Doçura

Doçura – Pessoas sérias que analisam os novos meios de comunicação estão horrorizadas com a carga de ódio veiculada. Racismo, homofobia e o mais que se possa imaginar, sem olvidar o inimaginável, entopem todos os canais. Fake News ferocíssimas são repassadas com alegria. A internet, que poderia funcionar pela aproximação das pessoas, foi transformada em arma de ataque. E o processo é agravado dia-a-dia.

Não pelo autor destas bem traçadas, que só pensa na distribuição do bem, considerando que não tem bens materiais para distribuir. De tão açucaradas, as doses de doçura dos meus textos podem ser fatais para os diabéticos.

Isto em vista, vamos aos fatos. O belíssimo cenário do Estúdio-i, na GloboNews, com aqueles tampos vermelhos sobre graciosos pés de alumínio bolados por cenógrafo genial, tem sido enriquecido pela presença do jornalista Ancelmo Gois, sempre muito elegante, dicção perfeita e tipo físico ideal para a televisão, veículo que tem compromissos com a estética.

A mesma GloboNews enriquecia seus programas com a onipresença do senhor Xico Sá, elegantíssimo em suas camisas floridas, inteligentíssimo, rosto belíssimo que encanta os telespectadores de todos os sexos. Mas a ESPN – há sempre um mas… – parece ter capturado o singular comentarista, que lá está com as suas camisas, a sua inteligência e o seu visual.

Resta apurar onde anda a senhora Barbara Gancia, que encanta a tevê com sua beleza, sua simpatia e sua inteligência que esfuzia.

Dies Dominicus

Dies Dominicus – Atento à advertência de Ruy na “Oração aos Moços” – “Não vos fieis muito de quem esperta já sol nascente, ou sol nado” – pintei na sala da tevê ao dealbar da aurora de domingo e liguei o televisor na Santa Missa do padre Marcelo Rossi, aguardando o programa Minas Rural. Não sendo religioso, sempre deixo a Santa Missa sem som, como endez ou chamariz para o programa rural.

Domingo, 15 de julho de 2018, não houve Santa Missa, o que me faz supor que o Grupo Globo tenha rompido com o catolicismo romano, assim como outro dia, em editorial repulsivo, teve a coragem de afirmar que nunca apoiou o movimento militar de 1964.

Há cerca de três semanas, a cronista Cora Rónai mostrou o caminho do rompimento com o catolicismo romano ao dizer cobras e lagartos do papa Francisco. Corinha não esculhamba: como gosta de bichos, diz cobras e lagartos, misturados com os seus gatos e peixes ornamentais. Tem gente que gosta de aquários; Corinha adora.

Em sua catilinária, a cronista afirmou que Francisco, S.J., o 266º papa da Igreja Católica e atual Chefe de Estado do Vaticano, nascido Jorge Mario Bergoglio, é um dos piores dos 265 papas que o precederam e consegue ser mais perigoso que os antigos membros da Juventude Hitlerista.

Sem a cantoria do padre Marcelo e de um violonista que, às vezes, assobia imitando passarinhos, tomei o café, assisti ao Minas Rural, li os jornais, almocei e acompanhei a vitória da França na última partida da Copa.

Finalmente…

Finalmente… – O primeiro idiota descobriu que três prorrogações seguidas equivalem a uma partida de futebol. Coisa de gênio: se cada prorrogação dura 30 minutos e uma partida dura 90, três prorrogações somam 90 minutos.

A imbecilidade foi repetida por um sem conto de comentaristas, como se tivessem descoberto a pólvora. O que tem de idiota falando sobre futebol não está no gibi.

Nenhum dos gênios atentou no seguinte fato: cada 30 minutos de prorrogação, com ou sem pênaltis, em termos de cansaço muscular e desgaste emocional equivalem a uma nova partida de 90 minutos. Portanto, três prorrogações consecutivas não somam uma partida, mas diversas. E foi assim que, ontem, a seleção da Croácia entrou em campo.

O resultado da partida final foi lógico. Um país de 4,6 milhões de habitantes enfrentando a seleção de um país de 67 milhões, com imensa população de origem africana e, como tal, íntima do esporte praticado em campo. Não por acaso o Rei do Futebol até hoje é o senhor Edson Arantes do Nascimento, apelidado Pelé.

