Tucanato e Inhotim

Tucanato – O PSDB já foi infeliz ao escolher o tucano como símbolo do partido. Ave bonita pelo bico original, o tucano tem péssimo caráter, come os ovos que encontra nos ninhos de outras aves e mistura, no partido, pessoas de bem com bandidos do mais alto coturno, além da mania de ficar em cima do muro.

Mania que levou o humorista José Simão a dizer que, em casa que tem dois banheiros, tucano caga no corredor.

Não me apraz recorrer num texto ao verbo cagar, do latim caco,as,avi,atum,are ‘cagar, evacuar o ventre, defecar’. É mais delicado, muito mais educado fazer cocô, sem dispensar o bidê.

Acabo de descobrir “caga” no Houaiss, substantivo de dois gêneros em nosso idioma desde 1873, tabuísmo que significa “pessoa que se ofende e se irrita com facilidade quando é objeto de graça ou chacota; indivíduo sem coragem ou energia; pessoa negligente ou distraída; pessoa avoada ou piegas por estar apaixonada”.

No Aurélio é substantivo masculino, chulo, “indivíduo lamecha; indivíduo que se irrita com um motejo; indivíduo displicente, desleixado”.

Lamecha, adjetivo e substantivo de dois gêneros: “que ou aquele que tem comportamento tolo ou ridículo por efeito de enamoramento; que está sempre pronto a sensibilizar-se e a lamentar-se”.

Sem que se irritem com um motejo ou sejam desleixados, todos os enamorados são lamechas. E a gente se diverte com os dicionários.

 

Inhotim – Bernardo de Mello Paz, empresário que idealizou o Instituto Inhotim, vem de ser condenado a nove anos e três meses de prisão por lavagem de dinheiro em movimentações financeiras de empresas das quais foi sócio.

Cristiano de Mello Paz, seu irmão, havia sido condenado no processo do Mensalão a 23 anos, 8 meses e 20 dias de reclusão, pelos crimes de peculato, corrupção ativa e lavagem de dinheiro, cumpria pena em Nova Lima, MG, e foi autorizado pelo ministo Barroso, do STF, a passar para o rigime semiaberto.

A notícia da condenação de Bernardo bombou nas redes sociais. Claudia Cruz, uma de suas ex-mulheres (está na sétima), mãe de duas de suas filhas, entrou do Face dizendo maravilhas do ex-marido. Sujeito elogiado por ex-mulher deve ser boa gente. No Google “Trip / Arte / Páginas Negras” você pode ler entrevista interessantíssima de Bernardo Paz à jornalista Cristina Ramalho.

Nos muitos anos que passei em Belo Horizonte não o conheci, mas vi Cristiano Paz, seu irmão, de longe, num restaurante famoso. Teca Paz, mulher de Cristiano, era um encanto de moça: bonita, inteligente, simpática. Tão bonita, inteligente e simpática, que deixou sua mesa para assentar-se ao meu lado num sofá do restaurante e confessar: “Gosto muito das coisas que você escreve”. Ela insistiu: “Mas gosto muito”. Agradeci comovido. Pouco depois, a gata morena que estava comigo levantou-se para ir ao banheiro no andar de cima. Ao voltar, tropeçou na escada e se esborrachou no chão. Bebia muito, mas estava comigo porque era a única do grupo que não fumava nem cheirava, só bebia.

Todos os meus amigos falavam bem de Cristiano, que teria entrado no Mensalão como Pilatos no Credo. A história “completa” do Instituto Inhotim é muito recente para ser conhecida à luz da verdade, se é que existe a verdade na acepção da  filosofia: “correspondência, adequação ou harmonia passível de ser estabelecida, por meio de um discurso ou pensamento, entre a subjetividade cognitiva do intelecto humano e os fatos, eventos e seres da realidade objetiva”.

Por enquanto, acredito nos depoimentos dos amigos: Cristiano é ótimo sujeito e Teca Paz muito bonita, inteligente e simpática.

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