Poética, Cisplatina, Em directo e Prisão

Poética – Nada melhor do que reunir poetas num programa de tevê, como fez a GloboNews, para revelar ao mundo certa poesia que se faz por aí. Um dos convidados, nordestino caminhado em anos, pançudo, calvo, brancas barbaças, quis ter a gentileza de levar imenso ventilador, daqueles de pé, e um saco cheio de tufos de capim fino e seco. Ligando o ventilador, retirava do saco punhados de capim que as pás do aparelho elétrico espalhavam pelo ambiente poetizado. Existe algo mais poético do que jogar capim no ventilador?

A sinonímia de poeta, no Houaiss, remete à de visionário, que não se esquece da significação muito próxima de excêntrico: bizarro, esdrúxulo, esquisito, estapafúrdio, estrambótico, estranho, exótico, extravagante, incomum, inusitado, inusual, invulgar, mirabolante, singular.

O programa da GloboNews foi tudo isso e mais alguma coisa. Poesia e maluquice nem sempre caminham de mãos dadas. Houve e há poetas  mentalmente sadios, mas na tevê os malucos são mais divertidos.

 

Cisplatina – Neymar deixa de seguir Cavani no Instagram, dizem os jornais noticiando esta versão recente da Guerra da Cisplatina, de cisplatino: “que está situado aquém do rio da Prata”. O conflito histórico durou de 1825 a 1828, enquanto o atual começou na hora da cobrança de um pênalti no jogo do PSG contra o Lyon. O brasileiro Neymar quis bater a falta, o uruguaio Cavani também quis e quase chegaram às vias de fato no vestiário, depois do jogo.

Mais grave que isso: Neymar deixou de seguir Cavani no Instagram. É ofensa para ser examinada pela Assembleia Geral da ONU, antes que o Brasil volte a guerrear o Uruguai e vice-versa ao contrário.

 

Em directo – Está ficando difícil ligar o imenso televisor LG. Em cores e em directo, como dizem os portugueses, tragédias naturais e massacres anunciados arrasam o telespectador.

Furacões no Caribe, terremotos no México, tiroteios no Rio, limpezas étnicas aqui e ali, eventualmente acolá, sem falar da interminável guerra da Síria.

 

Prisão – O cantor sertanejo Rafael, da dupla Fábio e Rafael, foi preso na manhã de quarta-feira, 20 de setembro, pela Polícia Civil, em uma operação contra falsificação de cigarros. O cantor foi detido em um prédio de luxo em Londrina, norte do Paraná. O imenso ônibus da dupla foi apreendido durante a operação, que me pareceu um exagero. Falsificar cigarros é crime muito menor do que sair por aí cantando música sertaneja.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *