Linha verde, Polícia Federal, Coincidências e Esboroamento

Linha verde – Ruy Castro, mineiro genial, se recusa a escrever pela ortografia inventada na última reforma. Escreve do jeito que deve ser escrito e deixa as mudanças por conta dos revisores do jornal.

Aqui em casa, sem o talento e a coragem do Ruy, tento escrever pela última reforma e conto com o auxílio de um corretor ortográfico meio maluco, que ora funciona, ora aceita as piores erronias.

De uns tempos a esta parte, o referido corretor começou a sublinhar com uma linha verde algumas palavras e frases. Clicado com o botão direito do mouse, o corretor avisa que errei ou sugere modificações. Quando escrevi sobre a cidade de Três Rios, dizendo “Três Rios é quente”, a linha verde corrigiu: “Três Rios são”.

A partir daí, dá para imaginar o tanto que pode ser feito no mais difícil dos capítulos da sintaxe da nossa língua – a regência. Com a milagrosa informática, é possível embutir no corretor, inteirinhos, os dicionários de Verbos e Regimes, e o de Regimes de Substantivos e Adjetivos, do imenso Francisco Fernandes.

 

Polícia Federal – Tem faltado na mídia um comentário, unzinho só, de natureza estética, sobre fenômeno que vemos todos os dias na tevê: mais que bonitas, muitas agentes da Polícia Federal são lindas. Acordadas e uniformizadas desde as quatro da matina, cabelos soltos ou presos, enfeitam as operações da PF. Claro que a maioria é normal, algumas acima do peso, bundudas, revólveres nas cinturas avantajadas, mas as bonitíssimas impressionam pela qualidade.

 

Coincidências – Semana passada, um amigo promotor de Justiça mandou-me nova remessa do famoso pé de moleque de Piranguinho, MG, a capital nacional do pé de moleque. Dia seguinte, no programa da CBN sobre culinária, o chef Rusty Marcellini, falando sobre terroir, palavra francesa sem tradução noutros idiomas, citou o pé de moleque de Piranguinho. Le Petit Robert informa no verbete terroir (1246; tieroer, 1198; lat. pop. terratorium, altér. gallo-rom. de territorium).

Achei a coincidência muito grande, mas não chega aos pés daquela de ontem com a funcionária doméstica que me assiste. A excelente patrícia tem dois prenomes não muito comuns e dois sobrenomes. Pois muito bem: foi fazer, aqui perto, um exame de ressonância magnética e o funcionário da clínica informou: “A senhora já foi examinada hoje”.

Conversa vai, conversa vem, constataram que a outra paciente, de nome igual, realmente fez o mesmo exame uma hora antes. A única diferença é que minha funcionária tem o “da” entre os prenomes e os sobrenomes. A médica responsável quase teve um treco e descobriu que as duas pacientes têm a mesma idade, com a diferença de meses.

 

Esboroamento – É mais que evidente o esboroo de um grande grupo brasileiro de comunicação. Fico triste porque trabalhei lá, demiti-me para morar na roça e mereci de três diretores, dois deles coproprietários, reunião de uma hora pedindo que não deixasse a empresa que “precisava do meu humour”.

Impérios muito maiores, imensamente ricos e poderosos, esboroaram. Processo que pode levar meses, anos, dezenas de anos, mas parece inevitável. Estertorantes, cometem canalhices que tisnam suas histórias: “O caso mais doloroso foi a saída de William Waack de seu posto de trabalho” escreveu Fernando Gabeira domingo, 3 de dezembro, na página 2 do segundo caderno do Globo. Vale notar que Gabeira trabalha na tevê e no jornal do grupo que esboroa, mas o juiz-forano sempre foi corajoso, intrepidez que transmitiu à filha surfista de ondas altas.

E acrescentou sobre Waack: “Sempre o achei um excepcional jornalista. E nós precisamos dele no Brasil, com sua experiência e conhecimento do mundo”.

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