Sensorial

Sensorial – Cesse tudo que a Musa antiga canta, que outro valor maior se alevanta, é sensorial e tem relação com o maior evento de arte contemporânea da América Latina, que dá a curadoria aos artistas e propõe exercício de reflexão.

“Afinidades Afetivas”, a 33ª edição da Bienal de São Paulo, tem um curador-geral, que trabalha com uma equipe de sete curadores-artistas num espaço equivalente a três ou quatro campos de futebol.

No primeiro andar, a artista-curadora Sofia Borges expõe várias obras de Tunga, nome artístico do pernambucano Antônio José de Barros Carvalho e Mello Mourão (1952-2016). As obras de Tunga tocam o centro das sensações dos visitantes, especialmente a região do cérebro que seleciona e combina as impressões transmitidas aos centros sensoriais individuais.

A partir daí o visitante está em condições de visitar no mezanino, sem labirintite, o labirinto do argentino Alejantro Corujeira. Nelson Felix, com seu projeto seriado, vai mais longe ao propor um “coito com a Arquitetura”.

Aí é que está: quem jamais copulou com a Arquitetura passou pela vida em brancas nuvens e em plácido silêncio adormeceu. Como viver sem o coito com o Palácio da Alvorada, mesmo contando com a cama no avião presidencial para dormir com a Rose? Que fim levou a Rose? A seleção de futebol da Inglaterra tem um lateral esquerdo chamado Rose, que nada tem de rosa: é preto e joga bem.

Em vez de copular com a Arquitetura, a argentina Claudia Fontes, no setor “O Pássaro Lento”, dialoga com o prédio. Diálogo que Lucia Nogueira, na escultura “A Vontade e o Outro”, de 1989, estabelece com a poética de objetos descartados.

Denise Milan vai às profundezas “buscar essência do Brasil” e o blogueiro que toma o seu tempo se despede por aqui, antes que Denise encontre a essência deste país grande e bobo.