Judiciário e Prefeito

Judiciário – Diz o Google que a deusa romana Justiça corresponde à grega Dice, filha de Zeus com Têmis, a guardiã do juramento dos homens. Pelo visto, Zeus assediou Têmis, crime gravíssimo em 2018 d.C. como vemos nas folhas e nas telas. Na onda de imbecilidade que vai por aí não têm faltado grupos que condenam a exportação de gado vivo, idiotas que, se existissem no ano de 1534, teriam impedido dona Ana Pimentel, mulher e procuradora de Martim Afonso de Sousa, de providenciar a introdução dos primeiros bovinos no Brasil.

Depois de andar por aqui durante três anos, Martim foi cuidar do império de Portugal no Oriente, aprontando poucas e boas. Temos agora o Judiciário brasileiro ameaçando corrigir alguns dos seus rumos, que nada têm com Ana Pimentel e seu ilustre marido.

 Na opinião meditada aqui do philosopho, é indispensável que o nosso Judiciário não se esqueça do monumento mamiloso plantado diante do edifício do Supremo Tribunal Federal, o STF, em Brasília, DF. Sendo mamiloso, o monumento granítico tem mamilos, biquinhos dos peitos esfuziantes, que não congeminam com a seriedade das figuras das magistradas. Há juízas e desembargadoras e ministras desejáveis, mas este é um blogue sério, pensado por um sujeito seriíssimo, que não associa assédio e trepação às senhoras do nosso Judiciário. O corretor de textos sublinha trepação ignorando o Houaiss eletrônico: “série de trepadas (‘ato sexual’) contínuas”. Com todo o respeito, série muito gostosa.

Pois muito bem: a Justiça é uma escultura localizada em frente ao prédio do Supremo Tribunal Federal em Brasília. Foi feita em 1961 pelo mineiro Alfredo Ceschiatti utilizando um bloco monolítico de granito, que media 3,3 metros de altura por 1,48 de largura.

A escultura representa o poder Judiciário como uma mulher com os olhos vendados e uma espada: os olhos vendados representam a imparcialidade da Justiça, enquanto a espada representa a força, a coragem, a ordem e a regra necessárias na imposição do Direito.

O Google conclui: “Porém a escultura não mostra a balança, que representaria sua intenção de nivelar o tratamento jurídico de todos por igual; a ponderação dos interesses das partes em litígio”.

Tudo muito bonito, salvo pelos biquinhos dos peitos indicativos do assanhamento e pela espada, arma branca de lâmina comprida associada à figura do pênis.

 

Prefeito – Marcelo Bezerra Crivella, nascido no Rio em 1957, bispo da Igreja Universal do Reino de Deus, sempre foi Marcelo Crivella. Se lá está como prefeito do Rio, a culpa não é dele, mas de quem o elegeu.

Antes e acima de tudo, Crivella é um fuinha. Com o dinheiro que tem, em vez de levar sua mãe para operar o pulso num hospital privado de primeira linha, submeteu a senhora Bezerra à cirurgia num hospital municipal. Coisa de fuinha.

Historiografia, Corais e Tríduo Momesco

Historiografia – Continua fazendo sucesso o volume II da História da Gente Brasileira, em que a historiadora Mary Del Priori escreve sobre o Império. Na flor dos seus 65 aninhos, Mary Lucy Murray Del Priori descreve os hábitos nacionais do século 19 e cuida do sexo praticado pelos casais metidos em camisolões, com buraquinhos nos lugares da cobiçada e do bráulio, encimados pela frase “Deus proteja este lar”.

Pelo que ouvi na tevê, o livro deve ser muito interessante, a começar pela falta de higiene. Nas cidades, água sempre foi artigo difícil e custou caro. Mary diz que o pessoal só lavava as mãos, os pés e o rosto. No século XX ainda visitei muitas fazendas nas quais “ter água em casa” significava um rego passando pelos fundos do terreiro da sede.

Em rigor, sexo com buraquinho no camisolão não causa espanto. Ainda agora, no século 21, ano da graça de 2018, a cidade de Juiz de Fora, MG, se orgulha de uma igreja evangélica muito badalada que recomenda o sexo através de buraquinhos nos camisolões, de mesmo passo em que proíbe suas fiéis da depilação axilar, genital e locomotora, isto é, nas respectivas pernas.