A bonita presidente da Croácia é uma beijoqueira. Temi pela mulher do presidente da França, senhora de idade, no temporal que se abateu sobre o estádio moscovita na hora da premiação.

Terminada a Copa ficamos livres do pessoal da pena, que, perdoado o infame trocadilho, dá pena. A regência verbal foi massacrada. O vernáculo, tadinho, chacinado em cada texto. Quando o negócio é narrado a gente perdoa, mas nos textos o massacre pega mal à beça e à bessa.

Falei dos idiotas que escrevem sobre futebol e me incluo na lista. Durante dois anos, forçado pelas “circunstâncias”, escrevi sobre o esporte bretão. Certa feita, num supermercado, fui interpelado: “Tu não é o Eduardo? Fez muito bem: não entende de futebol e foi logo dizendo que não entende. Quando acaba, entende muito mais que os merdas que opinam por aí”.

O interpelante era o senhor Manoel Rezende de Mattos Cabral, conhecido como Nelinho, beque direito que fez sucesso no futebol mundial durante anos.

Tropicalizações

Tropicalizações – Quinta-feira 12 de julho ligo o televisor matinal no exato momento em que a reportagem exibe vídeo de um arrastão no bairro Alto dos Passos, em Juiz de Fora, e as declarações dos comerciantes sobre os continuados assaltos às suas lojas. Depois de alguns segundos, que podem ter beirado o minuto, num acesso de inteligência concluí que Alto dos Passos é aqui no entorno do prédio onde componho estas bem traçadas.

Pois é: o crime chegou com força à antiga Manchester Mineira, que já foi um oásis de tranquilidade. Que fazer? Não sei.

Sei apenas que me assentei diante do computador para falar das gorjetas. O entregador do gás, que cobrou R$ 75 pelo botijão de 13 quilos, levou R$ 5 de gorjeta e ficou numa felicidade inenarrável. Calculei que o rapaz entregue pelo menos 30 botijões/dia e cada freguês lhe dê gorjeta de R$ 5, totalizando R$ 150 por dia. Comentei o fato com a comadre, que discordou afirmando, com sua experiência laboral, que sou o “único” na cidade a gratificar entregadores de gás.

Realmente, o mineiro não é muito gratificador, mas nasci na cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro. Certa feita, lá se vão muitos anos, dei gorjeta de 100 dólares num restaurante de Miami, Flórida, e o garçom francês quase explodiu de felicidade.

Explico. Jantar de quatro pessoas num restaurante da moda, cujo chef, francês famoso, morava no Rio e era amigo de um de nós quatro. Bons vinhos, belos pratos, um charuto cubano de 80 dólares, peço a conta e recebo a notícia de que se tratava de “convite da casa”. Se fosse paga, passaria dos 800 dólares.

Naquela emergência, agradeci o convite, acendi o charuto e dei a gorjeta de 100 dólares ao garçom francês, que lá estava trabalhando honestamente sem saber das relações de amizade que nos ligavam ao chef residente no Rio.

Falo de um jantar há cerca de 30 anos. Hoje, as gorjetas caminham para a padronização nos EUA e em Nova York, como leio nos jornais, são de 20% do valor da nota.

Dolorosos são quase todos os jornalistas belo-horizontinos quando convidados para conhecer um restaurante. Comem e bebem à tripa fora e não deixam um tostão de gorjeta para o garçom. Presenciei o pão-durismo um sem conto de vezes e sempre cuidei da minha parte no convite, gratificando os que me serviram.

Com a Copa da Rússia aprendemos que o termo Kremlin, além de significar “fortificação”, também pode ser usado como referência ao “governo” e à ordem de comando naquele país.

Belo Horizonte, capital de todos os mineiros, tem dois Kremlins e um só governo desastrado, pagando seus funcionários em três parcelas mensais, com atraso. Tem o Kremlin da Cidade Administrativa e o Kremlin da Praça da Liberdade. Tristes trópicos…

Ancianidade

Ancianidade – Cristiano Ronaldo, 33 anos, o melhor jogador do mundo, foi vendido para a Juve italiana por 100 milhões de euros, menos da metade do que o Paris Saint Germain pagou por Neymar Jr, quando tinha 24 anos. Vale repetir a frase do saudoso editor José Olympio, quando entrevistado pela tevê: “A velhice é uma merda”. E a velhice do craque, pelo visto, chega aos 33 aninhos.

