Fake

Fake – Esta conversa de Fato ou Fake, verdade ou mentira, esbarra na constatação de que a verdade – coisa, fato ou evento real – não está a salvo das divergências. Parece una, singular, indivisível, mas a verdade bíblica, por exemplo, provém de pontos de vista bem diferentes da noção ocidental, que remonta principalmente à terminologia grega.

Para os gregos a verdade é a concordância entre o pensamento e a realidade, a própria realidade enquanto se revela ao espírito.

Temos aspiração tipicamente grega à clareza, à compreensão teórica e intelectual.

A concepção bíblica da verdade, porém, é existencial; corresponde a um desejo prático de conhecimento para a vida. Na própria Bíblia a noção evoluiu: no judaísmo e no NT o termo verdade é cada vez mais relacionado com a lei, a revelação, a palavra de Deus.

Não raras vezes, pelo final das tardes, zapeio o televisor LG de 47 polegadas à procura de um canal que transmita algo palatável. E o que vejo é uma sucessão assustadora de pastores tomando os cobres dos crentes com “suas” verdades, que nem mesmo são as bíblicas.

Deve ser uma espécie de verdade-tunga, no sentido de ato ou efeito de tungar; furto, roubo, que não deve ser confundida com o artista Antônio José de Barros Carvalho e Mello Mourão, conhecido como Tunga, falecido em junho de 2016, o primeiro artista contemporâneo do mundo a ter uma obra no Louvre.

Nunca vi uma obra do finado Tunga que fosse do meu agrado, mas devo ter gosto “diferente” dos críticos de arte. Acho horríveis as obras do Gaudí (1852-1926) em Barcelona, mas tenho amigos distintos que adoram o arquiteto catalão. Donde se conclui que é melhor não concluir nada e deixar como está para ver como é que fica.