A historiografia pátria se divide em dois períodos: antes e depois do meu livro Histórias do Brasil de Colombo a Kubitschek, tradução para o português do original latino Historiae Brasiliae a Columbo usque Nonô.

Na primeira edição escrevi Historiae Brasiliae ab Columbus usque Nonô, corrigido por meu avô Mário Brant: “Antes de publicar qualquer coisa em latim fala comigo para não escrever besteiras”.

Sem favor algum foi a obra que estabeleceu  dois períodos, antes e depois, de nossa historiografia, por ter sido o pior livro jamais publicado sobre o assunto. Isto não obstante alcançou quatro edições, pretendia ter humor e foi livro de cabeceira de vários cidadãos brasileiros.

Pormenor curioso: troquei os “direitos autorais”, que as editoras detestam pagar, por 200 exemplares que fui apanhar na imensa gráfica para distribuir por parentes e amigos. Lá chegando, havia diversos gráficos, entre os quais o gerente, me esperando para autografar os exemplares que estavam lendo e curtindo. Donde se conclui que é melhor não concluir nada e tocar o barco enquanto for possível.

 

Corais – Ainda me lembro da alegria dos membros do Tabernáculo Mórmon na cerimônia de posse de Donald J. Trump. Grupos corais esbanjam alegria num fenômeno que ainda não consegui entender. Todo coro, que não seja aquele do Mosteiro de São Bento, no Rio, é pura alegria. O canto gregoriano é muito bonito, mas a vida monástica contraria a natureza. Monacal, monastical, mongil ou monjal é vida incompatível com a alegria que exige sexo em todas as suas formas de expressão, que devem somar 72 como li em algum lugar.

O Tabernáculo Mórmon, da Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, que permite ou permitia a união de um homem com várias mulheres, reflete em sua alegria o prazer do macho de contar com o adjutório doméstico de várias santas, de mesmo passo em que a fêmea da espécie, risonha e franca, demonstra a felicidade de dividir com outras santas a dura missão de suportar um macho roncador e peidorreiro. Tem no Houaiss e está em nosso idioma desde 1789: “Diz-se de ou homem que peida muito”.

 

Tríduo Momesco – Enquanto ao mais, bom carnaval procês todos. Lá pelo final da próxima semana, ou na segunda-feira 19 de fevereiro, a gente se encontra.

Historiografia, Corais e Tríduo Momesco

Historiografia – Continua fazendo sucesso o volume II da História da Gente Brasileira, em que a historiadora Mary Del Priori escreve sobre o Império. Na flor dos seus 65 aninhos, Mary Lucy Murray Del Priori descreve os hábitos nacionais do século 19 e cuida do sexo praticado pelos casais metidos em camisolões, com buraquinhos nos lugares da cobiçada e do bráulio, encimados pela frase “Deus proteja este lar”.

Pelo que ouvi na tevê, o livro deve ser muito interessante, a começar pela falta de higiene. Nas cidades, água sempre foi artigo difícil e custou caro. Mary diz que o pessoal só lavava as mãos, os pés e o rosto. No século XX ainda visitei muitas fazendas nas quais “ter água em casa” significava um rego passando pelos fundos do terreiro da sede.

Em rigor, sexo com buraquinho no camisolão não causa espanto. Ainda agora, no século 21, ano da graça de 2018, a cidade de Juiz de Fora, MG, se orgulha de uma igreja evangélica muito badalada que recomenda o sexo através de buraquinhos nos camisolões, de mesmo passo em que proíbe suas fiéis da depilação axilar, genital e locomotora, isto é, nas respectivas pernas.

A historiografia pátria se divide em dois períodos: antes e depois do meu livro Histórias do Brasil de Colombo a Kubitschek, tradução para o português do original latino Historiae Brasiliae a Columbo usque Nonô.

Na primeira edição escrevi Historiae Brasiliae ab Columbus usque Nonô, corrigido por meu avô Mário Brant: “Antes de publicar qualquer coisa em latim fala comigo para não escrever besteiras”.

Sem favor algum foi a obra que estabeleceu  dois períodos, antes e depois, de nossa historiografia, por ter sido o pior livro jamais publicado sobre o assunto. Isto não obstante alcançou quatro edições, pretendia ter humor e foi livro de cabeceira de vários cidadãos brasileiros.

