Amor, Textos e Simplificação

Amor – Chamada de primeira página no Globo de 16 de setembro decreta “Todos amam Pabllo Vittar”. Como sou parte do “todos”, fui ao caderno Ela, superiormente editado por Renata Izaal, para conhecer meu amor, que também é seu, caro e preclaro leitor deste belo blogue: a Rainha da WEB.

Descobri que o nosso amor tem 22 anos, é drag queen, tem 4 milhões de seguidores no Instagram, é fã de Beyoncé e diz: “Podem me chamar no masculino ou no feminino”. Com a devida vênia, tiro meu time do campo.

 

Textos – Publicados regularmente na imprensa, diários, semanais ou mensais, os textos assinados despertam reações curiosas em muitos leitores. Homens e mulheres fantasiam situações com os autores, não raras vezes chegando aos finalmentes.

A sexualidade humana sempre foi muito mais complexa do que as justificativas daqueles que gostam de maxixe e jiló. A sinonímia de maxixe diz tudo:  maxixe-bravo, maxixe-do-mato, pepino-de-burro, pepino-espinhoso. Gostar do fruto do jiloeiro deveria ser crime capitulado no Código Penal.

Detesto textos rácicos fora das publicações agropecuárias. Como ninguém sabe o que é rácico, a começar aqui pelo degas, explico que é racial, relativo a raça, como o daquela jovem senhora de cor que escreve no Globo. E diz que a primeira coisa que faz, ao entrar numa reunião, é ver se tem preto.

Preta, tudo para ela é rácico. Desejo que seja feliz e me poupe, que não me encha o saco. Há tanta coisa para ler e sobretudo para reler, que não posso perder tempo com a moça nem com os petistas e assemelhados, cambada de idiotas ou ladrões, não raras vezes ladrões idiotas.

Textos insuportáveis são também os semanais que continuam na semana seguinte. É muita pretensão do autor achar que alguém vai esperar sete dias, no mundo atual, pela continuação daquilo que publicou hoje.

Sete anos Jacó serviu Labão, porque de olho em Raquel, serrana bela, filha do patrão. Hoje, nas redes sociais, Jacó não perderia cinco minutos seguindo Raquel, mas ficaria arrasado, como ficaram inúmeros jovens brasileiros diante do hotel carioca em que se hospedava a fibromiálgica Lady Gaga.

Entrevistados pela GloboNews, os fãs da moça, todos eles, têm trejeitos. Trejeiteiros, muitos viajaram centenas ou milhares de quilômetros para assistir ao show da nova-iorquina Stefani Joanne Angelina Germanotta no Rock in Rio.

Até aqui, gastei 292 palavras evitando falar do entusiasmo que alguns textos masculinos despertam em leitoras, bem como das fantasias que textos femininos podem despertar em cavalheiros da maior respeitabilidade. Caminhado em anos, gosto dos escritos de uma gaúcha que dizem ser muito feia. Fosse mais moço, arriscar-me-ia. O máximo que poderia acontecer, se acontecesse, seria uma brochada.

Mestre Aurélio prefere broxar com xis, verbo intransitivo: perder, ocasional ou definitivamente, a potência sexual. Broxar ou brochar é phodda, com ph de pharmácia e dois dês de Toddy. E a história da atração feminina pelo texto masculino fica para outro dia, mas sempre existiu e existe. Bobagem, né?

 

Simplificação – Quando publicou sua “História do Brasil pelo método confuso”, sob pseudônimo de Mendes Fradique, José Madeira de Freitas (1893-1944) não contava com a cerimônia de hoje na Procuradoria-Geral da República.

Método simples, organizado, seria afastar o procurador Rodrigo Janot do presidente Michel Temer, que se odeiam: bastava que Temer viajasse ontem, domingo, para os Estados Unidos, deixando Rodrigo Maia como presidente da República. Rodrigo Maia e Rodrigo Janot se encontrariam normalmente na PGR, sem flechadas e olhares mortais, o cargo seria transferido para a procuradora Raquel Dodge, tudo sem a necessidade de antecipar horários e acirrar ânimos.

Hoje, Michel Miguel Elias Temer Lulia, descansado, jantaria com Donald John Trump, amanhã faria o discurso na ONU e voltaria ao Brasil. Mas o pessoal, por aqui, gosta de complicar as coisas.

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