Estupro e Economia

“Estupro” – Bombou neste belo blogue o comentário sobre a “escritora” desbocada (“Queria chamar de ‘tentativa de estupro’, mas foi estupro mesmo, Tava bêbada? Tava. Foda-se.”) que se queixou de um motorista da Uber. Na opinião meditada dos caros e preclaros leitores, o dedo do motorista só ficou imundo depois da dedada na calcinha da bêbada.

Enquanto seu lobo não vem, um cidadão foi detido por ejacular (emitir esperma) no pescoço e no rosto da passageira de um ônibus na Avenida Paulista, centro da cidade de São Paulo. O cidadão tem 17 passagens pelas delegacias paulistanas como ejaculador. Não pode ver passageira de ônibus que não ejacule. Foi solto no dia seguinte e reincidiu anteontem.

A partir da penúltima ejaculação, preso em flagrante ejaculatório, o juiz que o soltou, o Tribunal de Justiça, a Associação dos Magistrados ejacularam tantas besteiras sobre leis, letra da lei, códigos etc., com tamanho conhecimento de causa, que emporcalharam o noticiário.

Aquele negócio do “nullum crime sine lege” (não há crime sem lei anterior que o defina) é muito bonito para mostrar que o sujeito estudou Direito, mas não tem cabimento no caso paulistano. É claro, como também é lógico e evidente, que ninguém pode ejacular sem autorização no pescoço e no rosto dos outros.

No tempo em que havia amor hétero, uma namorada portuguesa podia pedir “Dá-me o teu caldinho”, mas num ônibus é crime hediondo que pede cadeia imediata até que se defina o número de anos que o animal deve permanecer preso.

 

Economia – Ciência que estuda os fenômenos relacionados com a obtenção e a utilização dos recursos materiais necessários ao bem-estar, economia é assunto dos mais complicados.

Por mais que me esforce, nunca entendi nada do que vejo e leio por aí. Há coisa de 30 anos, meu Opalão transportava um tanque adaptado para 140 litros de gasolina, única forma de viajar nos finais de semana em que os postos eram proibidos de vender combustível. Viajando muito, acabei merecendo o apelido “Noventa” pelos frentistas do Roselanche, de Barbacena, quando viam meu carro aceitar 90 litros num tanque suposto de só receber 80.

Nesse tempo, 100 litros de gasolina correspondiam a um salário mínimo. Acertei com os donos de uma revista agropecuária o pagamento de crônica mensal de dois salários mínimos ou de 200 litros de gasolina, oscilando conforme o maior valor. Nos meses em que o salário era maior que 100 litros, me pagavam dois salários. Quando a relação se invertia, pagavam 200 litros.

O negócio funcionou assim durante algum tempo, até que o salário se descolou dos 100 litros e a diferença foi aumentando. Hoje, com um salário você compra mais que 200 litros.

A combinação ficou injusta, pois no mercado minha crônica não valia aquela “fortuna”, e a colaboração foi fixada em 200 litros. Daí a dificuldade que também tenho para entender, desde sempre, as oscilações do dólar americano. Há períodos em que o dólar vale uma fortuna, como há períodos em que vale uma tuta e meia, mistério que só os economistas tentam explicar.

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