Pormenor curioso: troquei os “direitos autorais”, que as editoras detestam pagar, por 200 exemplares que fui apanhar na imensa gráfica para distribuir por parentes e amigos. Lá chegando, havia diversos gráficos, entre os quais o gerente, me esperando para autografar os exemplares que estavam lendo e curtindo. Donde se conclui que é melhor não concluir nada e tocar o barco enquanto for possível.

 

Corais – Ainda me lembro da alegria dos membros do Tabernáculo Mórmon na cerimônia de posse de Donald J. Trump. Grupos corais esbanjam alegria num fenômeno que ainda não consegui entender. Todo coro, que não seja aquele do Mosteiro de São Bento, no Rio, é pura alegria. O canto gregoriano é muito bonito, mas a vida monástica contraria a natureza. Monacal, monastical, mongil ou monjal é vida incompatível com a alegria que exige sexo em todas as suas formas de expressão, que devem somar 72 como li em algum lugar.

O Tabernáculo Mórmon, da Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, que permite ou permitia a união de um homem com várias mulheres, reflete em sua alegria o prazer do macho de contar com o adjutório doméstico de várias santas, de mesmo passo em que a fêmea da espécie, risonha e franca, demonstra a felicidade de dividir com outras santas a dura missão de suportar um macho roncador e peidorreiro. Tem no Houaiss e está em nosso idioma desde 1789: “Diz-se de ou homem que peida muito”.

 

Tríduo Momesco – Enquanto ao mais, bom carnaval procês todos. Lá pelo final da próxima semana, ou na segunda-feira 19 de fevereiro, a gente se encontra.

Oculam, Maduro, Palavras, Fatos e Lista

Oculam – Ainda que muito rápidos por força da crise hídrica, os banhos diários ensejam alto philosophar, como por exemplo: o desejo de escrever memórias sobre as maluquices que vi (e fiz) por aí. Título: Mundo oculam, em que oculam é maluco ao contrário. Oculam já é uma forma de maluquice. Cabe a pergunta: existe algo normal sobre a face da Terra?

Aí você termina o banho vai ao Google para descobrir a existência do sobrenome Oculam e aprender que Henry T. Oculam casou-se com Asuncion R. Honculada no Texas, em 1989, com 28 anos. Tem Oculam de montão no Google e o mundo é oculam, a começar pelo Google: como entender seu funcionamento?

Um nome, um assunto, um endereço – você consulta e aparece uma infinidade de respostas num átimo, o que significa dizer num abrir e fechar de olhos. Quem recolhe todo aquele material para botar no Google? Qual é o critério? Emprega muita gente?

 

Maduro – Nicolás Maduro Moros tem seguidores entusiasmados. Hitler, Stálin, Mussolini, Mao, Ceausesco, Pol Pot, Fidel e tantos outros, milhares deles, tiveram admiradores, defensores e simpatizantes desde que se tem notícia histórica da vida humana neste planeta.

Difícil de entender é que o mesmíssimo planeta, até 2017, não tenha encontrado meios de impedir que esses líderes continuem ocupando os seus postos sempre que se evidenciar um quadro de desequilíbrio mental, caso atual de Nicolás Maduro Moros, 57º presidente da Venezuela, 54 anos, 1.90m, ex-maquinista do metrô de Caracas.

É claro, como também é lógico e evidente, que Nicolás Maduro Moros faz um quadro de maluquice que afunda o seu país e preocupa as nações vizinhas. Desorientação mental, ditos por não ditos, mania de perseguição, o ex-maquinista não resiste a cinco minutos de avaliação psiquiátrica e continua presidindo um país de 30 milhões de habitantes e 916 mil km2 de área.

 

Palavras – Norman Gall, diretor em São Paulo do Instituto Braudel de Economia Mundial, publicou artigo na revista Veja com o título “Lutero e Trump”. Nele, aprendi que em 1525 Lutero se casou com a ex-freira Katharina von Bora, de 26 aninhos, com quem teve seis filhos. Enquanto criticava as indulgências, o marreco estava de olho na freirinha.

Edaz em sexo, Lutero fez história com as 95 teses em que denunciava a corrupção na Igreja Católica Romana, pela venda maciça de indulgências aos pecados dos fiéis.

Indulgência é remissão total ou parcial das penas temporais cabíveis para pecados cometidos, que a Igreja concede após terem sido perdoados. Muito mais inteligente é a doação pedida pelos pastores evangélicos, melhor dizendo, “exigidas” por eles para que o doador alcance o paraíso terrestre. Sem essa de pecados, que um crente só peca quando não paga pelo menos o dízimo.

