Racismo

Racismo – “Divorciada, negra, americana”. É assim que nossa imprensa tem apresentado Rachel Meghan Markle, de 36 anos, que se casa no próximo sábado com o príncipe Harry, da Inglaterra.

Americana, negra e divorciada são defeitos? Divorciada é sinal de que não desgosta do macho da espécie, tanto assim que já o experimentou pelo menos uma vez.

“Em a gente se acostumando, a preta é uma grande mulher” já dizia um personagem do Eça. Para ser negra falta a Megham “uma pontinha de cor para dar sabor à pele”. Pelos critérios luso-brasileiros é quase uma norueguesa. Quanto ao fato de ser norte-americana, como poderia ser russa, turca, espanhola ou australiana, não é defeito nem qualidade: há boas e más pessoas em todos os países.

O príncipe Henry Charles Albert David, mais conhecido como Harry, três anos mais novo que sua noiva, pelos critérios da Medicina Legal de antanho seria sexualmente cronoinvertido, crono porque se encantou com mulher mais velha, atento ao ditado mineiro: galinha velha é que dá bom caldo.

Não chega a ser cromoinvertido, de cromo (cor), porque a pele de Megham não discrepa da sua.

Curioso que sempre fui, aguardo a cerimônia de sábado, transmitida pelas tevês do mundo inteiro, para conhecer Doria Radlan, a mãe da noiva Rachel Meghan Markle, e ver se pode ser enquadrada no tipo “em a gente se acostumando” ou é branca feito a filha.

E assim chegamos ao fulcro deste suelto, o racismo, que é crime sem deixar de ser biológico, porque todos os animais procuram os seus semelhantes e evitam os diferentes. Cavalos procuram cavalos evitando grupos de zebras, de girafas, de gnus.

Tive uma vaca que se afastava do rebanho e se aproximava das pessoas que visitavam nosso estábulo. Bobo que sempre fui, nunca atinei para a hipótese de a vaquinha ter sido assediada sexualmente por um empregado, tomando gosto pela sem-vergonhice. Só agora, diante da onda de assédios em Hollywood e na ginástica do mundo inteiro, me dou conta do que pode ter acontecido.