Notícia, Racismo fashion, Tempo e Comentário

Notícia – O Jornal Nacional, edição de 27 de novembro, foi econômico ao noticiar o noivado da atriz americana Meghan Markle com o príncipe Harry, neto da rainha Elizabeth II. Vai ver que o JN considera mais importantes as notícias dos namoros de Bonner com Natasha Dantas e de Fátima com o jovem Túlio Gadêlha.

Todos os noticiários dos outros canais destacaram o noivado de Harry, informando que a moça é três anos mais velha que ele, divorciada e filha de negra com branco. Psicoterapeuta e professora de ioga, mãe negra em Los Angeles, onde Megham nasceu, deve ser mulata claríssima, a julgar pelas feições e pela cor da pele da atriz. Barak Obama, mulato no mundo inteiro, nos Estados Unidos é “negro”.

Fosse negra retinta, Megham poderia despertar o interesse libidinal do príncipe com base no depoimento de um personagem do Eça: “Em a gente se acostumando, a preta é uma grande mulher”. Eça foi cônsul na Inglaterra e deve ter sido largamente traduzido para o idioma dos Pitts e dos Chaucers.

Incompreensível, no campo da atração sexual, é o interesse de Charles, pai de Harry, pela bagulhal Camilla, duquesa da Cornualha. Tem bagulhal no Google, pouco mais de 120 entradas, mas tem.

Camilla, Duchess of Cornwall, GCVOCSMPC (née Camilla Rosemary Shand, previously Parker Bowles; born 17 July 1947), is the second wife of Charles, Prince of Wales.

 

Racismo fashion – Camisa curta, sem fralda, gola ou abertura frontal, com ou sem mangas curtas, geralmente feita de tecido de malha, usada diretamente sobre a pele, como traje informal, e às vezes sob uma camisa ou blusa – a camiseta é muito usada pelos cavalheiros sérios em várias regiões do planeta.

Implico solenemente com as camisetas de cores escuras, pelo seguinte: vestimenta em contacto com a pele deve ser limpíssima, imaculadamente branca. No país dos meus sonhos, cavalheiros de camisetas escuras sob camisas sociais ou esportivas, seriam espancados como muçulmanos rohingya pelos budistas de Myanmar.

Camisetas e camisas negras, no mesmo país sonhado por mim, seriam proibidas por leis que cominassem penas severas aos utentes. Não pelo precedente italiano “camicie nere”, mas por questões higiênicas. Na Itália, a Milícia Voluntária para a Segurança Nacional foi um grupo paramilitar fascista, que se transformou em organização militar. No Brasil atual, defensores das camisetas negras dizem que elas “emagrecem”, quando há maneiras mais saudáveis e inteligentes de emagrecer.

Por derradeiro, convenhamos em que o último parágrafo deste belo suelto ficou da melhor supimpitude: “leis que cominassem penas severas aos utentes”. O adjetivo utente, em lugar do abjeto usuário, e o verbo cominar, são raríssimos no português que circula por aí.

 

Tempo – Segunda-feira à noite, 27 de novembro, a loura meteorologista do Jornal da Band, baseada em fotos de satélites, anunciou temporais tremendos numa faixa que incluía Juiz de Fora, chuvarada confirmada logo depois pela meteorologista do Jornal Nacional, bela mulher negra. Na manhã de terça-feira, dia dos temporais previstos, a simpática e bonita morena meteorologista da Globo confirmou a previsão das colegas e disse que ninguém, aqui em JF, deveria sair de casa “sem sombrinha ou guarda-chuva”.

Como resultado da chuvarada prevista, tivemos uma terça-feira de sol o dia inteirinho. Donde se conclui que, em vez de prever chuvas que não chovem, as meteorologistas das nossas tevês melhor fariam se limitassem o seu trabalho a noticiar o tempo “real”: no Rio 30 graus, sol, em Cuiabá, 32 graus, muita chuva, em Fortaleza, 33 graus, tempo seco.

 

Comentário – Admirável comentário do doutor Chico Pinheiro, ontem, com aqueles anéis escuros que enfeitam suas mãos, depois que um correspondente falou da missa rezada pelo papa em Myanmar e da viagem para Bangladesh: “Taí… É o papa fazendo o seu trabalho”.

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