Televisão

Televisão – Tive televisor no Rio antes das primeiras imagens transmitidas pela TV-Tupi. Televisor P&B de 14 polegadas. A vizinhança costumava aparecer para conhecer o aparelho importado dos EUA. Ligado na tomada, a tela chuviscava pontinhos brancos, pretos, cinzentos.

Meses mais tarde a TV-Tupi passou a gerar uma imagem em P&B, fixa, exibindo a figura de um índio, para que os técnicos pudessem regular as antenas particulares geralmente no alto dos edifícios.

E o negócio veio vindo por aí, P&B, cores, HD, TV-aberta, TV-paga, analógica, digital etc. e tal. A onda atual atende pelo nome de “interação”, que na rubrica sociologia é: “conjunto das ações entre os membros de um grupo ou entre grupos de uma comunidade”.

Trocada em miúdos, nossa interação televisiva consiste no seguinte: um idiota envia uma foto ou um recado e o canal de tevê transmite a idiotice. Ou, então, a rede televisiva inventa uma forma de receber (para retransmitir) milhares de vídeos e frases como o Grupo Globo na série “Brasil que eu quero”. Um dos cavalheiros que interagiu se chama Orinelson Gonçalves. Nome lindo! No candomblé, ori é a cabeça, a mente, a inteligência; a alma orgânica. Em espanhol, orinar é “expulsar la orina por la uretra”.

Quanto aos estertores do jornal impresso, só rindo para não chorar. Tem um Transegundo Homocaderno para veicular o mundo trans/homo e um primeiro caderno com diversas páginas inteiras de anúncios de um supermercado, que só existe no Rio e tem pessoas de baixa renda como público-alvo.

O Transegundo Homocaderno não se acanha de publicar a seguinte chamada no alto da primeira página do primeiro caderno: “Como e por que ‘A sutil arte de ligar o f*da-se’ virou o fenômeno editorial da vez no país”.

Foda-se na chamada de capa de um jornal impresso, ou mesmo no resto do jornal, mais que um “fenômeno editorial” é phodda, com ph de pharmacia e dois dês de Toddy.