Dois pesos

Dois pesos – Os estados do Rio de Janeiro e de Minas Gerais, dos mais importantes deste país grande e bobo, não têm tido sorte na escolha dos seus governadores. Se dá para entender que o  eleitor foi ilaqueado em sua boa-fé, fica difícil explicar os critérios utilizados pelo Judiciário ao apenar ex-governadores pilhados com as bocas nas tetas públicas deste animal de multívio teto, em eterna apojadura, a que ora se chama nação, ora orçamento ou erário – e aqui me estrepo: esqueci a frase de Rui Barbosa.

Mas Sérgio Cabral Filho, ex-governador do Rio, e Eduardo Azeredo, ex-governador de Minas, estão presos por peculato & outros crimes.

Peculato é crime que consiste na subtração ou desvio, por abuso de confiança, de dinheiro público ou de coisa móvel apreciável, para proveito próprio ou alheio, por funcionário público que os administra ou guarda; abuso de confiança pública.

Só não dá para entender que o ex-governador de Minas tenha sido poupado das algemas e das roupas de presidiário, enquanto o ex-governador do Rio circula por aí metido num uniforme de apenado. E vive na cadeia, enquanto o mineiro se hospeda num quartel do Corpo de Bombeiros ou numa repartição chique, vestido com as suas melhores roupas.

Não vejo distante a hora em que será instalado em seu lindo apartamento belo-horizontino. Conheço o edifício. Lá estive a convite de saudoso amigo, mineiro de Porteirinha, enriquecido na construção de estradas e outras obras públicas. Os apartamentos são ótimos e a vista é muito bonita.

A museóloga Magaly Cabral, mãe do ex-governador do Rio, está indignada com o tratamento dado ao seu filho. Mãe é mãe. Pena que dona Magaly, no tempo da ladroeira, não se tenha lembrado de aconselhar, de advertir, de refrear a gana do seu filhinho.

E tem mais uma coisa: se a museóloga, direta ou indiretamente, foi beneficiária dos roubos do rapaz, o que é muito provável, melhor fará se ficar quieta no seu canto.