Climáticas

Climáticas – Apesar da chuvarada de segunda-feira, Belo Horizonte conta com um dos melhores climas do planeta. O bairro da Serra é cinco graus mais frio que o centrão. Morei nos dois e sinto funda saudade do clima do centro daquela cidade, educadíssimo o ano inteiro.

O assunto vem à balha diante da onda de calor enfrentada pelos europeus e atribuída ao “aquecimento global” que inviabilizará a vida na Terra, dizem os pessimistas.

Calor igual ou menor que aquele de Cuiabá, capital do Mato Grosso. Lá estive muitas vezes e sei que o negócio não é de brincadeira, apesar dos ambientes refrigerados. Se você esquece uma esferográfica Bic no painel do automóvel estacionado ao sol cuiabano, descobre que a caneta fica enroscada em poucos minutos. Ainda bem que, hoje, é produto barato. Caixas com 50 unidades estão anunciadas nos jornais por R$ 25. E calculadoras “científicas” cheias de botões por R$ 29,50. Adoro anúncios de papelarias.

Em Cuiabá, apesar dos imóveis e automóveis refrigerados, você luta contra o calor o dia inteiro e só começa a melhorar sua “sensação térmica” a partir das sete da noite, quando toma a segunda ou terceira caipivodca de praxe.

Volto ao clima de Belo Horizonte para constatar um fenômeno inexplicável: pessoas inteligentes e bem-sucedidas que preferem morar num condomínio situado a meia hora da cidade, não raras vezes uma hora dos seus locais de trabalho. Condomínio cujo clima deve ser muito parecido com o do círculo polar ártico.

Jornalistas famosos, médicos vitoriosos, empresários ricos, todos tiritando de frio durante meses e meses, lareiras acesas, roupas cheirando a mofo – felicíssimos com a escolha feita.