Ignorância e É?

Ignorância – Baku, “A cidade dos ventos”, capital do Azerbaidjão, tem como idioma oficial o azeri, língua turcomana falada principalmente naquele país e no Azerbaidjão iraniano. Como sabem os linguistas, o azeri é parte das línguas oguzes e está estritamente relacionado com o turco, o qashqai e o turcomeno.

Em outras áreas do Azerbaidjão falam-se as línguas avar, budur, georgiano rinalugue, crits, lexguiano, rutul, taliche, tate, judeu tate, tsarrur e udi, que não têm caráter oficial. E o Azerbaidjão, com 10 milhões de azerbaidjanos, tem escassos 86.600 km2. Pernambuco, terra do jornalista Gerson Camarotti, que não fala rinalugue, crits, rutul nem tsarrur, tem 98.312 km2.

Esse “d” antes do “j” em Azerbaidjão corre por conta do Houaiss. O carioca Marco Lucchesi, presidente da Academia Brasileira de Letras, fluente em persa, deve ser craque em azeri, inteligível com o turco e o gagaúzo. A variante do norte é escrita com o alfabeto latino modificado, mas já foi redigida com o persa até 1929.

Enquanto a mim, devo confessar que só tomei conhecimento da existência do Azerbaidjão depois que assisti, pela tevê, aos primeiros treinos de Fórmula 1 em Baku.

Ginasiano, tive um professor de geografia que se dirigia à turma de poucos alunos: “Ignaros e energúmenos indivíduos”. Continuo ignaro e energúmeno na matéria ensinada pelo mestre, que era alpinista. Vivia convidando seus alunos para escalar o Pão de Açúcar pela face mais difícil.

O Google, sempre ele, traz deliciosa entrevista de Joel Silveira à revista imprensa: “Outra implicância que o sr. tem é com os alpinistas, não é?

É de uma burrice total. Eu não entendo: o cara arriscar a vida para chegar no Everest. Você toma um avião e vê de cima. Eu moro há sessenta anos no Rio de Janeiro e nunca fui ao Pão de Açúcar, nunca fui ao Corcovado. Mas já passei milhares de vezes de avião por cima do Pão de Açúcar. O que que eu vou fazer no Pão de Açúcar? Levar vento na cara?

O alpinista é de um ridículo atroz. O sujeito arriscar a vida para chegar no topo. E daí? Chegou aí. E agora? Acrescentou alguma coisa à humanidade?”.