Escrevi “saudoso editor” porque, rapazola, frequentei sua mesa nos almoços de domingo no Hipódromo da Gávea. Menino e rapazinho curti o turfe com um entusiasmo que desapareceu ao longo dos anos. Ainda recentemente, assisti pela tevê a duas provas da tríplice coroa norte-americana, tardes muito chuvosas, público presente em cada uma das provas em torno de 180 mil pessoas, se não me falha a memória. Numa das tardes, a corrida americana coincidiu com o GP São Paulo realizado em tarde de sol para sete mil espectadores. Não sei como anda o turfe carioca, que não frequento há séculos, mas houve tempo em que foi quase totalmente controlado pelos bandidos.

Aliás, no Rio de 2018, que área está livre do banditismo? Espichando a pergunta: no Brasil, que área funciona a salvo do banditismo, se até o Supremo Tribunal, na opinião abalizada de ilustre procuradora da República, tem ministros recebendo “por fora”.

Por aí dá para sentir o drama dos venezuelanos. Uma coisa é fugir para a França, a Inglaterra, a Alemanha; outra, muito diferente, é pedir asilo ao Brasil via Roraima. Dezesseis mil venezuelanos, pelo noticiário recente, já fugiram através de Roraima.

Tive colega de trabalho, no Rio, que trabalhou em Roraima e vivia prometendo me apresentar a uma jovem que tinha tudo para ser minha companheira ideal. Finalmente, um dia apresentou: era sua irmã. Fiquei lisonjeado. Outro colega de trabalho também prometia apresentar-me à noiva perfeita, o que acabou acontecendo numa festa em sua casa: era sua irmã.

Em matéria de lisonjaria, nunca mereci nada parecido, por isso me lembro dos colegas até hoje.

Votos

Votos – O bispo Crivella, prefeito do Rio, foi pilhado oferecendo vantagens da prefeitura aos fiéis de sua igreja, que se diz universal do reino de Deus, como se Deus, na hipótese de existir, pudesse abençoar aquela corja. Aos interessados em diversas cirurgias, Crivella recomendava: “Fala com a dona Márcia”. É o nome de uma funcionária que o assessora há mais de 15 anos.

Se a operação fosse de hemorroidas, o piedoso bispo recomendaria outra Márcia, a “filósofa” Tiburi, especializada nas veias varicosas do ânus e da parte inferior do reto. Eleita governadora do Estado do Rio, a “filósofa” vai fazer o Governo das Almorreimas, do latim tardio haemorrhema ‘fluxo de sangue’, o mesmo que hemorroidas.

Em Brumadinho, perto de Belo Horizonte, existe uma Ponte das Almorreimas, acho que sobre o córrego onde o pessoal se lavava em tempos idos e vividos.

Crivella foi eleito. Sérgio Cabral foi eleito. Garotinho, Rosinha, Moreira Franco, Brizola foram eleitos. E Lula, e Dilma, e Collor. E mais não sei quantos mil para cargos que vão dos vereadores ao presidente da República.

Crivella, se não escapar do processo de impeachment, será sucedido pelo presidente da Câmara dos Vereadores, e Pezão, sucessor de Sérgio Cabral, se a “filósofa” não foi eleita, será sucedido por Eduardo Paes, que já entra na disputa pelo governo do RJ com uma divisa copiada de Washington Luís Pereira de Sousa (1869-1957). Nascido em Macaé, RJ, Washington Luís tinha como lema: “Governar é abrir estradas”. Eduardo Paes pode dizer: “Governar é abrir ciclovias” e nada tem contra Macaé, município fluminense distante 151,6 km de Maricá via BR-101.

“Maricá é uma merda” disse Paes numa conversa com Lula, mas já visitou o município para pedir desculpas aos maricaenses explicando que falou merda no bom sentido, naturalmente.

E os meninos da caverna da Tailândia, bem como o ex-monge budista, foram todos retirados. Bela notícia para contrastar com os políticos citados, ressalvada a figura do macaense Washington Luís.