O certo é que freirinhas podem ser muito cobiçáveis. Rapazola, a pedido de uma namorada, fotografei imagens de santos num convento do Rio. Fui assistido por linda freirinha, salvo engano mère Clarice, doce de coco que pouco depois deixou o convento.

Norman Gall conta que um diretor de jornal brasileiro lhe disse que o custo de distribuir pelas cidades as edições impressas, atualmente bastante reduzidas, é maior que a despesa com a equipe da redação, também muito reduzida. E fala do declínio da influência da palavra impressa, que gera um problema civilizacional.

Realmente, nos últimos anos muitos idiotas preconizaram jornalismo escrito com palavras fáceis, que “todos” entendessem, isto é, textos escritos pensando nas pessoas que não leem. O manual de redação da Folha proibia o uso de “assaz”, em nosso idioma desde o século XIII, idiotice assaz idiota. O autor do manual morreria de ódio do edaz, adjetivo de dois gêneros, que me escapou há pouco. Significa glutão, que come muito com avidez, talqualmente Lutero comia Katharina.  Os resultados aí estão com o mau caráter de Donald John Trump e o seu tuitar de até 140 caracteres na White House, em Washington, DC.

 

Fatos – Neste país grande e bobo, a viadagem está cada vez mais sólida enquanto os viadutos despencam.

 

Lista – Na lista de ontem com as indignidades humanas – piercings, tatuagens, camisetas pretas, alargamento de orelhas etc. – ficou faltando o couro cinza nos sapatos dos homens. 

Civilização, Instrumentos, Sorteios e Chateação

Civilização – Olindenses, recifenses, soteropolitanos, cariocas, paulistanos, venezianos e outros locativos impam de orgulho dos seus carnavais, como se o tríduo momesco, mesmo durando vários tríduos (espaços de três dias sucessivos), fosse motivo de entono, de filáucia, de vaidade.

Fodder, em inglês, é atividade muito mais útil e digna que a carnavalesca. Ninguém se gaba de fodder em inglês, atividade que me consumiu diariamente durante decênios, substantivo que significa “forragem” ou como verbo “dar forragem a animais”. Também significa quinquilharia, bugiganga e vem do antigo inglês “fõdor”, como ensina The American Heritage Dictionary.

Bom mesmo é o carnaval de Juiz de Fora, que dura na máximo 15 minutos. Os blocos, que são poucos, se concentram no Parque Halfeld e atravessam a Avenida Rio Branco para descer pelo calçadão da Rua Halfeld.

A travessia da avenida, principal artéria da cidade, dura de 10 a no máximo 15 minutos, como explicou na tevê o chefe do trânsito urbano.

 

Instrumentos – Dos diversos instrumentos usados para medir a temperatura, a umidade, a velocidade etc., nenhum me parece tão útil quanto o humanômetro indicativo dos defeitos humanos de ambos os sexos, sem exclusão dos outros sexos.

A partir de coisas e fatos facilmente observáveis, qualquer pessoa pode avaliar um ser humano. Alguns exemplos: 1 – meia branca fora das quadras de tênis; 2 – camiseta preta por baixo de outra camisa; 3 – brinco no homem; tamanho do brinco na mulher; 4 – tatuagem; 5 – piercings; 6 – cordões de ouro; 7 – pulseiras de metal, couro, pano etc.; 8 – alargamento de orelhas.

A partir desses oito itens, cada um deles seriíssimo, você pode avaliar qualquer pessoa e perde o direito de se queixar mais tarde.

 

Sorteios – Um monte de gente recebe telefonemas avisando sobre um prêmio de 60 mil reais e um automóvel novo, resultado de um sorteio realizado naquele dia. Muita gente acredita e deposita determinada quantia no banco para finalizar os trâmites do dinheiro e do carro sorteado. Os telefonemas são dados por presidiários e o contemplado, coitado, fica sem o dinheirinho que depositou na conta indicada.

Mas há sorteios divertidos, como aqueles feitos por algumas igrejas evangélicas. Uma delas sorteia viagens de 15 dias a Israel, oficialmente Estado de Israel, república parlamentar localizada no Oriente Médio ao longo da costa oriental do Mar Mediterrâneo. Moeda: novo shekel israelense. Línguas oficiais: hebraica e árabe.

