Explicação

Explicação – Foram muitos e muitos anos de máquinas manuais, depois elétricas, computadores – mais de meio século. Milhares de crônicas publicadas, 19 livros, centenas (ou milhares?) de aforismos sob pseudônimo de R. Manso Neto, dias e noites diante dos teclados trabalhando naquilo que sempre me deu prazer e, durante anos, algum dinheiro.

 Perdi o pique. Já não tenho saúde para ficar diante do computador, nem para digerir o noticiário impresso e televisado. Sou capaz de ler um jornal inteiro sem concordar com as opiniões de todos os articulistas. Quero que se danem com suas ideias. De repente, estão a serviço de certos grupos que todos conhecemos.

Devo a explicação aos amigos que me consultaram sobre o sumiço do “Philosopho”: perdi o pique. Pela atenção, muitíssimo obrigado.

Preguiça

Preguiça – Foram mais de 50 anos de alcoóis, charutos, trabalho, amores, com 19 livros publicados, bem mais que 15 mil crônicas na imprensa, horários malucos, uma redação carioca em que o então jovem repórter chegava pouco antes das 7 da manhã para encerrar o expediente depois das 9 da noite.

Domingo, 23 de fevereiro de 2018, redondinha, linda, a Lua enfeitou a manhã juiz-forana em que confirmei que ando com preguiça da vida. Falar de quê? Do ministro Marco Aurélio, do pinto mediúnico goiano, do guru Sri Prem Baba, da tsunami matando e ferindo milhares de indonésios no estreito de Sunda, da imbecilidade de Donald Trump, repito: falar de quê?

Não posso tomar o seu tempo, nem perder o meu, com assuntos e pessoas que não merecem nossa atenção. É tempo de Natal, bimbalham os sinos, ab imo pectore espero que o leitor e a leitora tenham um 2019 muito feliz.

Virtual?

Virtual? – A Justiça do RS condenou um estudante de medicina a 14 anos de cadeia por estupro virtual. No duro: virtual. O criminoso de 28 anos “estuprava” pelo computador um menino de 10 aninhos residente noutro estado, crime descoberto pelo pai do menino. A partir da denúncia, a polícia gaúcha encontrou milhares de fotos nos computadores do pedófilo, que já está preso.

A partir daí, logo teremos gente presa por assédio sexual imaginado. Você vê a foto de uma gata, imagina como deve ser gostosa e vai preso para deixar de pensar bobagens.

Até “bobagens” foram 92 palavras para dar ideia da maluquice que vai por aí. Passam de 500 as senhoras e senhoritas que se dizem estupradas pelo chanfalho mediúnico de João de Deus, que incorpora o pênis de Inácio de Loyola, perdido, ao que tudo indica, quando levou um tiro de canhão entremeio suas pernas. Canhão francês, numa guerra com espanhóis.

Jair Messias Bolsonaro, presidente-eleito do Brasil, tem filhos. É normal que seus filhos tenham opiniões que não coincidem com as do pai. Portanto, a imprensa deve parar de cotejar os ditos de uns e outros.

Derrotar o PT nas urnas foi muito mais fácil do que enfrentar o Grupo Globo, que continua combatendo o bolsonarismo com unhas e dentaduras.

Enquanto ao mais, se não nos encontrarmos antes, bom final de semana procês todos.

João de Deus e Battisti

Mesmo narrada pela bela e brilhante Leila Sterenberg, através da GloboNews, a prisão do médium João de Deus numa estrada de terra em Abadiânia, GO, foi uma patetice. A partir de domingo, por volta das quatro e meia da tarde, o Brasil deve estar preparado para as marchas e contramarchas do processo em que o referido cidadão é acusado de mais de 300 estupros. Velho e doente, o médium não tem grande futuro, nem precisa: basta o que fez no passado. Os primeiros 35 milhões de reais já estão separados para pagar os honorários de seus advogados. Não deve ser fácil defender certos criminosos, como demonstraram os doutores Toron e seu colega goiano de mãos dadas com o médium na estradinha de Abadiânia.

Resta saber, agora, se a polícia vai encontrar o Battisti, terrorista protegido pelo ex-presidente Lula da Silva. O criminoso italiano é craque para escapar das polícias da Itália, da França, da Espanha e de outros países.

Peço licença para evitar o assunto “transgênero”, que virou moda, e abordar o gênero crônica. O que resta dos jornais impressos está acabando com os cronistas. Toda semana os senhores diretores se livram de um ou dois colaboradores e vão acabar quando só ficar o senhor Verissimo escrevendo duas vezes por semana no que sobra dos jornais, que sobrevivem mal-e-mal, mal e porcamente com os anúncios dos carros chineses e dos supermercados cariocas.

Semana passada Marcelo Rubens Paiva entrou de férias no Estadão. Até aí, tudo bem, não fosse pelo fato de escrever de 15 em 15 dias. Cabe a pergunta: como pode alguém que só escreve quinzenalmente entrar em férias?