Fatos

Fatos – “Especialista em gerenciamento de riscos” é o nome da ocupação dos cavalheiros consultados pelos jornalistas sempre que há um desastre como o dos meninos presos nas cavernas da Tailândia ou os temporais que já mataram mais de 100 pessoas no Japão, obrigando cerca de dois milhões a sair de suas casas. Negócio tão sério que envolve 70 mil pessoas nas operações de salvamento.

Muito me espanta que, até hoje, ninguém se tenha lembrado de consultar os especialistas em gerenciamento de riscos nos noivados e nos casamentos heterossexuais. Sim, nos casamentos de homem com mulher, que ainda existem.

Expostos a situações de extremo risco, são geralmente assistidos por psicólogos, psicanalistas e terapeutas de casais, com os resultados que se veem por aí.

Por outro lado, talvez pela identidade de gênero, casamentos homo duram dezenas de anos. O ator Luiz Fernando Guimarães fala de seu casamento com um rapaz de ótima família há 26 anos, enquanto o jornalista Arthur Xexéo vive união parecida também próxima dos 30 anos.

E a tevê brasileira dividiu sua programação de segunda-feira, 9 de julho, entre Lula da Silva e a caverna do Reino da Tailândia superiormente conduzido pelo rei Maha Vajiralongkorn.

O mundo inteiro torce pelo resgate dos 12 meninos e do cavalheiro adulto que os acompanha, um ex-monge budista, que não é o técnico do time infantojuvenil. De outra parte, o mundo civilizado é a favor da permanência de Lula da Silva atrás das grades.

Ontem recebi telefonema de uma jovem que não vejo há muitíssimos anos. Portanto, deixou de ser jovem e me disse que está ótima de saúde, estudando informática e acaba de voltar com o marido de uma visita ao Japão. Marido que a levou ao altar há mais de meio século, exceção à regra dos casamentos heterossexuais que se esboroam.

Dei notícias minhas, que a boa amiga achou exageradas, mas refletem a verdade.

Pinceladas

Pinceladas – Pior que a falta de assuntos, só mesmo o excesso deles. De sexta até hoje, domingo, foram tantas notícias nas mais diversas áreas que resolvi ficar calado esperando o poeira baixar.

Ontem (ou anteontem?) comecei o dia assistindo a uma entrevista do Eduardo Giannetti ao onipresente Roberto D’Avila. Mineiro de Belo Horizonte, 61 anos, Eduardo Giannetti da Fonseca é geralmente considerado um robustíssimo talento, mas, porém, todavia, contudo andou assessorando e fazendo planos de governo para a senhora Marina Silva, aliás Maria Osmarina Marina Silva Vaz de Lima, nascida Maria Osmarina da Silva.

A partir daquela assessoria, Giannetti passou a contar com em seu currículo com o título de ex-assessor da senhora Marina Silva, aliás Maria Osmarina Marina Silva Vaz de Lima, nascida Maria Osmarina da Silva.

Ele e o entrevistador D’Avila andavam muito risonhos e concordaram em que a miscigenação é o maior e mais abençoado trunfo deste país grande e bobo. Miscigenação ou mestiçagem, ação ou efeito de miscigenar(-se): processo ou resultado de misturar raças, pelo casamento ou coabitação de um homem e uma mulher de etnias diferentes.

Nosso belo Houaiss foi ultrapassado pelos fatos. Coabitação “de um homem e uma mulher” foi ultrapassada pela união homossexual e as variações que temos visto por aí, todas muito elogiadas pela mídia como exemplo de justiça, de modernidade, de lógica.

Enquanto isso, conseguiram resgatar quatro dos doze meninos tailandeses presos numa caverna, ótima notícia, e um desembargador petista mandou soltar Lula da Silva, antes de um desembargador honesto impedir a ordem que contrariava decisão do TRF-4.

Cês querem saber de uma coisa? Passou a hora do meu almoço e do charuto de domingo, miscigenação pede livro que não vou escrever, motivo pelo qual, alegre com a vitória da Ferrari em Silverstone peço licença para cair fora do computador.  

