Eleições

Continuo resistindo à tentação de opinar sobre as próximas eleições. Só uma vez, até hoje, pedi votos aos parentes e amigos. Tenho a certeza de ter conseguido 21 votinhos para o candidato a deputado federal que indiquei. Foi o mais votado no estado. Quebrei a cara.

Durante a campanha, sete vezes o candidato esteve em minha casa pedindo opiniões, conselhos, orientação sobre os passos que deveria dar. Além das visitas domiciliares, pelo menos 40 vezes me telefonou consultando sobre frases e palavras que deveria incluir nas faixas, nos santinhos, nas palestras. Tudo, evidentemente, de graça, pela amizade que supus existir entre o candidato e o improvisado marqueteiro.

Eleito com a tal votação espetacular, o deputado federal sumiu sem um telefonema de agradecimento. Tomando posse em Brasília, não encontrou uma secretária que me telefonasse para informar que sua excelência lá estaria às ordens.

Honestamente, ninguém presta serviços a um amigo pensando em retribuição, pagamento, agradecimentos etc. e tal. Mas um telefonema de agradecimento depois de sete visitas domiciliares e pelo menos 40 consultas telefônicas, salvo melhor juízo, faz parte.