Missão

Missão – Se me ouvisse, a primeira providência de Jair Bolsonaro, ao assumir a presidência da República, seria nomear Michel Miguel Elias Temer Lulia embaixador do Brasil na Arábia Saudita.

Sem foro privilegiado, Michel Temer corre sério risco de ser preso ao deixar o governo e o país não merece dois ex-presidentes na cadeia.

Árabe como Haddad, Temer é alfabetizado e não fará feio numa embaixada. Fez política durante anos num partido em que muitos militantes assaltavam os cofres públicos. Dançou de acordo com a música, foi assessorado por Loures, Geddel e outros da mesma laia, cuidou com carinho do Porto de Santos, faturou algum e não fez mais que sua obrigação ao financiar, cash, a reforma da casa da filha Maristela Temer.

Condená-lo e prendê-lo exigiria o engaiolamento de muitos outros num sistema carcerário que já não dá conta do tanto de gente que merece cadeia. Como embaixador na Arábia Saudita pode acabar de criar Michelzinho e não terá sua bela e jovem mulher cobiçada por homens sérios. O uso da burca impedirá que vejam a beleza de Marcela Temer.

Domingo

Domingo – Mais que Lula, Haddad e o resto da quadrilha, o Grupo Globo foi o grande derrotado nas eleições de domingo. Seu jornal agonizante e sua rede de tevê andaram vivamente empenhados na destruição da candidatura Bolsonaro. Até o escritor angolano José Eduardo Agualusa, que vive em Moçambique, numa ilha banhada pelo Oceano Pacífico, saiu dos seus cuidados para afirmar que a partir da eleição de Bolsonaro o mundo passaria a odiar o Brasil. Mundo que, até outro dia, amava o Brasil.

Todos os articulistas e comentaristas televisivos do Grupo Globo, uns mais, outros menos, fizeram força para derrotar o candidato “inimigo”. Distorceram pesquisas, inventaram reações e acabaram chafurdando na lama de uma derrota acachapante.

Nada que abale o futuro financeiro dos meninos do doutor Roberto, que têm dinheiro para três ou quatro gerações, se bem que muitas fortunas imensas possam esboroar-se sem avisos prévios.

Lá mesmo no agonizante jornal, coluna do Lauro Jardim, semana passada tive notícia de um brasileiro às voltas com o pedido de “recuperação judicial” da última empresa que lhe resta. Brasileiro que conheci em 1980, riquíssimo, poderosíssimo, o tipo do rei da cocada-preta.

Fiquei triste. Não quero o mal de ninguém. No país dos meus sonhos todos seriam ricos e felizes, com exceção do senhor João Alberto Rodrigues Capiberibe, nascido em Afuá no dia 6 de maio de 1947, derrotado domingo com candidato ao governo do Amapá.

O afuaense filho da puta processou-me, quando governou o Amapá, pedindo 23 milhões de dólares – e o processo corria no judiciário amapaense. Em Brasília ou em Minas, teria sido muito divertido duelar na justiça com o afuaense, mas no Amapá me custava meio salário mínimo cada visita de um advogado aos tribunais para tudo terminar em águas de bacalhau.

Enquanto ao mais, impende recordar que o novo presidente do Brasil se chama Jair Messias Bolsonaro e o adjetivo messiânico significa “relativo a um messias ou a movimento ideológico que prega a missão de que estaria investido um homem (ou grupo de homens) na salvação da humanidade”.

Notas

Notas – Entre os muitos hinos que me obrigaram a decorar na escola, havia o da Proclamação da República e aquele trecho que acabou virando música de escola de samba: “Liberdade! Liberdade! Abre as asas sobre nós! Das lutas na tempestade, Dá que ouçamos tua voz!”.

Lembrei-me dele neste final de outubro, quando devemos ficar livres das análises eleitorais do senhor Valdo “Subzídio” Cruz, que disputa com o senhor José Roberto Sartori Burnier Pessoa de Mello o título de jornalista mais chato da tevê brasileira.

Todo santo dia, de segunda a sexta, Burnier repete gracinhas no programa Em Ponto. Dir-se-á que não sou obrigado a vê-lo, é certo, mas as opções também são insuportáveis.

E o noticiário continua enlouquecido com o Trump tuitando adoidado, pacotes com explosivos que não explodem, Mohammed bin Salman Al-Saud com aquelas roupas malucas, risonho, do alto de uma fortuna incalculável, explicando a morte do seu compatriota que exercia o jornalismo nos Estados Unidos.

