Idade

Idade – Audição, visão, tesão, tudo diminui ou acaba com a idade, mas o que mais me intriga é a compreensão, que também dá às de vila-diogo. Dou-lhes um exemplo no capítulo dos “carros compartilhados”, nova mania no Rio, em São Paulo e noutras cidades grandes.

Por mais que veja as explicações nas reportagens televisivas não consigo entender a “mecânica” do negócio. Os depoimentos dos adeptos nada têm de convincentes e aquela conversa de economizar 300 reais por mês no sistema compartilhado – gastando 800 pratas em 30 dias, quando gastaria 1.100 sem o compartilhamento – é uma economia que não me convence.

Uma coisa é a carona para três ou quatro pessoas, dividindo o custo da viagem; outra, muito diferente, é o tal compartilhamento. Deve ser aparentado com o co-living e outros “cos” que viraram moda por aí. Convivência é o tipo do negócio difícil e o co-living deve ter todos os inconvenientes do casamento sem o consolo da trepadinha eventual.

Também não consigo entender que alguém se candidate ao governo de estados irremediavelmente falidos, como o Rio de Janeiro e Minas Gerais. Zema e Witzel são cavalheiros honestos: portanto, não se elegeram para roubar. A partir de janeiro, que será dos dois? O tempo dirá, mas continuo sem entender os motivos que os levaram às urnas. 

Preguiça

Preguiça – Vem do latim pigritia,ae e circula por aí desde o século XIII, palavra admirável para definir minha situação diante do computador. Durante milênios tive fascínio pelos teclados da máquina de escrever, da máquina elétrica e do computador; de uns tempos a esta parte, ando com preguiça do conjunto de teclas através das quais se operam as máquinas.

Preguiça do Brasil, da ladroeira que vai por aí, da mídia, preguiça de tudo, sobretudo da vida. Olho para o computador desligado e prometo: amanhã escrevo alguma coisa. Acaba ficando para depois de amanhã, que pode ser hoje ou amanhã, como também pode ser na semana que vem.

A preguiça é tanta que deve ser contagiosa. Tentei abrir o @terra, que se recusou. Fui obrigado a chamar o técnico, que solucionou o problema e me deixou em condições de enviar este bilhete curto, preguiçoso, às vítimas habituais.

Anotações

Anotações – O só fato de um magistrado norte-americano, em novembro de 2018, considerar “constitucional” a mutilação genital feminina, reflete o nível de loucura que vai por aí. Sociedades primitivas pintavam seus corpos e os atravessavam com bambus, madeiras e outros materiais disponíveis alargando orelhas e lábios.

Milhares de anos depois as sociedades supostamente civilizadas espetam-se piercings metálicos e se tatuam com o entusiasmo pictórico dos jogadores de futebol. Sem falar dos imbecis que também alargam suas orelhas.

Salvo melhor juízo, obram muitíssimo bem os silvícolas da Ilha North Sentinel, na Índia, que matam a flechadas todos os que deles se aproximam.

A mutilação genital feminina é “tradição” em alguns lugares, como também é imposição religiosa e tem outras explicações para a barbaridade de suprimir o clitóris das meninas impedindo que, adultas, possam ter orgasmos. De tão maluca, a notícia sobre o fato de o procedimento ser constitucional logo sumiu do noticiário. Os jornais e as tevês andavam ocupados com as vendas da Black Friday em Goiânia, GO, recordista na comercialização de televisores.

Invejoso da constitucionalidade ianque da clitorectomia, um juiz inventou o estupro consensual ao condenar a penas quase simbólicas dois cavalheiros, tio e sobrinho, que estupraram uma jovem em Lérida ou Lleida, cidade e município da província homônima na comunidade autônoma da Catalunha, Espanha.

Argumentou o magistrado catalão que a moça não gritou quando penetrada na sessão de sexo anal. Daí a pena suave cominada ao tio e ao sobrinho.

