Ei e Coerência

Ei – Regionalismo brasileiro, a interjeição ei funciona como chamamento ou expressa um cumprimento. Aurélio e Houaiss dizem que o uso para cumprimentar só existe em Minas Gerais, ao arrepio da letra de uma das 10 melhores marchinhas de todos os tempos, “Me dá um dinheiro aí”, cuja letra começa: “Ei, você aí, me dá um dinheiro aí”.

Recorri à interjeição pelo fato de ser escrita com as duas letras que diferenciam eminente de iminente. Eminente, adjetivo de dois gêneros, significa “muito acima do que o que está em volta; elevado, proeminente; excelente, superior”.

Iminente, também adjetivo de dois gêneros, significa “que ameaça se concretizar, que está a ponto de acontecer; próximo, imediato”.

Já passei da fase de me preocupar com o português que leio nos jornais, mas se o texto é assinado por um professor de Direito da FVG só posso atribuir a escorregadela à digitação, que nos prega peças de cotio, a cote, cotidianamente.

Tratando das bitcoins, o ilustrado professor caprichou: “Por todos os lados, fala-se de um eminente estouro da bolha, que poderia jogar por terra a moeda junto com sua credibilidade”.

Parece-me que o estouro da bolha bitcoin será alto, portanto eminente, mas se fala do fato de estar a ponto de acontecer, é iminente, próximo, imediato.

Receio que o mestre eminente da FGV tenha comido mosca, que não chega a ser entranho nestes dias em que se fala da ingesta de insetos como solução para alimentar a humanidade.

A prática de comer insetos é conhecida como entomofagia. Entomófago é “que ou quem se alimenta de insetos”. A esmagadora maioria das pessoas adora comer animais como lagostas, peixes, camarões, galinhas, vacas e outros bichos, mas os insetos também são iguarias para muitas sociedades.

O site Fox News fez uma seleção de insetos comestíveis e destacou que nos EUA há festivais anuais em diversos estados que promovem a entomofagia. Hal Daniel, professor de biologia expert em insetos, hoje aposentado, classifica a entomofagia como “alimentação verde do futuro”.

Consumida na Malásia, na Nigéria e em Papua Nova Guiné, a larva de palmeira crua tem gosto de coco e, frita, lembra o bacon.

Na Austrália, a formiga de mel tem barriga do tamanho de uvas cheias de um néctar açucarado muito apreciado pelos aborígenes. Na Colômbia tosta-se o traseiro de formigas cortadeiras, que têm o sabor de pipoca ou amendoim. Os tailandeses adoram formigas vermelhas e suas larvas, de sabor adocicado meio ácido.

Rica em vitamina B, a maria-fedida é devorada por mexicanos e sul-africanos. Têm o sabor de mistura de canela com iodo, muito apreciado como recheio dos tacos no México.

A tarântula, no Brasil caranguejeira, é uma iguaria para cambojanos e venezuelanos, onde a aranha é frita em óleo com sal, açúcar, alho e pimenta. As patas são crocantes e a barriga é grudenta. Sabor que lembra a mistura de caranguejo com nozes. E o negócio vai por aí, mas fico por aqui sem falar das deliciosas baratas.

 

Coerência – No indulto de Natal, que soou como insulto de Natal, Michel Miguel Elias Temer Lulia foi coerente. Quase todos os seus assessores diretos, amigos e companheiros de longa data, estão presos ou a caminho da cadeia. Nada mais justo que indultar sua turma.

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