Calsaia

Calsaia – Com o maldito friozinho que tomou conta do pedaço apiedei-me dos cavalheiros, ainda operacionais, que frequentam os motéis aqui da região. Tudo bem que os lençóis, as fronhas e as toalhas sejam laváveis, mas os cobertores? Você, caro e preclaro leitor, já pensou na imundície dos cobertores dos motéis?

O diminutivo -zinho dá ideia de carinho, de algo bonzinho, enquanto o friozinho é de lascar, sobretudo e principalmente para cavalheiros de certa idade. Daí minha vontade de inventar a calsaia, que talvez exista com outro nome. Foi assim quando inventei (e adotei) o pijaleco para dormir.

Publiquei a invenção na imprensa e algum tempo depois, um ou dois meses, apresentado a bela executiva do Grupo Itaú, tomei uma descompostura em regra: “O senhor mora numa casa com quatro mulheres?”.

Expliquei que lá em casa só havia uma e fiquei sabendo que a linda executiva, mãe de três mocinhas, andava casada com ilustre mineiro, leitor aqui do degas, que adotara o pijaleco e circulava com ele pelo apartamento belo-horizontino. A executiva achava o traje “imoral” porque permitia que, eventualmente, suas filhas pudessem vislumbrar o pinto do seu marido.

Pinto, de resto, muito operacional, tantas as belas companheiras que o ilustre mineiro já descolou em seus primeiros 60 anos de vida.

Quando acaba, descobri que o pijaleco sempre existiu e foi usado durante anos pelos homens para dormir. Tinha outro nome, que no momento não me recordo. E a calsaia, que me animaria a mandar fazer, se dispusesse de uma costureira habilidosa, é a mistura de calça e saia, de lã, com um cordão para amarrar na cintura e canos das pernas bem largos.

Desenhando, a calsaia fica mais fácil de explicar. Deve ser roupa ótima para combater o “friozinho” nas pernas noite e dia, como o pijaleco era ótimo para dormir acompanhado de belas senhoras, uma de cada vez.

Deixo para comentar a greve dos cinesíforos semana que vem, se o Brasil ainda existir. Tchau e bênção procês todos.