Se você tem uma empregada evangélica, e hoje é difícil encontrar domésticas que não sejam crentes, corre o risco de ficar sem ela durante 15 dias. Motivo: foi sorteada para conhecer o Estado de Israel. Não fala hebraico nem árabe, mal fala o português. Aproveitaria muito mais um sorteio para conhecer Cabo Frio ou Alagoas, coitada, mas dá com o costado em Israel, não entende absolutamente nada do que vê e lhe contam em português de pastor-adjunto, isto é, pastor que não tem a lábia de um Edir, um Soares, um Valdemiro.

Só uma coisa é certa: circulando em Israel corre menos riscos do que na cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro.

 

Chateação – Nada pior para o bom médico do que tratar de leitor da revista Time. Explico: o bom médico estuda, se forma, faz residência, pós-graduação e continua estudando pelo resto da vida. No Rio da década de 60 havia um clínico que cobrava, por consulta, o dobro do preço dos melhores médicos. E dizia que assim, trabalhando menos, tinha mais tempo para estudar.

Até hoje o bom médico, por mais que tenha estudado e continue estudando não tem condições de acompanhar tudo que é noticiado pela revista. Time noticia avanços médicos em centros de pesquisas no mundo inteiro, não raras vezes assuntos que demandam horas e horas de estudo mesmo para profissionais competentes e atualizados.

Vai daí que o bom médico, indagado pelo leitor de Time, é atropelado em cada consulta. Baixinho, brilhante, mal-humorado, o professor José Júlio Velho da Silva, catedrático de Clínica Médica das melhores universidades cariocas, desquitado de uma filha de Irineu Marinho, portanto ex-cunhado do doutor Roberto, quando interrogado por clientes leitores de Time, reagia: “Eu não estou aqui para ensinar Medicina”.

Redes, Produto e Avanias

Redes – São chamadas de redes sociais, mas a maioria é antissocial do tanto que inventa, ataca, ofende, mente. Não deixa de ser curiosa a importância que as pessoas, quase todas, dão às redes sociais, ao que nelas é veiculado, quando é óbvio que o mundo pode e sempre pôde passar sem elas.

 

Produto – Salvo nos teatros, onde significa desejar “boa sorte” aos atores que vão entrar em cena, o substantivo feminino merda é matéria fecal, excremento, fezes. A manifestação teatral teve origem no tempo em que a assistência qualificada chegava de carruagens para assistir aos espetáculos. Veículos tracionados por animais, as carruagens aguardavam seus passageiros nas ruas próximas e os animais faziam cocô. Na dependência da quantidade de matéria fecal encontrada na manhã seguinte, o espetáculo podia ter sido um sucesso, daí os votos feitos até hoje.

Surpresa para este venerando philosopho tem sido a merda produzida pela esmagadora maioria dos jornais impressos de uns tempos a esta parte. Mudam-se os tempos, as tecnologias e as vontades, é certo, mas as coisas podem acabar, como acabaram as fábricas de galochas, sem passar pela merda que vem sendo produzida pelos jornais.

Que pretendem seus diretores? Cadernos inteiros sobre homossexualismo só porque a prática de relação amorosa e/ou sexual entre pessoas do mesmo sexo continua existindo, como sempre existiu. Péssimos cronistas negros pelo só fato de serem negros. Ora, bolas, José do Patrocínio e Machado de Assis eram negros, mas tinham talento.

Há quem sustente que o jornal impresso tem sobrevida de alguns anos. Ainda outro dia, grande jornal americano contratou 60 jornalistas de peso. Tenha ou não sobrevida, é importante evitar a merda que vem sendo produzida.

 

Avanias – A visita do presidente da Turquia ao Vaticano traz à balha o substantivo feminino avania. Nascido em Kasimpasa no ano de 1954, casado com Emine desde 1978, pai de Sümeyye, Necmettin Billal, Ahmet Burak e Esra Erdogan, Recep Tayyip Erdogan preside a Turquia desde agosto de 2014 caprichando nas avanias, que, sabe o leitor ou deveria saber, são vexames ou humilhações que os turcos impunham e impõem aos estrangeiros, especialmente aos cristãos. Por extensão de sentido, avania é ultraje em público, que humilha e desonra.

Encontrei avania quando pocurava outra palavra no dicionário. Lembrei-me das muitas Vânias que conheci pessoalmente ou através de fotos e leituras em priscas eras. Vânia Pinto, eleita Miss Brasil em 1939, foi a primeira modelo profissional brasileira. Fica a registro, que os portugueses preferem registo, de registar. Não é nada, não é nada, vai ver que não é nada mesmo, mas me diverte.

