Néctar?

Néctar? – Uma cervejaria polonesa chamada “A Ordem de Yoni”, que significa vagina em sânscrito, vem de lançar uma cerveja feita a partir do “ácido láctico vaginal de modelos”.

A cervejaria descreve em seu site as características da bebida: “Imagine a mulher dos seus sonhos, seu objeto de desejo. Agora você pode experimentar como ela saboreia, sentir seu cheiro e ouvir sua voz”.

Na tradução para o português devem ter comido mosca no trecho “como ela saboreia”, pois quem saboreia é o consumidor. A cerveja é cara pelos padrões locais (R$ 24) e preta, dando razão ao personagem do Eça: “Em a gente se acostumando, a preta é uma grande mulher”.

Néctar, como vocês devem estar lembrados, na Grécia antiga era a bebida dos deuses do Olimpo, que, segundo a lenda, eternizava a vida. Em sentido figurado significa qualquer bebida deliciosa, encantamento, consolo, refrigério, sensação de deslumbramento.

Preta, loura, avermelhada ou miscigenada fará sucesso a cerveja que, sem propaganda específica, tenha o sabor do ácido láctico vaginal não necessariamente de modelos, que são muito magras e podem, por isso, influenciar no sabor do abençoado ácido.

Com ou sem ácido láctico vaginal, cadinho racial dá samba. Eduardo Giannetti, pensador respeitado, diz que a grande fortuna do Brasil é a mistura de índios, pretos e brancos, também chamada miscigenação.

Faz tempo que estudo o assunto nas pecuárias de corte e leiteira. Em inglês é three cross, cruzamento de três raças, mas depende de um negócio chamado “combinabilidade”. Nem sempre as raças melhores neste ou naquele quesito combinam bem.

Vou parando por aqui. O assunto é seriíssimo para ser tratado por um idoso ignorante. Se escrevesse um livro autobiográfico, o título seria: Asno com CPF.