Brasil

Brasil – Com o ex-ministro Geddel Vieira Lima numa solitária da Papuda, porque mostrou o pinto para um agente penitenciário, você liga o televisor no dia 5 de julho e fica sabendo que o ministro do Trabalho foi “afastado” de seu cargo e será ouvido às 10 horas pela Polícia Federal.

Na véspera, você foi dormir sabendo que a ilustrada procuradora Monique Cheker, do Ministério Público Federal de Petrópolis, RJ, insinuou em um post em suas redes sociais que os ministros do Supremo Tribunal Federal ganham dinheiro “por fora” com as decisões que proferem.

A doutora Monique Cheker observou: “Não há limite. Vamos pensar: os caras são vitalícios, nunca serão responsabilizados via STF ou via Congresso e ganharão todos os meses o mesmo subsídio. Sem contar o que ganham por fora com os companheiros que beneficiam. Para quê ter vergonha na cara?”.

Realmente, na espelunca em que foi transformado o Supremo, até os cabelos do ministro Dias Toffoli discordam das decisões se sua excelência e se recusam a continuar vicejando naquela moleira. Logo, logo, lustrosa careca brilhará ao lado de outra que também orna cabeça original.

Falemos de outras canalhices, que o Supremo atual, ou boa parte dele, serve apenas para produzir metano.

Achacado por empresa jornalística, a maior besteira que o milionário pode fazer é montar uma empresa do gênero para combater a achacadora. Político, empresário, herdeiro, contraventor e outros milionários devem compor a situação com a empresa que achaca. Se a mordida é de R$ 1 milhão por mês, o achacado pode começar compondo com R$ 50 mil, um trilhão de vezes menos do que gastará para montar empresa própria, na qual, por sua vez, será odiado e combatido pelos seus “colegas”.

R$ 50 mil mensais parecem pouco, mas soam como indicativo de que algo mais polpudo pode estar a caminho. É importância que, não servindo para enricar, paga parte da gasolina gasta pelos carros da achacadora.

Mineiras, fluminenses, paulistas, paranaenses e outras empresas jornalísticas nasceram assim e a maioria já fechou ou mudou de mãos por uma tuta e meia. O negócio nunca foi brilhante, é ruim e agoniza no mundo atual. 

Quanto ao achaque, sempre fez parte. No Globo, que conheci por dentro, o pessoal do turismo trabalhava numa salinha do 3º andar vizinha do caderno agrícola, que sempre visitei para bater papo com os amigos. As duas pequenas salas eram separadas por divisórias baixas de madeira e vidro, permitindo que se ouvisse tudo que era dito pelos vizinhos.

Pois muito bem: o pessoal do turismo achacava com entusiasmo em português claro, com todos os efes e erres. Operadora de turismo que não anunciasse teria seus destinos turísticos arrasados pela reportagem, sem prejuízo das críticas diretas à operadora.

Havia mais, que hoje não cabe: o blogue já está muito grande.  

Melting Pot

Melting Pot – Justo, compreensível e louvável, assaz louvável, o entusiasmo do brasileiro pela seleção nacional. Nenhum outro país tem um melting pot, um cadinho igual ao nosso.

Nossos índios sempre foram os melhores das Américas. Maias, Incas & outros nunca chegaram aos pés dos nossos irmãos silvícolas. Recebemos o que havia de melhor no continente africano, rapazes e moças capturados pelos sobas e vendidos como escravos aos intermediários europeus, que os traziam para o Brasil.

Soba, soma ou sova, como você deve estar lembrado, é o chefe de povo ou de pequeno Estado africano, especialmente na costa ocidental. Os europeus, com aquelas roupas e aquelas botas, não tinham condições de correr atrás dos rapazes e das moças africanos, daí a necessidade de adquiri-los dos sobas.

E da Europa, minha gente, só nos chegou o que havia de melhor. Nunca, jamais, em tempo algum, a colônia foi considerada local de degredo do pior grau ou recebeu ladrões que roubavam bolsas em Lisboa.

Assim, os melhores portugueses, os melhores africanos e a fina flor dos índios das América cresceram e se multiplicaram para formar este lindo povo, uniforme, pacífico, ordeiro, estudioso, povo que espanta e encanta o planeta pelo baixíssimo nível de violência nas cidades e nos campos, bem como pela habilidade no futebol.