Na Web, Coprolalia e Isonomia

Na Web – Domingo, 4 de fevereiro, 6h15 da manhã, noite escura graças à imbecilidade do horário de verão. Vou à portaria, chove lá fora, não encontro o jornal que chega às 6h.

Do lado de lá da avenida um motoqueiro sobe na calçada para entregar sua mercadoria. Espero um pouco, vejo que ele atravessa as duas pistas e sobe na calçada do lado de cá, freia sua moto e vareja o jornal, ensacado em plástico, através das grades da porta. Agradeço com um adeusinho à antiga, retribuído pelo trabalhador que acelera a moto para fazer novas entregas.

Serviço duro, todo santo dia, pegando cedo na distribuidora. O patrício deve ganhar uma tuta e meia. Ainda assim, dizem que a circulação de um jornal custa mais que o valor da assinatura.

O leitor passa a vista nas matérias de seu interesse e constata que muitas delas vêm com a chamada e a indicação: Na Web. Ora bolas, se era para veicular na Web por que imprimiram a chamada e obrigaram o motoqueiro, com chuva, no escuro, a entregar o jornal?

 

Coprolalia – “Mas que filhos da puta!”; “Quanto vai ser esta porra?”; “Vamos pagar essa merda e acabar com essa história.”; “Então manda pagar logo essa merda. Mas não conta para a Marisa, porque ela vai ficar puta.”

Nelson Cândido Motta Filho, 73 anos, jornalista, compositor, escritor, roteirista, produtor musical, teatrólogo e letrista brasileiro, não foi catado a laço na periferia de uma comunidade. É de família ilustre e tem três filhas, daí o espanto causado pelos termos que usou num artigo publicado dia 2 de fevereiro em jornal de circulação nacional.

Nas conversas de Lula com Paulo Okamoto os palavrões são decerto piores que o relato de Nelsinho, mas chocam os leitores de jornais impressos, mesmo sabendo que Lula é Lula e Paulo Okamoto é um lulista.

 

Isonomia – Como termo jurídico, isonomia é o princípio geral do direito segundo o qual todos são iguais perante a lei.

Num país em que inúmeros governadores estaduais roubam milhões, muitos presidentes roubaram milhões, centenas ou milhares de prefeitos roubam milhões, é mais que justo, é isonômico que o diretor de uma penitenciária, responsável pelo controle de centenas de presos de diversas facções da mais alta periculosidade, também defenda os seus caraminguás.

Amazonenses, roraimenses, gaúchos, catarinenses, pernambucanos, paulistas, maranhenses – os diretores dos presídios ganham uma tuta e meia para exercer atividade perigosíssima, das mais perigosas do mundo. E são denunciados, afastados, investigados, fotografados, coitados, quando embolsam meia dúzia de reais para permitir a entrada de um celular, 200 maços de maconha, alguns quilinhos de cocaína – tratamento que não é isonômico.

1º de fevereiro, Stetson e Facebook

1º de fevereiro – Lua lindíssima, redondíssima, ao dealbar da aurora. Noticiário assustador. A 20 minutos da Praça dos Três Poderes, em Brasília, DF, 14 computadores para 400 alunos de uma escola, enquanto noutra escola 14 computadores sem internet. Modernidade: CNH inteirinha no celular do motorista. E as quadrilhas de ladrões de celulares se multiplicam feito coelhos. Com o furto do seu celular, como fica o motorista brasileiro?

Por falar em coelhos, subiu para 256 o número de atletas olímpicas americanas que acusam o médico Larry Nassar de assédio sexual. O adjetivo olímpico tem a derivação, por metáfora: “de aspecto grandioso, majestoso, sublime”.

Portanto, no assunto “assédio”, Nassar “inspira respeito, é grandioso, imponente, majestático” e, di-lo Houaiss, “sublime”.

 

Stetson – Não bastassem os 12 milhões de desempregados, os recordes de homicídios e roubos, os arrastões, a corrupção e o mais que aflige este país grande e roubo, temos agora padres cantores de chapéu de caubói com a agravante da música sertaneja, um castigo para os ouvidos da humanidade.

