Empoderamento, Muro, A Constituição

Empoderamento – A Arábia Saudita está liquidada: quem foi que disse que mulher precisa dirigir automóvel? E a conversa de mulheres autorizadas a entrar nos estádios de futebol? Para fazer o quê? Assistir aos jogos? Futebol e mulher são incompatíveis, a começar pelo ridículo futebol feminino.

Com o tal empoderamento da mulher a Arábia Saudita não dura seis meses. Burca e xador tudo bem: deveriam ser obrigatórias também no Brasil durante o carnaval. Povinho feio, sô! Brancos, pretos, mulatos de todas as tonalidades, homens e mulheres, salvam-se poucos.

 

Muro – Com mais de 15 metros de altura, o muro da casa de Eike Batista, no Rio, impede que os passantes vejam a qualidade e o tamanho da mansão filmada pelos helicópteros das emissoras de tevê.

Residência muito confortável e compatível com o cavalheiro que pretendeu alcançar o posto de homem mais rico do mundo, quando andaria pelo oitavo lugar. Os critérios da Forbes são discutíveis, mas a turma que aparece nos primeiros lugares do ranking tem dinheiro para comprar “o pão e uma pouca de manteiga para lhe barrar por cima”. Frase de um personagem do Eça, mas o incrível Google apresenta quatro resultados tirados de textos meus.

Forbes, Eike, bilionários, tudo pode ser explicado, menos a genialidade do Google. Ainda hoje, sem conseguir encontrar nas estantes um livro sobre o exterior dos animais domésticos, recorri ao Google para descrever as pernas de uma vaca.

Sim, as pernas de uma vaca para saber o nome daquele trecho que nos humanos aceita tornozeleiras eletrônicas. Na pecuária leiteira moderna as vacas usam sensores eletrônicos numa perna e coleira eletrônica holandesa, invenção recentíssima, nos respectivos pescoços. Através dos sinais que recebem no escritório da fazenda os técnicos sabem se a vaca está comendo, está descansando, sabem até se está entrando no cio para providenciar inseminação artificial na hora certa. Veterinários e técnicos em informática de plantão 24 horas por dia, sem exclusão dos domingos e feriados. E você tem a coragem de achar caro o leite vendido no supermercado.

 

A Constituição… – Por qualquer motivo e até sem motivo algum, um sem conto de patrícios evoca nossa Constituição como se fosse o conjunto das leis fundamentais escritas por Deus, quando é o produto, versão 1988, de um parlamento que todos conhecemos. Carta Magna sujeita a interpretações, fatiamentos e trambiques, como vimos no impeachment da Búlgara, que continua solta e fagueira. Adjetivo fagueiro só no sentido figurado “muito alegre, satisfeito, contente”, que na acepção “meigo, carinhoso, suave” a Búlgara jamais se enquadrou.

Tive como professor de Direito Constitucional um dos mais famosos constitucionalistas brasileiros, que só nos ensinou cinco dos 60 capítulos previstos. Jamais faltou a uma aula matinal, mas passava o tempo todo rodando um anel no dedo mindinho direito e falando de sua família sem remontar ao padre católico que iniciou o afamanado clã.

Nos moldes em que tem procurado funcionar, o Supremo Tribunal Federal é inviável. Por maior e melhor que seja a equipe de um ministro, ele não tem condições de julgar milhares de processos. Teori Zavascki, só ele, deixou 7.500 processos, enquanto a Suprema Corte dos Estados Unidos, toda ela, julga 200 por ano.

E tem mais uma coisa: para chegar ao Supremo o ministro é sabatinado pelo Senado Federal. Dá para acreditar numa sabatina do Senado de Collor, Renan, Lindenberg, Vanessa, Gleisi, Randolphe e do ascoroso petista Humberto Costa, que deveria ser impedido de abrir a boca?

Pelo noticiário de anteontem, dois ministros do Supremo, nascidos para vedetes do teatro rebolado, estão às turras. Se um deles cuspir dez por cento do que sabe do outro, ninguém perde por esperar o que vem por aí.