Confusão

Confusão – Redigida em búlgaro, grego clássico ou quirguistanês, a decisão judicial que autorizou um grupo de psicólogos a atender eventuais clientes interessados em reverter suas tendências sexuais não seria tão criticada, tão incompreendida quanto aquela de permitir aos autores da ação o livre exercício profissional.

Em rigor, só dois comentaristas entenderam a decisão do juiz: este philosopho, no blog do dia 20 de setembro, e o juiz Renato Zupo, da comarca do Araxá, MG, no artigo que publicou na imprensa esmiuçando o assunto e defendendo o colega.

Todos os demais analistas que li na mídia nacional meteram o pau da decisão judicial, chamada de “cura gay”, mostrando que não leram ou não entenderam a autorização do magistrado.

No suelto William, do blog do dia 20, philosophei: “Não confundir com Willian, craque do Chelsea e da seleção de Tite: William Shakespeare matou a charada em inglês: To be or not to be, that is the question.

A questão, a pergunta, a interrogação, o problema, o assunto, o exame, o debate bombou na mídia, nas redes sociais, no país inteiro quando o Conselho Federal de Psicologia (CFP) afirmou que vai recorrer ‘em todas as instâncias possíveis’ da decisão liminar da Justiça Federal do DF, proferida na última sexta-feira (15/9), que permite aos psicólogos tratar gays, lésbicas e bissexuais como doentes, sem, por isso, sofrer qualquer tipo de censura ou penalidade.

Pelo visto, não bastaram as tempestades e os estragos dos furacões Irma e Maria no Caribe e nos EUA. O Brasil cuidou de sua tempestade em copo de água com a respectiva barulheira. É claro, como também é óbvio e evidente, que toda pessoa pode ser homossexual, como também é claro que alguns homossexuais podem ter o direito constitucional de reorientar a respectiva sexualidade.

Se há psicólogos dispostos a ajudá-los na ingente reorientação, ninguém tem nada com isso. O resto é piu-piu, já dizia Ibrahim Sued, meu contemporâneo na redação do Globo”.

No caderno Viagem, do Estadão, edição de 26 de setembro, aprendo que homossexualismo é crime em 70 países, em nove deles punido com a pena de morte. O Brasil, que oficialmente não tem pena de morte, caminha no sentido de punir o heterossexualismo com todas as penas do inferno.

Faz o maior sucesso nos teatros um monólogo em que Jesus Cristo é interpretado por atriz transgênero, magríssima, Renata sei-lá-de-quê, provando que o inspirador da era cristã era mulher.

A matematicidade, qualidade do que é rigoroso, exato, inquestionável, esbarra nos números da sexualidade humana e Fernanda Gentil, di-lo o provedor Terra, ganha beijo da namorada Priscila Montandon na distribuição do Prêmio Comunique-se.

A primeira demografia do comportamento sexual humano foi feita nos EUA pelo Dr. Alfred Kinsey em seus livros “Comportamento Sexual no Macho Humano” (1948) e “Comportamento Sexual na Fêmea Humana” (1953). Estes estudos utilizaram um espectro de sete pontos para definir o comportamento sexual, usando 0 para completamente heterossexual a 6 para completamente homossexual. Na pesquisa de Kinsey, 37% dos homens dos EUA tinham atingido o orgasmo através do contato com outro homem e 13% das mulheres tinham atingido o orgasmo através do contato com outra mulher. Em seu estudo, cerca de 10% dos homens se relacionavam com predomínio de atividade homossexual e 11% se relacionavam igualmente com homens e mulheres. Entre mulheres, 9% das mulheres solteiras e 3% das divorciadas se relacionavam predominantemente com mulheres e 7% das mulheres solteiras e 4% das divorciadas igualmente com homens e mulheres.

Em 2009, em uma pesquisa realizada pela Universidade de São Paulo em 10 capitais do Brasil, 7,8% dos homens diziam-se homossexuais e 2,6% bissexuais, para um total de 10,4%; 4,9% das mulheres diziam-se lésbicas e 1,4% bissexuais, para um total de 6,3%.

Até aqui foram 598 palavras para tentar entender um assunto que não é da conta das pessoas de bem e de tino. Pela atenção, muitíssimo obrigado.

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