Cantar é preciso, o canto gregoriano no Mosteiro de São Bento, no Rio, é lindo, mas padre católico de chapéu de caubói e música sertaneja são o fim da picada.

Padre cantor deve recorrer aos chapéus Stetson, da Cowboy Hats fundada em 1865 por John B. Stetson. No Rio de antigamente tivemos um médico, enriquecido no ramo hospitalar, que comprou fazenda famosa e com ela um legítimo Stetson de feltro. Por mal dos pecados as exposições agropecuárias fluminenses eram realizadas em regiões quentes, normalmente quentíssimas, e o novo fazendeiro se notabilizou pelo número de vezes que levava a mão à cabeça para tirar o chapéu. Aquilo que parecia cordial cumprimento não passava da necessidade de refrescar a cuca.

Sem assinar o meu nome, prestei alguns serviços de redação ao doutor. Sempre que lhe levava as faturas do jornal ao belo apartamento de Ipanema, saía de lá com o cheque para a empresa jornalística e uma garrafa de champanhe obviamente francês. Presente dado no idioma falado na região de Champagne: “Pour vous, monsieur”.

 

Facebook – Em face do Face minha reação é de perplexidade. Há coisa de dois anos e meio fiz a besteira de entrar naquela josta, devo ter escrito meia dúzia de tolices durante quatro ou cinco dias e desde então venho recebendo diariamente avisos, mensagens, notícias do Face. Ora me informam que um conhecido atualizou o seu próprio status, palavra latina que significa situação, estado, qualidade ou circunstância de uma pessoa ou coisa em determinado momento. Em antropologia é “condição (de alguém ou de algo) aos olhos do grupo humano em que vive”; como termo jurídico é “condição de alguém aos olhos da lei” ou “conjunto de direitos e deveres que caracterizam a condição de alguém”. Por extensão de sentido da primeira acepção é “posição favorável na sociedade; consideração, prestígio, renome”.

Aí, uma senhora que não conheço e se expressa em inglês informa o falecimento de seu gato de 15 anos. Gato: pequeno mamífero carnívoro, doméstico, da família dos felídeos (Felis catus).

Em Juiz de Fora, MG, sou informado pelo Face da morte do gato e vejo que um caminhão de amigos da tal senhora manifesta condolências aparentemente sinceras.

A praxe no Face é demonstrar felicidade. O infausto acontecimento felídeo foi exceção à regra de publicar fotos as mais idiotas mostrando que Fulano e Sicrana foram à praia em Ipanema ou visitaram o Cristo Redentor, não o de Muriaé, que faz sucesso na TV-Integração por ser a terra do excelente Bráulio Braz, mas a estátua carioca. E o pior, o mais grave, o inexplicável é constatar que há gente brilhante pendurada no Face, que não sai do Face, que se exibe no Face. “O tempora, o mores!”, exclamou Cícero na 1ª Catilinária contra a corrupção de seus contemporâneos. Tempos e costumes que servem para estranhar uma porção de coisas, inclusivamente o Face.

Repeteco, Ridículo, Manchetes e Se beber

Repeteco – Água mole em pedra dura tanto bate até que fura, reza o ditado. Não posso ver denúncias de corrupção que não me lembre do inventor do dinheiro, um grandessíssimo filho da puta chamado Giges (?-644 a.C.), rei da Lídia, o primeiro da Dinastia Mermnada, reinado que durou do ano 680 até 644 a.C. Filho de Dascylus, Giges assassinou Canduales, o rei anterior, e se casou com a viúva. Seu filho e sucessor foi Ardis II.

Daí este repeteco na esperança de que funcione como água mole em pedra dura. Não posso jurar, porque ainda não era nascido, mas a historiografia diz que Giges foi o primeiro rei a cunhar moedas e que o reino da Lídia existiu onde hoje fica a Turquia.

Convertendo metal em moedas, Giges foi uma espécie de inventor do dinheiro, que tem sido larapiado desde então e alcançou a maximização mundial nos governos Lula e Dilma mercê da informatização relativamente recente na história da humanidade.

A “explosão” computacional data dos anos 90 e do início do século atual. Ainda me lembro de que, no início dos anos 60, temendo a administração Goulart, muitos brasileiros endinheirados contratavam jovens patrícios para depositar 100 mil dólares na Suíça ou nos Estados Unidos.

O enviado recebia a passagem de avião, dinheiro para pequenas despesas de viagem e mil dólares quando voltava ao Brasil trazendo o recibo do depósito no banco estrangeiro. Se embolsasse os 100 mil ficava sujo no mercado e corria o risco de tomar uma coça.

