Televisão, Autorracismo e Redação

Televisão – A GloboNews presenteou os assinantes da tevê a cabo com um programa sobre drogas sintéticas. A começar pelos repórteres, ninguém entendeu absolutamente nada. Atento ao assunto, barulhento, confuso, como se todos estivessem drogados, o programa foi uma droga.

Rodrigo “Digong” Roa Duterte, 16º presidente das Filipinas, bem que se esforça para matar traficantes e drogados, mas o planeta está cheio de idiotas que adoram experimentar drogas.

Aí, você aprende no Google que o jeito mais comum de consumir ecstasy, também conhecido como “bala” em sua versão pura (MD), é engolindo a pílula, mas há gente que prefere cheirá-la em pó ou enfiá-la no ânus. Bala é a droga preferida dos baladeiros por aumentar a sensibilidade para luzes, sons e toques. Superaquecimento do corpo, taquicardia e desidratação, di-lo a internet, são os verdadeiros perigos.

Nesses casos, tomar muita água pode ser tão fatal quanto ficar sem. Uma garota norte-americana de 15 morreu em um festival depois de tomar MD e muita água. Ensina a mesmíssima internet que o corpo sofre intoxicação caso a água seja tomada muito rapidamente.

Razão teve Joaquim Soares da Cunha, baiano exemplar, no dia em que um comerciante lhe deu água no cálice da cachaça regulamentar. Joaquim lançou o berro que fez surgir seu apelido: Quincas Berro d’Água. E Jorge Amado (1913-2001) publicou seu livro antes da internet.

Quanto à metanfetamina, droga muito potente e altamente viciante, cujos efeitos se manifestam no sistema nervoso e periférico, acabo de aprender sua fórmula química e suponho que você, ilustrado leitor de blogues, esteja curioso de saber: C10H15N.

 

Autorracismo – Residente no Canadá, a capixaba que falou mal da filha dos atores Giovanna Ewbank e Bruno Gagliasso, adotada na República do Malawi, sofre de autorracismo: odeia sua própria raça. Nas fotos estampadas nos jornais, dá para ver que a capixaba têm os dois pés em África.

 

Redação – Não dá para entender a importância atribuída à redação nas provas do Enem. No jornalismo, por exemplo, redação e conhecimentos de português são hoje desnecessários. São malvistos os profissionais que têm noções de regência verbal, de colocação pronominal e outras bobagens adotadas pela língua culta.

Escrito, falado, televisado, o jornalismo atual exige a repetição de besteiras como indicar os pontos cardeais das cidades: zona oeste do Rio, zona sul de São Paulo, zona norte de Goiânia, zona leste do Recife. Que importância tem para o telespectador a notícia de que um fato ocorreu na zona sul do Rio? A Rocinha e o Leblon, respectivamente uma das maiores favelas do Brasil e o metro quadrado mais caro do Rio, ficam na zona sul.

São Paulo e Rio têm favelas imensas embutidas nos chamados bairros nobres. Falei favelas? Peço perdão: a moda é chamar de comunidades.

Entre outras acepções, comunidade é “população que vive num dado lugar ou região, geralmente ligada por interesses comuns”. Quais são os “interesses comuns” entre os traficantes e a população honesta da Rocinha, de Paraisópolis?

E as jornalistas da GloboNews que não se limitam ao “obrigada” quando recebem notícias, ao vivo e em cores, de outros jornalistas? Muitas dizem “obrigada pelas suas informações”. Fico furioso com o arremate “pelas suas informações”.

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