Inveja, Verdade Real, Suprassumo e China

Inveja – Vezes sem conto, sempre com pureza d’alma, tenho dito que a inveja nunca fez parte do meu vocabulário. Pierre Daninos, num dos seus deliciosos livros, falou dos norte-americanos e dos franceses. Quando um americano via passar alguém dirigindo carro bacana, dizia: “Que carro bonito! Vou trabalhar para comprar um igual”. Já o francês, ao ver a passagem de um patrício dirigindo carro supimpa, protestava: “Desce do carro e vem andar a pé como toda a gente”.

Por mal dos pecados, dei para ficar invejoso dos amigos que vivem viajando para os Estados Unidos. Em Miami, Orlando e noutras cidades americanas, os brasileiros podem comprar magníficos charutos enrolados na República Dominicana. Para quê? Ora, para me trazer de presente.

Recomendo vivamente as marcas A. Fuentes, Ashton Cabinet e Romeu Y Julieta 1875 Reserve, com 18 a 20 centímetros de comprimento. Cada viajante pode passar pela alfândega brasileira trazendo 30 unidades para alegrar a existência de idoso philosopho. De antemão, muitíssimo obrigado.

 

Verdade Real – Dera Sacha Sauda não tem ligação com Sacha Meneghel Szafir, 19 anos, estudante de moda conhecida por ser a filha única de Xuxa Meneghel e do ator Luciano Szafir.

Dera Sacha Sauda é uma organização espiritual (“Lugar da Verdade Real” em híndi, língua indo-europeia, do ramo indo-iraniano, sub-ramo indo-árico, grupo sânscrito. É língua literária e, das línguas oficiais da Índia, a que tem o maior número de falantes, aproximadamente 190 milhões de pessoas. Escreve-se com o alfabeto devanágari, que você não conhece nem precisa conhecer. A Terra tem mais de 7 bilhões de pessoas que não conhecem o alfabeto devanágari e morrem de outras coisas.

Gurmeet Ram Rajim Singh, fluente em híndi, cabeludo, braços e ombros peludos, que diz ter 40 milhões de seguidores, vem de ser condenado a 20 anos de cadeia pelo estupro de duas jovens seguidoras. O guru da Dera Sacha Sauda gosta das coisas boas, motos e automóveis de luxo, jovens partidárias e outros confortos.

Protestos violentos dos seguidores de Gurmeet Ram Rajim Singh deixaram dezenas de mortos e centenas de feridos. O Hospital Civil de Panchkula, cidade do norte da Índia onde o guru foi condenado, reportou as mortes e os feridos.

 

Suprassumo – O grau mais elevado, o máximo, a quinta-essência, o cúmulo do azar está acontecendo com os venezuelanos que fogem da fome, do desemprego, da escassez de papel higiênico da ditadura implantada por seu patrício Nicolás Maduro, ex-maquinista do metrô de Caracas.

Enquanto os refugiados norte-africanos e do Oriente Médio podem ter, eventualmente, a sorte de alcançar a Europa, milhares de venezuelanos fogem para Roraima, estado brasileiro que tem como prefeita da capital Boa Vista a senhora Maria Teresa Surita, ex-mulher do senador Romero Jucá Filho.

Pernambucano, o senador Jucá Filho é o dono daquele estado, uma das 27 unidades federativas do Brasil. Escapar da Venezuela de Maduro para território roraimense, com todo o respeito devido aos refugiados, é passar de cavalo a burro. Que os deuses do Olimpo e os 33 milhões de deuses indianos, em sua infinita misericórdia, se amerceiem dos refugiados.

 

China – Obrou muitíssimo bem o presidente Michel Temer ao convidar o deputado Fábio Ramalho (PMDB-MG) para visitar a China. Fabinho tem o dom de aglutinar, de reunir pessoas, como demonstrou ao longo de sua carreira política. No terceiro dia da viagem à China é capaz de reunir o presidente Xi Jinping ao norte-coreano Kim Jong-um em torno de uma leitoa à pururuca, que termine com todos escornados sobre as camas do palácio chinês.

Fenômeno testemunhado um ror de vezes no apartamento funcional do deputado, em Brasília, DF. Afamanado e maledicente jornalista mineiro, quando se levantou da cama para ir ao banheiro no final do corredor, contou dos diversos cavalheiros e damas que avistou pelo caminho, desmaiados, traseiros à mostra com ou sem cuecas e calcinhas. Maldoso como ele só, jurou que um dos rabos mais feios pertencia a uma colega de profissão.

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