Tudo, evidentemente, embaralhado pelo embate de policiais civis paulistas e mineiros num estacionamento juiz-forano envolvendo “empresários” paulistas e estelionatário mineiro, malas com 14 milhões de reais em notas falsas de 100 reais, numa bagunça digna de hospício, com a jovem gaúcha, em tratamento psiquiátrico, riscando a canivete uma suástica em sua própria barriga.

Do sânscrito svastika ‘bom agouro, boa sorte”, essa cruz, com os braços voltados para o lado direito, foi adotada como emblema oficial do III Reich e se tornou símbolo do nazismo, enquanto a jovem gaúcha voltou os braços da cruz para o lado esquerdo e ninguém reparou.

Segunda-feira a gente volta. Boa eleição procês todos.

Lua bonita

O Google tem um monte de entradas para “Lua bonita, Se tu não fosses casada Eu preparava uma escada Pra ir no céu te buscar”, letra atribuída a Raul Seixas. Lembrei-me dela na madrugada de 24 de outubro, quando linda Lua cheia (ou quase) quis ter a gentileza de aparecer no céu até então nublado.

Não sei se também acontece com o caro e preclaro leitor, mas não me canso de apreciar a Lua. É muito mais bonita, mais limpa, mais civilizada que a baixaria de nossas campanhas eleitorais, onde candidatos e suas equipes se digladiam na luta pelo poder.

Como também se digladiam os membros de várias cortes de Justiça, entre as quais o Supremo Tribunal Federal. Ou será que alguém já se esqueceu daquilo que o ministro Barroso disse do ministro Gilmar, numa tarde/noite em que se mimosearam?

Devo confessar que também não acredito no atual Supremo, ou, quando menos, em cinco dos seus ministros. No país dos meus sonhos já teriam sido “neutralizados”, mas continuam firmes e fortes nos cargos que alcançaram indicados por gente que está na cadeia e aprovados por um Senado de senadores manjados.

Manjar, na rubrica regionalismo brasileiro, “acompanhar a evolução ou o comportamento de, espionar, observar”.

Enquanto ao mais, tchau e bênção procês todos.

Donald J. Trump

Donald J. Trump é uma besta. Agora, cismou de implicar com a comunidade LGTBI+ dos Estados Unidos, grupo que lá vai crescendo numa velocidade impressionante e já alcança 4,5% da população daquele país.

Assim, Trump acaba de perder o apoio importantíssimo de Caitlyn Marie Jenner, nascida William Bruce Jenner em outubro de 1949, atriz, modelo, socialite que, ainda como William Bruce Jenner, conquistou a medalha de ouro no decatlo durante os Jogos Olímpicos de Verão de 1976, quando foi aclamado “o maior atleta do mundo”.

Caitlyn Marie havia apoiado a candidatura Trump à presidência dos EUA, apoio que agora retirou, quando o presidente ameaçou reduzir a homem e mulher a lista dos sexos norte-americanos.

Com efeito, do jeito que a coisa lá vai caminhando, logo serão necessários nos estabelecimentos comerciais, nas escolas e noutros locais uns 20 banheiros separados por “opções” sexuais.

Ao sul do Equador, num país grande e bobo, famílias, grupos de amigos, sócios e a demais gente se digladia pelas eleições do próximo domingo. Grande novidade. A espécie humana gosta de se digladiar. Vejam os casos dos pais que têm a insensatez de deixar pequena, ou grande, ou imensa herança para os filhos. É briga na certa.

Absurdidades

Absurdidades – Domingo à tarde, minha operadora de celular caprichou na mudança do telefoninho por conta do maldito horário de verão. Não se limitou ao adiantamento de uma hora, mas inventou um horário que deve ser do Acre ou da Costa do Marfim, sem olvidar a Guiné Equatorial, país amigo presidido há quase 40 anos pelo eminente Teodoro Obiang Nguema Mbasogo, pai do vice-presidente Teodoro Ngueme Obiang, injustamente perseguido pelas autoridades brasileiras.

E o município de São Rafael, localizado no Oeste Potiguar, microrregião do Vale do Açu, resolveu festejar os 58 anos de sua criação promovendo um festival de cachaça em que o vencedor seria aquele que consumisse a maior quantidade do “precioso” líquido. Como resultado do novel concurso, quatro competidores foram parar no hospital, dois deles em coma alcoólico.

