Entre 210 milhões de maravilhas é possível que existam políticos estimáveis. O resto é de assustar, talqualmente o noticiário nacional. Em Petrópolis, região serrana do RJ, uma filha de 21 anos, ajudada pelo namorado de 26, matou a mãe cinquentona. Antes, torturaram a “velha” durante meia hora, que foi para o matricídio ficar mais divertido.

Nos 8,5 milhões de quilômetros quadrados deste país grande e bobo, dia sim, outro também, as polícias prendem, desembargadores e ministros soltam, e me divirto com os e-mails dos amigos. Ainda agora, venho de receber do veterinário Luiz Octavio Pires Leal, a seguinte informação: “No Poultry Science Dept. da Texas A&M, onde fiz um curso em 1961, havia um grupo de indianos candidatos a PhD.

Eles não abriam portas, esperavam um de nós abri-las para eles passarem. Se no momento não havia ninguém para a desonrosa tarefa, ficavam parados esperando. E eram quase Doutores”.

Fui mais feliz com os indianos que hospedei em BH, salvo no item banheiro. Nosso banheiro de hóspedes tinha banheira de granito, boxe de chuveiro, privada e bidê, trem chique a valer. Pois os doutores do sul da Índia e suas mulheres exigiram um balde, imenso balde de plástico, porque só tomavam banho de balde.

Nikki

Nikki – Nimrata Randhawa Haley, conhecida como Nikki Haley, embaixadora dos EUA na ONU, pediu demissão do cargo. Tem 46 anos, é casada com Michael Haley, mãe de dois filhos e se distingue da esmagadora maioria das mulheres que alcançam altos postos na vida pública por ser muito bonita. Aqui mesmo no Brasil temos exemplos de bagulhos que alcançaram a presidência da República ou se candidataram e tiveram votações ridículas.

Nikki Haley, filha de imigrantes indianos sikhs, professores universitários, nasceu no estado americano da Carolina do Sul. Governou seu estado duas vezes. Praticou o sikhismo durante 20 anos, quando se converteu ao cristianismo.

Sikh (em português “sique”) diz-se de ou membro de uma comunidade religiosa monoteísta, fundada no Penjab (Índia) no fim do século XV pelo guru Nanak Dev (1469-1538), que sustenta a existência de um Deus único criador e rejeita o sistema hindu de castas.

Em minha esplendorosa ignorância nada sei dos siques, nem se comem com as duas mãos ou reservam a mão esquerda para limpar os respectivos rabos, como se vê noutras religiões praticadas por milhões de indianos mesmo profissionais liberais com mestrados e doutorados em universidades ocidentais. Parece que os homens siques não cortam os cabelos, que escondem sob vistosos turbantes.

É possível e até mesmo provável que Nikki Haley se candidate à presidência dos Estados Unidos em 2020, se Trump for impichado. Se não existisse o Google você não ficaria sabendo que a linda morena é casada e tem dois filhos. O noticiário dos jornais impressos e televisados omite essa informação importantíssima quando cuidamos de mulheres muito bonitas.

Mundo

Mundo – Quarta-feira, 10 de outubro de 2018: vem aí outro feriadão. O país é muito rico e pode feriar várias vezes por ano, que o emprego é abundante, a violência inexiste e o mais caminha na santa paz do Senhor. Consultei Antônio Houaiss e vi que Senhor como Deus, especialmente na pessoa de Jesus Cristo, leva inicial maiúscula.

O novo feriadão inclui N. S. Aparecida, sexta-feira, e o Dia do Professor, 15 de outubro. Nos “bons tempos”, trabalhando no centro da Cidade Maravilhosa, quatro dias de folga seriam justificativa para curtir a roça do Estado do Rio. Hoje, fico preocupado com a falta de assistência aqui em casa, onde continua fazendo frio.

