Automedonte, Madame Figaro e Ecleidira

Automedonte – Aposto que você não conhece o substantivo masculino automedonte, em nosso idioma desde 1871, “indivíduo que dirige carro com perícia”, do grego automédon,ontos, “cocheiro do carro de Aquiles”.

Redescobri o substantivo num texto meu, que nem sei onde foi publicado há muitos anos, relacionado com o espanhol “todavía”, de “toda y vía”, que tem um porrilhão de significados no idioma de Cervantes.

Durante mais de meio século fui automedonte. Nos primeiros tempos não havia cinto de segurança, hoje obrigatório. Millôr Fernandes tem sido acusado de condenar o cinto de segurança, mas há situações que recomendam sua retirada.

Durante anos tive fazendola às margens de imensa represa hidrelétrica, 16 quilômetros de estrada horrível beirando o lago. Na temporada de chuvas os carros atolavam no leito da estrada, como também podiam atolar ao pé do barranco ou mergulhar nas águas lindantes.

Se lindeiro é limítrofe, contíguo, achei que lindeira seria contígua, vizinha, mas significa “ornato na ombreira da porta, verga superior da porta ou janela etc.”. Daí o adjetivo de dois gêneros lindante, que pintou no pedaço.

Sempre que tomei aquela “estrada” recomendei aos passageiros do Opalão que soltassem os cintos. Automedonte também no barro, atolei poucas vezes, sempre no meio do lamaçal ou no canto do barranco, mas nunca se sabe. Não muito longe da fazendola, estrada de asfalto, quatro rapazes morreram quando seu carro derrapou e caiu com as rodas para cima numa poça que não tinha um metro de fundura. Mortes atribuídas aos cintos de segurança.

 

Madame Figaro – L’univers féminin du Figaro: toutes les tendances, mode, beauté, people, bijoux, déco, deisgn, recettes, mariage, enfants, cuisine…

Como deu para perceber, é a revista do jornal  Le Figaro, publicado em Paris, propriedade do Grupo Dassault. É também o apelido de um(a) jornalista brasileiro(a), expoente do orgulho gay, que tem dois e-mails: o do jornal em que trabalha e o particular, através do qual você pode enviar as notas de poucas palavras que deseja ver publicadas, mediante pagamento de R$ 3.500,00, pouco mais de mil dólares, sem direito a recibo.

No universo das notas plantadas contra pagamento, convenhamos em que o preço é razoável. Longa vida a Madame Figaro, que precisa sustentar seus garotos de programa.

 

Ecleidira – Descendente de portugueses, índios e negros, Ecleidira Maria Fonseca Paes nasceu em junho de 1969 na cidade de Abaetetuba, PA.

Tupinólogos esclarecem que Abaetetuba significa “ajuntamento de homens verdadeiros”, de abá (homem), eté (verdadeiro) e tuba (oriundo de tyba “ajuntamento”). A abaetubense Ecleidira, atriz e apresentadora, é conhecida como Dira Paes e deitou falação através do programa Estúdio i, dia 29 de dezembro, em defesa dos índios que estariam sendo massacrados e seriam essenciais na preservação do meio ambiente.

Realmente, sem tratores de esteiras e motosserras, sem machados e facões, os primeiros índios que alcançaram este país grande e bobo não tinham condições de causar grande estrago ambiental.

Paleantropólogos, arqueólogos e outros ólogos divergem quanto ao número de anos que os silvícolas zanzam por aí, ora falando em 11 mil anos via Estreito de Bering, ora falando em 100 mil anos via Oceano Atlântico diretamente da África recorrendo à canoagem, como também através do Pacífico numa espécie de jangada.

Ficou faltando uma hipótese, que avento: a transferência da África para a América em óvnis que tenham pousado por aí há milhares de anos. Depois dos vídeos recentemente divulgados pela BBC de jatos americanos voando ao lado de um óvni, com os pilotos filmando e comentando, ficou difícil deixar de acreditar em discos-voadores.

Aliás, com o nascimento de Pabllo Vittar no Maranhão, registrado como Phabullo Rodrigues da Silva, a ciência constatou que tudo na vida é possível.

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