De uns tempos para cá, doleiros e grandes empresas transferem milhões de dólares num átimo, regionalismo brasileiro para “momento, instante, abrir e fechar de olhos”.

 

Ridículo – Falta ao prefeito de São Paulo, empresário João Dória, uma assessoria que o preserve do ridículo, do escárnio, da zombaria inevitáveis se continuar na idiotice de suas exposições marqueteiras. Gari é profissão digna e útil à sociedade, aliás utilíssima, sem que haja cabimento no fato de um prefeito se vestir de lixeiro. O conjunto de atividades de marketing destinadas a influenciar a opinião pública sobre ideias relacionadas à atividade política, ações governamentais, campanhas eleitorais etc. sempre teve limites.

Pelo andar da carruagem, ao visitar um dos inúmeros pancadões que atormentam as noites de sua cidade, o prefeito paulistano precisará cheirar carreirinhas, fumar baseados e transar ao vivo e em cores com a primeira jovem que encontrar. A cidade, o estado e o país dispensam tamanho ridículo.

 

Manchetes – Do Oiapoque ao Chuí, não há dia em que não se fique sabendo que, mesmo nas chamadas penitenciárias de segurança máxima, os presos continuam comandando suas quadrilhas através de telefones celulares. É difícil impedir a entrada de tais aparelhos nas penitenciárias, a partir do momento em que uma senhora ao visitar o preso, seu marido e senhor, no presídio de Paracambi, RJ, transportava quatro celulares, algumas baterias e boa dose de maconha num único dos orifícios de sua anatomia. Fato que provocou, dia seguinte, imensa manchete no jornal regional: “Que vaginão!”.

Hoje, com os minicelulares chineses do tamanho de uma tampa de caneta, periquitas comuns transportam duas ou três dúzias.

Para entender Cuba e os cubanos antes, durante e depois do comandante Fidel Castro Ruz é importante recordar que Roberto Campos, quando jovem diplomata servindo em Havana muitos anos antes do paraíso castrista, nos contou em seu livro de memórias que um rapaz matara sua mãe a machadadas. A manchete dizia: “Mató su madre sin motivo justificado”. Um outro, para roubar cinco pesos de uma velhinha, que remexia um caldeirão de sabão fervente, atirou-a na grande panela. A manchete dizia: “Que barbaro consommé de viejita!”.

 

Se beber… – “Se beber, não dirija” seria recomendação perfeita se acrescentasse não fale, não se apaixone, não brigue. Embalado pelo álcool, o sujeito faz cada besteira que vou te contar. Dir-se-á(adoro mesóclises) que estou cuspindo no prato em que comi, isto é, no copo em que bebi durante 50 anos. Parei de livre e espontânea, sem ressacas, e não me arrependo da bebida nem da parada.

É claro, como também é óbvio e evidente, que o álcool diminui os reflexos, o equilíbrio, os movimentos e outras reações físicas, mas pergunto ao caro e preclaro leitor uma coisa que sempre me intrigou: quem somos de fato?

Esqueça a parte física e se limite ao núcleo da personalidade da pessoa, também chamado ego:  a pessoa é a sóbria ou a alcoolizada? Se você souber, me conte, por favor.

Sitioca 

Sitioca – Circula na internet documento oficial de 70 páginas sobre o sítio de Atibaia, SP, que não é do Lula. Na verdade, sitioca de merda em nome de amigos dele, que têm pelo chefe da organização criminosa admiração expressa até no nome do barquinho de titica para navegar no laguinho bostífero: “Marisa Letícia – Lula”.

Boa adega, casa para seguranças, casa de caseiro, muita mata e uma infinidade de objetos pessoais do casal em todos os cômodos das duas pequenas casas. Na parede de uma sala imensa foto (ou pintura?) de uma rosa vermelha, que lembra Rose Noronha com seu passaporte diplomático substituindo a primeira-dama em muitas viagens internacionais. Que fim levou Rosemary? Segredo de Justiça?

Raras vezes vi sítio tão chinfrim – e olhem que visitei centenas nos últimos 60 anos. Tirante a adega, que parece ter bons alcoóis, é o tipo da propriedade à altura do dono.

Houaiss abona o plural álcoois. Prefiro alcoóis abonado pelo Aurélio.