Prolação

Prolação – Economista articulado, presidente do Insper, pintou no programa Em Ponto, da GloboNews, pronunciando subzídio e subzidiado. Desde que o mundo é mundo a ortoépia é “sí”, mas muita gente insiste no “zí” para desespero de um telespectador que está morrendo de frio depois do café da manhã.

Ortoépia é o estudo tradicional e normativo que determina os caracteres fônicos, considerados cultos e relevantes, e a boa pronúncia.

Tenho pretensões ortoépicas, ou, quando menos, o hábito de ficar irritado com as pessoas que não adotam as “minhas” pronúncias. E olhem que muitas delas raramente são observadas. Pronuncio acervo com “é”, ortoépia desprezada por 99% dos jornalistas televisivos e pelo Houaiss, que defende “ê”.

Saudoso amigo e confrade, o professor Almir de Oliveira, dono de imensa biblioteca lida e anotada, também pronunciava “acérvo”, prolação aceita pelo Aurélio. Pois é: prolação é “ato ou efeito de pronunciar”.

Houaiss aceita “é” e “ê” para obsoleto; Aurélio e o autor destas bem traçadas só aceitamos obsoleto com “é” aberto.

E o Dia dos Avós passou por aqui em brancas nuvens, prova de inteligência dos meus netos. Avô paupérrimo é chatíssimo: tem todos os defeitos avoengos sem a contrapartida dos mimos dos avós abonados.

Dia dos Pais, das Mães, das Sogras, dos Avós, dos Namorados, a exploração comercial tem uma capacidade infinita de inventar datas para desovar seus produtos. Durante séculos pelejei para encontrar lugar nos restaurantes no Dia dos Namorados. Sem falar dos presentinhos de praxe.