Taqueospariu

Taqueospariu – É interjeição, locução, palavra, lexema, sintagma, que diabo é o taqueospariu que resmungo lendo os jornais? Aliás, por que continuo assinando jornais impressos? Talvez porque tenha trabalhado neles durante muitos e muitos anos, mas hoje as assinaturas não se justificam.

Onde andam os cronistas? Ok, há um Werneck, um Ignácio de Loyola e mais dois ou três pelejando num universo em que as credenciais são a cor, a barriga, a fama, o homossexualismo, as gracinhas dos netos ou aquela cabeleira afro que ofende a estética. Não é possível que alguém “goste” daquelas jubas à Marcelo do Real Madrid, e do rastafarismo capilar de mechas enroladas às quais se aplica banha ou cera.

Quantas vezes por mês os rastafarianos lavam as mechas de banha ou cera? Como é possível viver com aquele treco na cabeça ou com uma pessoa que cultiva aquele treco?

No jornais, cadernos inteiros fazendo a louvação da veadagem, do lesbianismo, das criaturas que recorrem à preposição latina trans “além de, para lá de”, o que suscita o assunto sexo.

A onda de frio dos primeiros dias de agosto deixou meu nariz gelado e me lembrou de um livro que li sobre os esquimós. Não os atuais, que vivem em casas aquecidas, mas os de antanho que habitavam iglus e se abstinham dos banhos e do sexo durante meses. Os esquimós cultivavam algo relacionado com o esfregar de narizes, que já não me lembro, mas dizia respeito à amizade ou à importância dos cheiros nos relacionamentos.

Na fazenda do Adelino, em São Brás do Suaçuí, MG, o relacionamento amoroso do Califa era um espetáculo assistido por todos os moradores da fazenda e gente que vinha de fora, quando avisada.

Garanhão mangalarga, o Califa já saía da cocheira sabendo o que iria fazer, cheirava amorosa e demoradamente cada um dos pés da parceira, efetuava a cobertura e se deixava ficar durante minutos sobre a fêmea, pescoço caído, como se estivesse dormindo.

Parecia sorrir e desmentia o ditado latino “Omnium animal post coitum triste”, que aceita a retificação “Triste est omne animal posto coitum, praeter mulierem et gallum” – depois do coito, todo animal é triste, salvo a mulher e o galo.