MagisCultura, Amigos e Algoritmo

MagisCultura – Editada pela Amagis, Associação de Magistrados Mineiros, a revista MagisCultura Mineira, de setembro de 2017, deu-me bons momentos de leitura com os textos de Gutemberg da Mota e Silva, desembargador do TJMG aposentado, e de Rogério Medeiros Garcia de Lima, desembargador do TJMG, meu bom amigo.

O TJMG tem gente de primeiríssima qualidade não só entre os desembargadores como também no seu corpo funcional. Nada tem de parecido com o TJRJ, que frequentei muitos anos atrás e tinha duas alas: a boa e a barra-pesada. Bota pesada nisso, bandidos togados de variada natureza, um dos quais expulsei da fazenda trirriense, aos berros, quando lá esteve de motorista e carro oficial para me propor negócio indecoroso. Um de seus filhos é figurinha fácil nas colunas sociais do Rio.

João Pinheiro Neto, no livro “Pedro e Domitila: Amor em tempo de paixão”, caprichou: “Certo estava o arguto Chalaça, senhor de agudo filosofar, quando retirava de suas lembranças o oportuno dito: “Uma boceta bem administrada vale mais do que uma paróquia”. Frase repetida pelo cônego Olímpio de Melo (1886-1977), prefeito do Rio de Janeiro de abril de 1936 a julho de 1937,  que almoçava na velha sede do Jockey Club e fazia o quilo na imensa calçada da Avenida Almirante Barroso, as mãos enfiadas na faixa da batina cinzenta, cercado de sujeitos encantados com o seu filosofar.

Quando viu descer de imenso carro um advogado ligado ao desembargador que expulsei da fazenda, depois que o motorista enluvado rodeou o carro e abriu a porta para o patrão, o cônego Olimpio de Melo recorreu à frase da boceta bem administrada, pois a mulher do advogado dava para o presidente do Banco do Brasil.

Na revista da Amagis, Gutemberg produziu delicioso texto sobre Eça de Queiroz, enquanto Rogério nos deu o não menos delicioso “Borges, o mago portenho amante dos livros”. Rogério Medeiros Garcia de Lima conheceu a Argentina em 2004 e se apaixonou por Buenos Aires, recomendando: “Esqueçam as rixas do futebol e aprendam o caminho de Buenos Aires. É o caminho dos sonhos”. A partir daí, temos a história de Jorge Luís Borges, sua obra e seu amor pelos livros.

O pai de Borges, Jorge Guillermo Borges, era escritor, e do tipo mais perigoso: um escritor fracassado. Vesti a carapuça.

No trabalho de Mota e Silva aprendi que o pai do Eça nasceu no Brasil e o avô, exilado, foi desembargador no Rio, novidade absoluta para um sujeito metido a eciano, como este que vai parando por aqui.

 

Amigos – Tive e tenho amigos originais, no sentido de indivíduos cujas inteligências e procedimentos têm características próprias, que diferem das pessoas comuns.

É normal que um mineiro passe o Natal com o filho residente no estado de Oregon, costa oeste dos Estados Unidos, vizinho da Califórnia, mas é espantoso o fato de o mesmo mineiro, voltando a Belo Horizonte depois do Natal, enviar duas caixas de excelentes charutos dominicanos, comprados no Oregon, ao amigo residente em Juiz de Fora, cidade-polo da Zona da Mata de Minas.

Em três dias, o régio presente viajou da costa oeste dos EUA ao Vale do Paraibuna, deixando o destinatário boquiaberto e agradecido.

Como boquiaberto ficou o mesmíssimo cidadão ao receber mensagem natalina de um amigo mineiro hoje residente em Uppsala. No Google, todo brasileiro que não é doutor em Geografia descobre que Uppsala fica na Suécia. Aprende ainda que Uppsala, cidade com 190 mil habitantes, tem uma universidade, Uppsala Universitet em sueco, fundada em 1477, 23 anos antes do descobrimento do Brasil.

Quinze professores ou cidadãos relacionados com a Universitet receberam o Prêmio Nobel.  Instituição que teve como professor de Medicina e Botânica, a partir de 1741, ninguém menos que Carl Nilsson Linnaeus, o pai da taxonomia moderna. Dos seus 6.000 funcionários, 3.000 são professores e o mineiro meu amigo é duas vezes pós-doutor.

A biblioteca da Universitet tem mais de 5 milhões de volumes em 131.293 metros lineares de prateleiras. Fica o registro enquanto lá vou degustando o primeiro dos dominicanos comprados em Oregon por outro mineiro pós-doutor.

 

Algoritmo – Sequência finita de regras, raciocínios ou operações que, aplicada a um número finito de dados, permite solucionar classes semelhantes de problemas, algoritmo é um negócio que já passei da idade de entender.

Suponho que programas sobre feminismo, como aquele que tentei assistir na GloboNews reunindo três senhoras incomíveis, sejam algorítmicos. Televisão é veículo compromissado com a estética. Mulheres muito feias não devem sair da área em que ficam o tanque e o ferro de engomar.

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