Chuvarada e Pesquisas

Chuvarada – Os temporais numa parte do estado de Tocantins alagaram pequena aldeia indígena e permitiram que o planeta tomasse conhecimento das queixas de um silvícola apresentado como vice-cacique.

Homessa! Quer dizer que os índios tocantinenses têm vice-caciques? De repente, têm ministérios, impeachment, constituição, tribunais superiores.

O ilustrado vice-cacique se queixou do país, que não faz nada por sua aldeia, nem mesmo impedir que seja inundada pelos temporais. Quando visitei uma aldeia xavante, ali por volta de 1970, fui apresentado ao conselho de anciães reunidos em semicírculo para cumprimentar-me. Apertos de mãos e grunhidos em xavante escorreito, língua do ramo aquém, ramo da família linguística jê.

Até que um dos últimos do semicírculo me cumprimentou: “Muito prazer. Como tem passado o senhor?”. Fiquei pasmo até ser informado de que o xavante estivera três vezes em Londres levado por antropólogos. Falava inglês, o marreco.

 

Pesquisas – Sempre que ouço falar de pesquisas me lembro do caso que ouvi do Dr. Aloysio, médico de senhoras, que trabalhava no Hospital Miguel Couto.

Naquele tempo, o Miguel Couto era vizinho de uma das maiores favelas do Rio, a Praia do Pinto, em tudo e por tudo diferente das favelas atuais. Barracos paupérrimos, não havia o ódio e a violência que se vê hoje em dia. Perdi a conta das vezes que atravessei a Praia do Pinto montando cavalo da Hípica. A reação dos favelados era de admiração pelo tamanho dos cavalos. Meu saudoso Bisturi tinha 1,84m na cernelha. Hoje, o ginete é sequestrado e o cavalo vira churrasco.

Pois foi naqueles idos que a Prefeitura resolveu fazer uma pesquisa para conhecer a clientela do Miguel Couto. Formulário de várias folhas que os médicos precisavam preencher.

Primeira paciente do dia, uma favelada gorda, usando brincos e turbante, metida num vestido estampado. Nome, naturalidade, idade, filhos etc. e o Dr. Aloysio preenchendo a primeira folha. Em seguida, a pergunta: “Com que idade sua mãe teve a menarca?”.

“O quê?”, perguntou a boa senhora e o médico explicou: “Com que idade sua mãe teve a primeira menstruação?”. “O quê?” assustou-se de novo. E o médico: “Com que idade sua mãe ficou de chico?”.

“Sei não… E a sua?” quis saber a paciente. O Dr. Aloysio jogou fora a pilha de papéis, todos os médicos se recusaram a preencher os formulários e até hoje a Prefeitura do Rio não sabe a idade do primeiro chico da mãe de ninguém.