Imprensa, Fogos, Mansão, Empreiteiras, Generoso, Maluf e Natal

Imprensa – A invenção da imprensa tem sido associada a um cavalheiro nascido por volta de 1398 na Mogúncia, Alemanha, chamado Johannes Gensfleisch zur Laden zum Gutenberg.

Portanto, a preocupação com a liberdade de imprensa deve ser posterior ao nascimento do inventor, gravador e gráfico do Sacro Império Romano-Germânico. Liberdade que sempre foi e continua sendo relativa.

No Brasil, jornalistas e outras pessoas que se expressam através dos meios de comunicação, quando não têm a liberdade relativa sob autocensura, podem viver períodos de censura oficial.

As empresas de comunicação têm donos que têm interesses e nem sempre são cavalheiros e damas bem-intencionados. Propendem para o banditismo.  Portanto, quando contratado por uma dessas empresas, você deve perguntar ao contratante sobre os assuntos e personagens naturalmente vedados.

Escrevi muitos anos, diariamente, num jornal que pertencia ao ex-governador Newton Cardoso, mais tarde adquirido pelo bispo Macedo, dono da Igreja Universal do Reino de Deus, a IURD.

Sempre tive relações cordiais com Newton Cardoso e seus irmãos. O ex-governador vivia dizendo: “O Eduardo foi a melhor contratação do Hoje em Dia”. Não conheço pessoalmente o piedoso bispo Macedo, mas fui obrigado a conhecer os bispos incumbidos de dirigir o jornal, pilantras do mais alto-coturno, que ajudam o piedoso Macedo na condução daquela arapuca que tem filiais em diversos países, inúmeros deputados no Congresso e vários administradores como o bispo Crivella, prefeito da cidade do Rio de Janeiro. Naquela emergência profissional, por motivos óbvios nunca dei um pio sobre a IURD e as outras arapucas ligadas por laços familiares ao bispo Macedo, como as igrejas do santo pastor R. R. Soares e do santo apóstolo Valdemiro Santiago.

Contratado pelo Estado de Minas procurei saber, na entrevista inicial, quais seriam os assuntos vedados ao cronista diário, que respeitei durante 10 anos. Recentemente, um dos “assuntos” foi preso e já está solto porque tem foro privilegiado.

Donde se conclui que, neste país grande e bobo, para escrever com liberdade total o sujeito precisa ter dinheiro para montar seu jornal e pode acabar na cadeia se não tiver foro privilegiado.    

 

Fogos – Entre os incêndios da Califórnia, de Portugal, da Espanha, os 273 mil focos brasileiros anotados em 2017 e as fogueiras evangélicas de Juiz de Fora, cidade-polo da Zona da Mata de Minas, há uma diferença: os incêndios empobrecem regiões inteiras, tiram vidas, custam bilhões de dólares, euros e reais, enquanto as fogueiras evangélicas enriquecem os donos dos templos, tanto assim que são denominadas Fogueiras Santas.

 

Mansão? – Vista de cima, a casa paulistana que Marcelo Bahia Odebrecht voltou a ocupar dia 19 de dezembro é uma titica. Terreno estreito, esquisito, piscina em forma de lambisgoia, construção elástica de área que varia, conforme a fonte, de mil a três mil metros quadrados, não está à altura do ladrão teuto-baiano que voltou a hospedar.

Se fica perto do Palácio dos Bandeirantes, como enfatiza o noticiário, é sinal de que também é vizinha da favela de Paraisópolis. Pelo tanto que roubou, Marcelo Bahia Odebrecht, “o Príncipe das Empreiteiras”,  merecia coisa melhor.

 

Empreiteiras – Já que o assunto veio à balha, não custa recordar que aqui e alhures, como também acolá, nunca se fez nada que não fosse empreitado. O verbo empreitar, transitivo direto, em nosso idioma desde de 1696, significa “contratar ou executar por empreitada”. Muito antes de 1696, cristãos-novos empreitavam com a Coroa a extração e o transporte para a Europa das toras de orabutã, Caesalpinia echinata Lam., pau-de-tinta ou pau-brasil.

Dom Manuel I empreitou com o mercador Fernando de Loronha a exploração do pau-brasil, mediante contrato de três anos. Cristão-novo, talvez espanhol, Loronha, corruptela de La Coruña, aportuguesado em Noronha, recebeu em 1498 carta de privilégio de cidadão de Lisboa e em 1501 já tinha navios para a Índia. Seu nome virou arquipélago no Oceano Atlântico; lugar muito bonito, por sinal.

 

Generoso – O espírito natalino congemina com as boas notícias, como a de um jantar em São Paulo, restaurante do mais alto luxo, seis comensais, conta paga por um cavalheiro que você conhece. É ministro do Supremo. Valor da conta: R$ 44.600,00 (quarenta e quatro mil e seiscentos reais). Forma de pagamento: cash.  

 

Maluf – Um fuzilamento sumário à Duterte, à PCC, seria muito mais humano que a prisão de um gatuno de 86 anos gravemente enfermo.

 

Natal – Enquanto ao mais, Boas Festas e Feliz 2018. Terça-feira, 26 de dezembro, a gente se encontra por aqui.

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