Horários

Horários – O programa Hora Um passou a começar às quatro da manhã obrigando a linda Monalisa Perrone a acordar por volta de meia-noite. Como será a vida de uma pessoa que acorda, cinco dias por semana, ali por volta de meia-noite?

Um professor da ESPM, que deve ser a Escola Superior de Propaganda e Marketing, constatou que os assinantes da tevê a cabo pagam por 80 ou 100 canais, mas só acompanham regularmente cinco deles.

Aqui em casa é assim e um dos canais que mais assisto é o GloboNews, ou a GloboNews, que inventou noticiários o dia inteiro. Começa às seis da matina com o Em Ponto e vai por aí até ao Jornal das 10 (da noite), com uma particularidade: somente cinco dias por semana. E as semanas, até ontem, tinham sete dias. Será que “os outros dias” não existem?

Começar um programa às seis da matina, como faz o Burnier na flor dos seus 57 aninhos, não deve ser fácil. O editor-apresentador deve chegar ao estúdio paulistano por volta das três. Só o trânsito é bom nas madrugadas de São Paulo. Será que José Roberto Sartori Burnier Pessoa de Mello sai de casa, antes das três, de barba feita, terno e gravata, ou deixa a barba e o terno para ajeitar na tevê?

Meu chefe de redação num jornal carioca fazia a barba no laboratório fotográfico da empresa às sete da manhã. Pois é: antes da era digital, os jornais tinham laboratórios para revelar os filmes.

Escrevi duas vezes “às seis da matina” e o corretor do computador sublinhou de verde “às”, explicando: “Neste caso, não se usa a crase”. Como sou teimoso, às vezes não obedeço ao corretor.

E volto aos canais que o sujeito paga para não assistir: são pavorosos, repetitivos, inacreditáveis. Nas poucas vezes em que dei uma zapeada fiquei horrorizado com a imbecilidade veiculada. Um imbecil faz um programa idiota que é veiculado na tevê e pago por um cretino. Programa repetido durante semanas.

Por derradeiro, uma constatação: Gênova, capital da região na Ligúria, noroeste da Itália, tem coisas originais. Em 1451 viu nascer Cristóvão Colombo, em 1949 foi a vez de Guido Mantega e agora, em 2018, no dia 14 de agosto, assistiu a um espetáculo inacreditável: a queda de uma ponte imensa, que não podia cair, mas caiu, matando um número ainda incerto de pessoas.