Perseguição

Perseguição – Em Goiás, polícia alcoranista, islamita, mafamética, mafomista, maometa, maomética, moslém, mosleme, moslêmica, moslemita, moslim, muçulmana ou muslim resolveu perseguir o catolicismo romano e conseguiu engaiolar o bispo da diocese de Formosa, dom José Ronaldo Ribeiro, e mais 12 pessoas, entre as quais cinco padres, na Operação Caifás, nome do sacerdote que entregou Jesus a Pôncio Pilatos.

O bispo, os cinco padres e os demais envolvidos são acusados de tungar parte dos R$ 17 milhões arrecadados anualmente pelas 33 igrejas daquela diocese, adquirindo com o produto da tunga uma fazenda, uma casa lotérica e bugigangas como três ou quatro relógios de pulso que, pelas fotos estampadas nos jornais, não valem dez réis de mel-coado.

Parece-me – e o atilado leitor de blogues dirá se tenho razão – que o bispo, os cinco padres e os outros presos cometeram crimes impossíveis, que são aqueles em que há impropriedade do meio e impossibilidade do fim. Exemplos: envenenar sem veneno, tirar a vida de um cadáver.

Por quê? Ora, porque surripiaram dinheiro seu, isto é, dinheiro do caixa de sua diocese. Não afanaram bens dos bispos Macedo e Malafaia, ou do apóstolo Valdemiro Santiago: desviaram dinheiro do caixa de sua diocese, portanto dinheiro deles, bispo José Ronaldo e sua turminha.

Burrice não é crime, portanto o reverendíssimo bispo de Formosa não poderia ter sido preso por comprar fazenda pensando que propriedade rural dá lucro. Casa lotérica deve render uns cobres, mas uma só casa lotérica não é suficiente para sustentar o bispo, cinco padres e seus assessores.

Nestes dias em que se discute a existência do inferno e o inverno do Hemisfério Norte entrou pela primavera, a polícia de Goiás deveria ser dispensada de procurar chifres em cabeça de cavalo.

Por derradeiro, a insignificância: o bispo e sua gangue teriam bispado pouco mais que dois milhões de reais. É um bispar mixuruca. Um Tribunal de Contas como o do Rio de Janeiro, supostamente estruturado para fiscalizar, bispa 40 milhões de reais ou mais. Como não sou moslim, voto pela recondução do bispo José Ronaldo à diocese de Formosa, GO.