O ato ou efeito de preocupar(-se) varia nos conformes das situações políticas ou geográficas. A Indonésia, que tem mais de 260 milhões de habitantes num arquipélago composto de 17.508 ilhas, a preocupação atual é localizar e enterrar os cinco mil moradores desaparecidos no último terremoto/tsunami. Dois mil corpos já foram enterrados.

Do lado de cá do planeta, milhares de pessoas têm como preocupação atual a escolha da embarcação em que pretendem fazer turismo neste final de ano. Diadema retrós, como dizia mineiro muito famoso, muito ignorante e muito rico, sempre que estava num dilema atroz.

Como escolher entre o MSC Seaview, o MSC Fantasia, o MSC Poesia, o Costa Fascinosa, o Costa Favolosa, o Pullmantur Sovereign? Esse último só recebe 2.733 passageiros e oferece minicruzeiros de três noites com embarques no Rio e em Santos, enquanto o MSC Seaview, com embarques em Santos e Salvador, recebe 5.331 passageiros, tem 1.413 tripilantes, 139 telas interativas, 660 pontos de wi-fi e tirolesa de 15 metros de altura.

Como pode alguém viajar de navio que não disponha de tirolesa de 15 metros de altura? Para falar a verdade, não sei o que é uma tirolesa. O Houaiss tem duas entradas para o substantivo feminino: forma de cantar e dança, ambas relacionadas com o Tirol, região montanhosa da Áustria e da Suíça. A tirolesa do navio deve ser diferente.

E assim passei das 330 palavras sem falar das eleições. Estávamos precisando de uma folguinha.

Barafunda

Barafunda – Estupro é crime hediondo. Denunciar “tentativa” de estupro muitos anos depois da suposta violação é ato repulsivo. Obrou muitíssimo bem o Senado norte-americano ao aprovar a indicação de Brett Michael Kavanaugh para a Suprema Corte daquele país. Assim que foi indicado pelo presidente Trump, Kavanaugh foi acusado de uma tentativa de estupro quando tinha 17 aninhos. A senhora que o acusou tinha 15 aninhos e estava com ele numa festa em que a bebida correu solta. Ora, senhores e senhoras do egrégio conselho blogueiro, a acusante estava de olho nos luzes da ribalta, quis “aparecer” e o Senado não embarcou na sua conversa.

Agora, Kathryn Mayorga, de 34 anos, acusa o craque Cristiano Ronaldo de crime parecido num quarto de hotel em Las Vegas, quando o jogador, já muito rico, se transferiu do Manchester United para o Real Madrid em 2009. Ora, se Kathryn foi ao quarto do jogador, ou o recebeu em seu quarto, não estava afinzona de tomar Guaraná Antarctica.

Em nossas televisões, muitos comentaristas esportivos apoiam a acusante. Invejam o craque nascido na Ilha da Madeira, que ganha mais por semana do que os tais jornalistas em 30 anos de carreira.

E assim chegamos ao fulcro do comentário de hoje, a votação de domingo. Um caminhão de boas notícias. O parlamento livre de Eunício Oliveira, de Dilma Rousseff, do Zequinha Sarney, do Lindbergh Farias, do Eduardo Suplicy, do Jucá, do Lobão, do Requião e tantos outros “pus” do mesmo abscesso.

A propósito do substantivo masculino pus, Houaiss informa o seguinte: “Nossos levantamentos não registraram exemplo de plural dessa palavra na língua”.

Também ficaram de fora do parlamento o jovem Marco Antônio Cabral, filho do presidiário Sérgio, a jovem Danielle Cunha, filha do apenado Eduardo, o jovem Crivella Filho, herdeiro do bispo da IURD, a graciosa Cristiana Brasil, filha do notório Roberto Jefferson Monteiro Francisco. De repente, o brasileiro está aprendendo a votar.

“O brasileiro é um povo maravilhoso” atestou o televisivo Heraldo Pereira. Gosto não se discute. Há quem goste de jiló.