Mudanças, De avestruz e Pergunta

Mudanças – “Todo o mundo é composto de mudança/ Tomando sempre novas qualidades” poetou Camões vários séculos antes dos atuais falares sexuais.

Foi-se o tempo da veadagem e do lesbianismo, em que o sujeito era veado e a sujeita sapatão. Homossexualidade virou opção sexual, aquilo por que se opta; uma de duas ou mais possibilidades pelas quais se pode optar.

A conversa dos gêneros evoluiu para os transgêneros e a orientação sexual deve ter atingido a perfeição nos casos de desorientação sexual, quando a pessoa muda de sexo, se arrepende e volta atrás. Os jornais da semana passada noticiaram um caso de desorientação.

E a Ela Revista, edição de 10 de setembro, fez matéria de capa: “Carol Duarte, quem é esta garota?”. Pois muito bem: a garota faz sucesso na novela “A Força do Querer”, da Globo, e nos últimos quatro anos vive tórrido romance com a namorada Aline Klein.

Banheiros unissex são festejados até nas universidades como se fossem mais importantes que o controle do fogo e a invenção da roda. E o delator Joesley Batista, açougueiro-geral da República, que só diz “nós vai”, conquistou a baianinha de rosto bonito, sotaque horrível e pernas finas, que apresentava o Jornal da Band, com um “nós vai se casarmos”.

Mais que jatinhos e apartamentos em Nova York, “nós vai” fala aos corações sensíveis e aos gravadores indiscretos. Só falta o Zé Eduardo moer o Supremo. Tristes trópicos!

 

De avestruz? – A expressão popular “estômago de avestruz”, com 306 mil entradas no Google, tem sido usada para definir pessoas que comem de tudo e não passam mal, a exemplo da maior ave vivente, da família dos estrutionídeos (Struthio camelus) chamada avestruz, substantivo de dois gêneros.

Até então, entendia-se por “comer” a ingesta de alimentos e objetos diversos. Diz-se que o suco gástrico de avestruzes é até capaz de dissolver metais.

Mas há coisa pior, muito pior do que comer de tudo e não passar mal: é comer o incomível visando a alcançar prestígio, poder, ministérios, altos cargos públicos. Comer o incomível implica a necessidade de acrescentar ao suco gástrico, que dissolve metais, um estômago cardoso,  em que o cardo seja abundante.

 

Pergunta – Com todo o respeito, concessa venia, existe coisa mais chata que uma sessão do Supremo Tribunal Federal?

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *