Linha de pobreza, Provérbio e Lição

Linha de pobreza – Todo santo dia a mídia nos fala das pessoas que vivem abaixo da linha de pobreza. No mundo, passam de um bilião; 22% dos brasileiros vivem abaixo da tal linha, que varia conforme a realidade de cada país. Vai de US$ 3,20 nos países de renda média baixa a US$ 5,50 por dia nos países de renda média alta, entre os quais o Brasil.

São 18 reais por dia, R$ 540,00 por mês. Um salário mínimo, dos novos, não permite que duas pessoas vivam acima da linha de US$ 5,50 por dia. Que dizer, então, de uma família?

 

De cotio – É de cotio, a cote, cotidianamente: “pequenos reparos” cortam a luz na avenida principal de Juiz de Fora. Além da bagunça nos computadores, há gente debaixo dos chuveiros elétricos, nos elevadores, clínicas, hospitais, Santa Casa e outros locais onde a falta de luz por cinco minutos pode causar estragos tremendos. O “pequeno reparo” de 29 de novembro durou uma hora.

Já morei sem luz com filhas pequenas, mas tinha geladeira e freezer a gás, lampiões, fogão de lenha, água aquecida na serpentina do fogão fervendo na caixa do telhado, radinhos de pilhas, velas, lanternas e pequena tevê ligada na bateria do automóvel. Dava para viver apesar do frio terrível mil duzentos e sessenta metros acima do nível do mar. Meses depois, miniusina hidrelétrica quebrou o galho.

Recente na história da humanidade, a eletricidade doméstica tornou-se indispensável. Ainda em 1906 – “outro dia” em termos históricos – anúncios nos jornais paulistanos diziam das vantagens de ter luz em casa. E as lâmpadas eram dadas pela empresa anunciante, que as trocava de graça quando queimavam.

Viver nas cidades em 2017, sem luz elétrica, deve ser difícil, como atestam os gatos que levam energia aos barracos das favelas, perdão, “comunidades”. Mais que isso: há notícias de bairros inteiros de boas casas, padrão classe média e classe média alta, abastecidos por gatos. Alfim e ao cabo, como dizia o craque Gerson, brasileiro gosta de levar vantagem em tudo.

 

Provérbio – O Google tem 235.000 entradas para “quem ama o feio, bonito lhe parece”. Se o feio é riquíssimo, o provérbio fica assim: “quem ama o feio, muito bonito lhe parece”. Caprichando, posso recorrer ao advérbio de uso formal: “quem ama o feio, assaz bonito lhe parece”.

Deve ser o sentimento da jovem senhora Hortência Silva Oliveira, de 29 anos, grávida de 7 meses do deputado estadual Jorge Sayed Picciani, de 62, que seria feio se não fosse horrível.

Bombaram nas redes sociais as fotos do casal, a jovem senhora com aquele barrigão de 7 meses, o marido com aquela papada que exubera, exabunda, sobreabunda, superabunda.

No dia em que escrevo, Picciani está preso. Logo, logo estará solto a navegar nos mares corrompidos deste país grande e bobo (gilmares?), ontem tem filho ministro de Estado, filho deputado estadual, filho zootecnista também preso e filho no ventre de Hortência.

 

Lição – “Devo advertir o ilustre amigo que os pés de moleque de Piranguinho são muitos, mas os melhores, incontestavelmente, são os da Barraca Vermelha, que já transportei para Portugal, em grandes quantidades, pelo menos duas vezes, e minha irmã de Barcelos outras duas, quando cá esteve. Por que escrevo no plural? Porque são vários: o de amendoim inteiro, o de amendoim moído, o pé de moça, que leva leite condensado etc. Efusivos cumprimentos. Grande abraço e boa semana”.

Foi a lição que recebi de um amigo, quando escrevi sobre “coincidências” citando o pé de moleque sul-mineiro.

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