Ciclismo

Ciclismo – Adoro assistir pela tevê ao Tour de France, menos pelo ciclismo, que não me interessa, e apesar dos narradores da ESPN, que são ciclistas tementes a Deus, sem tísicos em suas famílias, insuportáveis diante dos microfones.

Gosto das etapas do Tour de France pelas paisagens espetaculares, pela diversidade arquitetônica, pelo que há de história naquelas construções acasteladas, muitas em ruínas, representando as terras conquistadas e defendidas ao longo de centenas, de milhares de anos.

Telhas de barro, por exemplo, inexistem em centenas de vilas de muitas regiões em que as casas são cobertas com um negócio cinzento (seria ardósia?). Na região de Pau (pronúncia “pô”), Departamento dos Pirineus Atlânticos, quase fronteira com a Espanha, reencontro os telhados de barro e me lembro das abelhinhas, telhas francesas fabricadas em Marselha, que comprei nas demolições do Rio para telhar diversas construções nas roças em que morei.

Hectares e mais hectares exibindo seus fardos de feno espalhados pelos campos, raríssimas vacas à vista, o que me faz supor que permaneçam estabuladas durante o dia, ou dia e noite. Videiras e muitíssimas outras plantações que não consigo identificar. Vilas de pouquíssimas casas, todas com suas igrejas, vilas maiores, construções características, igrejas a montões, cidades modernizadas, painéis solares nenhuns. Propaganda do Carrefour em todos os caminhos e anúncios da comuna de Vittel ou sua água mineral epônima.

Epônimo: “diz-se de, ou aquele ou aquilo que dá o seu nome a qualquer coisa ou pessoa”. Portanto, as minerais Caxambu, Cambuquira, Lambari e outras são epônimas das cidades mineiras.

A transmissão em directo e em cores das diversas etapas da Volta da França custa uma fortuna, envolve uma porção de helicópteros e as imagens são remetidas para um avião que fica a não sei quantos mil metros retransmitindo para os satélites.

Você pode comprar bicicleta igual (ou parecida…) à dos ciclistas. Cada uma custa cerca de R$ 80 mil. Deve ser um programão sair por aí pedalando sua bike de 80 milhas nos asfaltos das nossas estradas entremeio aos milhões de barbeiros que nelas dirigem, sem falar dos bêbados, dos cheirados, dos arrebitados e dos malucos.