Vou ao Google e encontro 2.780.000 entradas para “putas Lleida”, prova de que o negócio deve ser animado por lá. Em SEXOBARATO.ES a primeira oferta: “Mujer experimentada de 49 años. Mi nombre es Inés,  soy simpática y si me dejas te complaceré todos tus deseos , me encanta ser objeto de toda clase de fantasías sexuales para luego hacerlas realidad , necesito sexo ya no qu…”.

E assim se conta um tiquinho da loucura que vai por aí. Boa semana procês todos.

Pessimismo

Pessimismo – Prédio de quatro andares, sem elevador, classe média baixa, cidade mineira de porte médio pelos padrões brasileiros. Na Alemanha seria cidade grande, mas por aqui ainda é média, trânsito infernal, gente barulhenta, motos de mil cilindrada rivalizando em barulho com as turbinas dos aviões a jato.

Hoje cedo fiz uma descoberta sensacional: existe céu azul por cima da camada de nuvens que despejam chuvas continuadas por aqui. Antes do céu azul, que sumiu às sete da matina, tivemos lua quase cheia no final da madrugada. E a esperança de que o frio “primaveril” nos deixe.

As moças do tempo continuam falando das chuvas e já nos ameaçam com nova frente fria para o final de semana, enquanto um senador da República recorreu ao latim mister (é) para falar de certa exigência, mas pronunciou à inglesa como no tratamento respeitoso, geralmente abreviado Mr., que antecede o nome completo ou o sobrenome de um homem nos países de língua inglesa ou internacionalmente.

Um amigo me telefonou dando o nome do senador, que já esqueci. Como também me esqueci de falar do prédio de quatro andares em que a vizinhança se odeia, ninguém dá ao vizinho a mercê de um cumprimento à antiga, bom dia, boa tarde, boa noite, reflexo da inviabilidade da espécie Homo sapiens.

Basta de pessimismo. Vou ficando por aqui na esperança de dias melhores. Tchau e bênção procês todos.

Racismo

Racismo – No Dia da Consciência Negra, feriado racista, a prefeitura de São Paulo passou o tempo inteiro anunciando as providências que tomava para fazer o macaqueamento do trecho do viaduto que arriou na marginal do Rio Pinheiros.

Por que macaqueamento em lugar de suspensão, reajuste, elevação, nivelamento? Ora, porque dá ideia de serviço realizado por macaco hidráulico, mas é inseparável da figura do macaco usada pelos racistas no mundo inteiro.

Concomitantemente, realizou-se neste país grande e bobo um congresso de escritores negros. Existe algo tão racista quanto um congresso de escritores negros? Se existe, não me ocorre.

Todo e qualquer congresso de escritores reúne brancos, mulatos, negros, cafuzos e a mais gente que escreve para fora. Se o congresso é de escritores negros é racista e não se fala mais nisso, a não ser para lembrar que o racismo tem um quê biológico: todo animal procura seus iguais e evita os diferentes.

Na Medicina Legal que estudei atração de branco por negra ou de negra por branco era considerada inversão sexual. Inversão é ato ou efeito de inverter(-se). E inverter é “voltar(-se), virar(-se) em sentido oposto ao que é natural; pôr(-se) às avessas.

O mundo anda mesmo às avessas, mas estava dispensado de exagerar.

Brazil

Brazil – A maioria dos comentaristas não se deu conta de que o eleitorado brasileiro, antes de sonhar com um governo de direita procurava um governo direito, honesto, trabalhador, patriota, sem Dirceus, Paloccis, Cabrais e tantos outros que davam as cartas por aí.

Governo direito não é sinônimo de direita, mas o pessoal confundiu alhos com bugalhos não raras vezes por má-fé e pelo receio de perder sua fatia no butim em que brilham muitos grupos de comunicação nossos conhecidos de longa pilhagem. Ou será que alguém confunde a Folha de S. Paulo com um convento beneditino?

Quanto ao Brazil que você leu aí no título diz respeito a Jaqueline Brazil, loura, bonita, magra, voz e dicção razoáveis, moça do tempo da Globo e da GloboNews ao dealbar da aurora.

