Ouvir, Mandados, Pergunta e Cullpa

Ouvir – Ao contrário do que veiculam atualmente as tevês e os jornais, houve tempo em que as mulheres se interessavam pelos homens. Interesse amoroso não necessariamente pelos mais belos, ricos, brilhantes ou famosos exemplares da espécie.

Nunca fui tipo de beleza, rico, brilhante ou famoso, mas tive uma característica que cativou alguns corações: sou bom ouvinte. Ainda que não esteja ouvindo nada do que me conta uma senhora, na barulheira de uma festa, procuro ouvir o que fala.

Foi assim em Lavras, Sul de Minas, mesa comprida, comensais ligeiramente trêbados, quando me sentei diante de uma senhora cujo marido, na outra extremidade da mesa, monopolizava as atenções. Tido como economista brilhante, fazia política no PMDB e cobrava 10% para administrar a fortuna de sua mulher, “dona” de conhecido município paulista.

Ela, do lado de cá, falava para um Eduardo que não ouvia absolutamente nada, mas, educadíssimo, prestava atenção. Médico amigo, sentado a meu lado, diagnosticou: “Eduardo, esta mulher está dando em cima de você”.

Estava. Nunca fui beijado e abraçado com tanta sofreguidão como naquela tarde, quando o casal se despedia ao voltar para São Paulo. Entre outras coisas, a mulher pedia: “Vai com a gente agora. Jura que vai me visitar” e isso me agarrando com imoderado desejo sensual. Releva notar que era muito comível, mas o philosopho quase cinquentão, sem-vergonha como ele só, andava navegando em águas muito mais novas.

Agora, com os furacões que assolaram o Caribe, me lembrei de outra cantada que levei há cerca de 15 anos. Jantar de inenarrável luxo em Belo Horizonte: casa, bebidas, comidas, negócio que só vendo para acreditar. E isso na capital de todos os mineiros.

Terno e gravata caprichados, camisa branca impecável, lavanda Classic da Kanitz atrás das orelhas, sentei-me à mesa diante de uma senhora dona de uma porção de empresas no Brasil e na Europa, bem como de uma ilha no Caribe.

Ilha em que tem alguns sócios, mas ilha particular a que se tem acesso de lancha depois de pousar, noutra ilha, em aeroporto internacional. Praias “paradisíacas”, pois tudo no Caribe é paradisíaco – resort, piscinas, comidas, bebidas, funcionários.

E o Eduardinho jantando em BH defronte da poderosa, tentando ouvir as coisas que ela contava sem parar. Antes do charuto cubano trazido pelo maître, recebi convite para visitar com ela o Caribe. Feliz da mulher que pode ter como ouvinte um cavalheiro bem-ajambrado, com lavanda Classic, da Kanitz, esfregada atrás dos pavilhões auriculares.

 

Mandados – Morro de rir dos mandados de busca e apreensão nas residências dos bandidos de alto coturno tipo Joesley e Saud. São mandados que podem funcionar nas casas de traficantes de meia-tigela, que guardam tiquinhos de maconha, crack e cocaína para vender na vizinhança, mas bandido de alto coturno não é bobo de deixar em casa documentos comprometedores. Uma cidade como São Paulo tem mil e um lugares onde o bandidão pode esconder o que deve ser escondido. Ou, então, guarda os vídeos no exterior como Saud e Joesley.

 

Pergunta – Ricardo Saud, executivo da JBS, é muçulmano sunita, xiita ou alauita?

 

Cullpa – O ex-presidente Collor de Mello e o ex-procurador Marcello Miller têm cullpa em cartório.

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