Absurdidade só vista num país em que rapazes e moças de 16 anos podem votar nas eleições para governadores e presidentes da República, mas são inimputáveis quando cometem crimes hediondos.

Em São Paulo, capital, os termômetros anotaram aumento de 3ºC nos últimos 100 anos, motivo para um cavalheiro alto, careca, de barba branca, aparecer na tevê atribuindo ao fato ao aquecimento global. O ilustrado cavalheiro se esqueceu de dizer que só em 1930 aquela cidade alcançou o seu primeiro milhão de habitantes e hoje sua população é de mais de 12 milhões, enquanto a região metropolitana ultrapassa os 21 milhões. Donde se conclui que o careca é uma anta e a ministra Rosa Weber labora em erro ao afirmar que todo juiz honra sua toga.

Não é verdade. Vários juízes desonram suas togas até mesmo no Supremo Tribunal Federal, Corte que abriga a ministra Rosa Maria Pires Weber.

Semana

Semana – Nem a arte do escultor chinês Ai Wey Wey é capaz de explicar a violência que tomou conta de Juiz de Fora nos últimos meses. Wey Wey, como temos visto na tevê, está expondo em São Paulo e uma de suas esculturas pesa 146 toneladas. Composta de ferro utilizado nas obras de concreto armado pode ser transportada e pesada em feixes, mas o peso da obra que o escultor está concluindo na China só poderá ser “estimado” e a peça exigirá base de concreto com dois metros de espessura.

Dizem os curadores e os críticos que a obra de Wey Wey, também grafado Weiwei, faz o público “pensar”, “refletir”, “meditar” e outras coisas que as pessoas podem fazer sem a obrigação de ver o corpo do referido artista, nu, deitado num colchão velho ao lado de uma jovem, também nua, que não é a senhora Lu Quing, sua mulher. Wey Wey nu e a moça do colchão estão representados em plástico branco.

E assim começamos a última semana das eleições. Não entendo como o ex-juiz Witzel e o Eduardo Paes podem digladiar-se pelo governo de um estado falido como o RJ. O debate paulista entre o Doria e o França, pela Band, foi muito divertido. No fundo, no fundo, tive a impressão de que os dois se gostam, mas trocam farpas, dizem cobras e lagartos.

Tevês e jornais do mundo inteiro, além dos presidentes e primeiros-ministros de diversos países, afetam preocupar-se com a morte do jornalista saudi-arábico Jamal Ahmad Khashoggi, sem que alguém tenha notado o motivo determinante do homicídio: Jamal Ahmad Khashoggi usava camiseta preta.

No mundo civilizado, camiseta preta, camisa social preta com gravata preta (ou de outra cor) justificam homicídios.

Maconha

Maconha – Ontem prometi contar o motivo pelo qual nunca fumei maconha, erva que também atende pelos seguintes nomes: abango, abangue, aliamba, bagulho, bango, bangue, bengue, birra, bongo, cangonha, diamba, dirígio, erva, fuminho, fumo, jererê, liamba, marijuana, massa, nadiamba, pango, rafi, riamba, seruma, soruma, suruma, tabanagira, umbaru.

Explicação simples: nunca me ofereceram. E olhem que frequentei rodas barra-pesadíssimas desde os 18 anos, todas ligadas ao álcool, nunca me ofereceram maconha, cocaína (o crack ainda não “existia”) e a pior delas todas, porque vicia na primeira aplicação: heroína.

Na rubrica química, alcaloide (C21H23NO5) derivado da morfina, com propriedades narcóticas e analgésicas. Cavalheiros lúcidos que experimentaram heroína dizem que a “sensação de entrar no céu” não pode ser melhor. O diabo é que o viciado logo descobre que o céu é um inferno.

Em matéria de vícios, o álcool é mais que suficiente. Álcool social, que não deve ser confundido com o alcoolismo. Conheci centenas de profissionais responsáveis, respeitados, todos do primeiro time, que sempre beberam socialmente. Lá uma vez ou outra o sujeito mamado faz uma besteira, mas não está livre de besteira igual ou pior sem álcool.

O resto é piu-piu, já dizia Ibrahim Sued, meu contemporâneo na redação de um Globo que não existe mais.