Prevê o tempo no Brasil inteiro e não acerta uma, tadinha. Fala de ondas de baixa pressão que puxam o calor amazônico para o sudeste, prevê raios, ventanias, temporais e o telespectador acaba constatando que tudo aquilo foi conversa mole da loura magrinha, que lá está risonha e penteada ganhando sua vida. Que seja muito feliz.

Enquanto

Enquanto – “Amicus Plato, (sed) magis amica veritas”, “Platão é meu amigo, mas a verdade é mais minha amiga”, tradução latina de uma frase de Aristóteles, que, embora continuasse amigo de seu mestre Platão, não se pejava em discordar dos seus ensinamentos quando os achava errados.

Não fui amigo de Platão, mas sou amigo da verdade e devo confessar que, enquanto sítio, a propriedade rural de Atibaia é uma boa merda, assim como o triplex do litoral paulista não passa de uma titica em três andares, com elevador interno.

Portanto, até para roubar o sujeito precisa ter pedigree. Sérgio Cabral, nascido no Rio, roubou à tripa-forra. Palocci, da região generosa de Ribeirão Preto, foi outro que soube afanar e José Dirceu, mineiro lapidado em Cuba, também caprichou no surrupio.

Luiz Inácio Lula da Silva, no triplex e no sítio, continuou na periferia de Garanhuns, PE, “A Suíça Pernambucana”. É mole?

News

News – E assim chegamos à véspera de novo feriadão, mais um!, que em muitas cidades vai até à próxima terça-feira, Dia da Consciência Negra. Andei fora do ar durante alguns dias em consequência de um tombo, que me deixou com a bunda doída, bem melhor do que tê-la doida a partir do ponto que faz a fama daquela “filósofa” petista.

O bom de conversar com leitores inteligentes é que podem me explicar certos fenômenos. A ONU trabalha com a existência de pouco mais de 190 países, dos quais uns 90 não podem ser levados a sério. Restam 100 e pergunto se em algum deles, além do Brasil, existe a figura do preso que só deixa a cadeia durante o dia para “trabalhar” como deputado federal ou senador da República? Casos recentes do senador Acir Gurgacz e daquele deputado que foi prefeito de Três Rios, RJ?

E o senhor José Roberto Burnier continua sem entender o motivo pelo qual o presidente-eleito Jair Bolsonaro circula metido num colete à prova de balas. Pena que ainda não tenham sido inventados os fones de ouvidos à prova de burrices. Seriam muito úteis para acompanhar os programas comandados pelo senhor Burnier.

Enquanto ao mais, bom feriadão procês todos.

Brexit

A semana começa com o Brexit combinado e May enfrentando o Parlamento, sinal de que a combinação pode dar com os burros n’água. Burros me lembram o Eça – “Ela olha a flor dormente, a nuvem casta, Enquanto o fumo dos casaes se eleva, E ao lado o burro, pensativo, pasta”.

Por mais que o burro, pensativo, paste vendo a fumaça que se eleva do casario, nem ele, nem ninguém vai entender o Brexit que a primeira-ministra inglesa tenta explicar aos britânicos.

O mundo atual é inexplicável pelo raciocínio lógico, como se vê no imbróglio russo-ucraniano. E a NASA festeja o pouso de sua sonda em Marte prometendo entender o que houve com aquele planeta há bilhões de anos. Só falta uma sonda que possa explicar a existência de Bacabal, MA, com 104 mil habitantes, município-sede da Região de Planejamento do Mearim.

Em Bacabal, domingo, uma quadrilha de aproximadamente 50 criminosos atacou agências bancárias provocando cenas inenarráveis, muito mais difíceis de explicar do que a história do planeta Marte. Mesmo porque os problemas de Marte devem ter ocorrido há três bilhões de anos, enquanto Bacabal existe no Maranhão neste ano da graça de 2018.

Peru, Equador, Panamá, Guiné Equatorial, Honduras, enquanto o mundo gira a Lusitana roda e a Odebrecht corrompe.