Feriadão

Feriadão – O repórter Gabriel Prado, da GloboNews, é dos raros brasileiros que entendem a sutil diferença entre parente e familiar. Parente é pessoa ligada a outra por consanguinidade, afinidade ou adoção; familiar é o poste da esquina, é aquilo que se conhece ou presume conhecer, o empregado, o fâmulo, o integrante de confraria religiosa, o íntimo. Assim, Gabriel Prado explicou que o acesso ao velório da atriz Beatriz Segall foi limitado aos parentes e familiares, não sendo permitida a entrada do grande público.

Pode parecer bobagem, mas não é. A influência da televisão sobre as pessoas é tão grande, que os jornalistas devem ser policiados para que não insistam nas tolices e nos erros. Ainda agora, temos no citado canal uma porção de comunicólogos pronunciando “subzídios”: Valdo Cruz, Cecília Flesch, que está substituindo Maria Beltrão nas férias e uma outra que trabalha em Brasília, chamada Marina Franceschini, que é tatuada e devia ter trocado o tempo que passou no tatuador estudando português. É triste constatar que falta um editor, um diretor, para corrigir sua turminha.

É inadmissível que um jornalista profissional diga, como disse na manhã de 6 de setembro um comentarista da GloboNews: “Quanto mais ele fazer isso”. E o negócio, no mesmo canal “pago”, às vezes vem por escrito, como às 8h12min do mesmo dia: “Drone será usado para sobrevoar por dentro o prédio”.

O verbo sobrevoar, “deslocar-se voando ou pairar por cima (de)”, agora sobrevoa por dentro, por fora, por baixo, eventualmente por cima dos escombros do prédio do Museu Nacional incendiado pela incúria de nossas autoridades.

Ainda bem que a Suprema Corte da Índia, por unanimidade, decretou que o homossexualismo é constitucional. Dia 7 de setembro de 2018, pouco depois das nove da manhã, a população da Índia era de 1.364.654.814 pessoas, das quais várias centenas de milhões estão em condições de exercer o seu direito constitucional, punido em alguns países até com a pena de morte, enquanto no Brasil é festejado pelos jornais impressos em páginas coloridas, Buá, Buá…

Desde o final da tarde de quinta-feira, Dia do Sexo e véspera do Dia da Pátria, aqui em Juiz de Fora e no Brasil inteiro, com repercussão na imprensa de muitos países, só se fala da facada desferida no deputado Jair Bolsonaro pelo montes-clarense Adélio Bispo de Oliveira, de 40 anos, formado em pedagogia.

O substantivo pedagogo, em nosso idioma desde 1589, no uso informal, pejorativo, é “pessoa que julga ter o que ensinar a todos”. O montes-clarense diz que esfaqueou cumprindo instruções de Deus. Filmado e fotografado desferindo a facada, preso em flagrante, autor confesso da tentativa de homicídio, dois dias depois do atentado continuava sendo “suspeito” para boa parte da mídia.

Luíza Cavalcante Cardoso observou que o autor do crime não tem emprego fixo e outras fontes de renda, mas tem laptop, quatro celulares, passagens, hospedagem e paga tudo em dinheiro vivo.

A GloboNews deixou um repórter plantado à porta do Hospital Israelita Albert Einstein, em São Paulo, para repassar ao telespectador os atestados médicos sobre o estado de saúde do deputado esfaqueado. Repórter que informou às 18h26 minutos de sábado, 8 de setembro, o seguinte: “Nutrição por via venal, pelas veias”. Fiquei preocupado, porque sei que venal significa “relativo a venda; que pode ser vendido, que é vendável”. Em sentido figurado é “que se corrompe por dinheiro, que é receptivo a suborno; corrupto”.

Ora, o deputado Bolsonaro é conhecido pelo fato de não ter sido corrompido pelos empreiteiros, mas sou teimoso e procurei no Houaiss outro significado para venal e encontrei: “relativo ou próprio de veia; venoso”. Portanto, peço desculpas ao repórter, que estava certo.