Resposta, Esquisitices, Notas seminais e William

Resposta – No teste de ontem, você deve ter notado que, arrumadas, as seis primeiras letras das palavras em caixa alta formam o lexema Brasil.

Lexema, morfema lexical. Unidade de base do léxico, que pode ser morfema, palavra ou locução.

Nestes dias em que pouquíssimas pessoas têm palavra, precisamos recorrer às outras unidades básicas do léxico, ao correr da pena, para evitar as meias palavras e as últimas palavras para evitar a esparrela, o logro, a peça. Lexema é substantivo perfeito.

 

Esquisitices – Cerca de 25% de sangue britânico talvez expliquem minhas esquisitices. Aquele negócio de dirigir na contramão e insistir nos ônibus de dois andares desandou aqui em casa no gosto pelo uísque e pelos gramados. Bebi desgarrafadamente durante séculos e, sempre que possível, cultivei gramadinhos da melhor supimpitude. Nas roças, o gramado separa a civilização da barbárie.

 

Notas seminais – João Batista Sobrinho, 84, pai de Wesley, Joesley & outros, assumiu a presidência do Grupo JBS com a prisão de dois dos seus filhos. Fosse infértil, João não teria filhos biológicos e poderia ser mais feliz na educação de filhos adotivos.

Ibrahim Abud Neto, desbravador do norte do Paraná, não podia ver patrício prosperando que não recomendasse: “Precisa estocar o sêmen dele: filho de turco chegar a ministro…”. Se ainda estivesse por aqui, Ibrahim já teria defendido a transferência de Michel Miguel Elias Temer Lulia para uma central de inseminação artificial: filho de turco chegou a presidente.

Sêmenes bons produzem filhos bons ou ótimos, enquanto semens ruins, que são maioria, devem ser evitados. Difícil, mesmo, é evitar o uso dos plurais de sêmen – semens e sêmenes – na hora de encher linguiça. Aprendi-os no Houaiss há cerca de cinco minutos.

 

William – Não confundir com Willian, craque do Chelsea e da seleção de Tite: William Shakespeare matou a charada em inglês: To be or not to be, that is the question.

A questão, a pergunta, a interrogação, o problema, o assunto, o exame, o debate bombou na mídia, nas redes sociais, no país inteiro quando o Conselho Federal de Psicologia (CFP) afirmou que vai recorrer “em todas as instâncias possíveis” da decisão liminar da Justiça Federal do DF, proferida na última sexta-feira (15/9), que permite aos psicólogos tratar gays, lésbicas e bissexuais como doentes, sem, por isso, sofrer qualquer tipo de censura ou penalidade.

Pelo visto, não bastaram as tempestades e os estragos dos furacões Irma e Maria no Caribe e nos EUA. O Brasil cuidou de sua tempestade em copo de água com a respectiva barulheira. É claro, como também é óbvio e evidente, que toda pessoa pode ser homossexual, como também é claro que alguns homossexuais podem ter o direito constitucional de reorientar a respectiva sexualidade.

Se há psicólogos dispostos a ajudá-los na ingente reorientação, ninguém tem nada com isso. O resto é piu-piu, já dizia Ibrahim Sued, meu contemporâneo na redação do Globo.

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