João de Deus

Nosso belo João de Deus já rivaliza em número de estupros com o afamanado Roger Abdelmassih. A dois ambos não se distanciam do piedoso Sri Prem Baba. Em sânscrito, “Sri” significa senhor, “Prem” amor divino e “Baba” pai espiritual, como o paulistano Janderson Fernandes de Oliveira, que reuniu milhares de seguidores, entre os quais Aécio Neves, Marconi Perillo e Marina Silva, com os resultados vistos nas urnas e na Operação Lava Jato (Fonte: revista Época, edição de 17.9.18).

Ninguém é obrigado a acreditar, mas já assisti a um casamento celebrado em sânscrito, não em Rishikesch, na Índia, aos pés do Himalaia, mas no terceiro andar do Automóvel Clube de Belo Horizonte, MG.

João de Deus, Abdelmassih e Sri Prem Baba não foram os primeiros nem serão os últimos, aqui e alhures, na lista dos que ilaquearam, ilaqueiam e ilaquearão a espécie humana, que adora cair em tentação.

A revista Época inclui o nome do empresário e político João Doria na lista dos seguidores de Prem Baba. Por enquanto, eleitor governador do estado de São Paulo, João Doria não foi ilaqueado e Prem Baba que se cuide, porque o político é fera. De repente, funda uma nova religião e vai assombrar o mundo, como assombrou vestido de gari na breve passagem pela prefeitura da cidade de São Paulo.

Pontífices

Pontífices – Assentada a poeira eleitoral dá para louvar as virtudes da democracia, do voto universal, secreto, que leva à Câmara Federal figuras como o namorado de Fátima Bernardes e o ator Alexandre Frota, de expressiva carreira na televisão e no cinema, como também na área pornô, onde se destacou na série “Anal total”, em que aparece em seis cenas de sexo anal.

Pena que a filósofa do PT, que se candidatou ao governo do Rio, não se tenha candidatado à Câmara Federal, ela que é especialista em ânus filosóficos. Chame-se alvado, anilha, berba, boga, cu, diferencial, feofó, finfa, fiofó, fiota, fiote, fioto, foba, fueiro, furico, loto, oritimbó, panela, pêssego, pevide, rosca, roscofe, sim-senhor, tutu, viegas ou zé de quinca, a abertura exterior do tubo digestivo faz sucesso até nas urnas.

E o Rodrigo Neves, prefeito de Niterói preso por ladroeira na semana passada, não é dos nossos Neves nem das neves do Kilimanjaro, como também não cai na Costa Leste dos Estados Unidos. Fez carreira no PT como discípulo do Zé Dirceu antes de trocar de partido para assaltar noutra organização criminosa.

Quanto à Casa Dom Inácio, do festejado médium João de Deus, em Abadiânia, GO, deve ter sido inspirada no jovem em Inácio de Loyola (1491-1556), fundador da Companhia de Jesus, canonizado em 1622.

Quando rapazola, espadachim, mulherengo, Inácio de Loyola também gostava das coisas boas da vida, a exemplo do médium João de Deus. Até que um dia…

Bem, um dia o espadachim levou uma bala de canhão entremeio suas pernas, passou meses entre a vida e a morte para ressurgir como candidato a santo ao fundar a Companhia de Jesus.

Longa vida ao médium goiano a salvo das balas dos canhões franceses.

Od-mundo

Od-mundo – Ode chegou-nos em 1561 através do latim tardio ode,es, do grego ‘ação de cantar, canto’, poema lírico destinado ao canto, sempre de tom alegre e entusiásticoPeru, Equador, Panamá, Guiné-Equatorial, boa parte da África, o Brasil inteirinho, raros foram os países, dos 192 reconhecidos pela ONU, que escaparam da Odebrecht. Até o ilustre senador Renan Calheiros, pai do governador Renan Filho, foi citado como “beneficiário” do suborno da empreiteira através do seu “departamento de operações estruturadas”.

Numa ode a Brecht, o poeta morto em 1956 que não deve ser aparentado com os empreiteiros baianos, teríamos: “Aquele que não conhece a verdade é simplesmente um ignorante, mas aquele que a conhece e diz que é mentira, este é um criminoso”.

Od, como todo mundo ignora, é pretensa força ou poder natural que se afirmava residir em certos indivíduos e coisas produzindo o hipnotismo, o magnetismo e outros fenômenos. O pênis do médium João de Deus tem Od, opera milagres. Em alemão Od tem inicial maiúscula e a mocinha holandesa penetrada por trás pelo médium de Abadiânia, GO, fala alemão.

Obrou muito mal a Quarta Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ) ao decidir que o Palácio Guanabara pertence à União, numa ação que tramita há 123 anos. Os herdeiros da princesa Isabel pleiteavam a posse do palácio e do terreno de 600 mil metros quadrados em Botafogo, no Rio.

De repente, o Palácio Guanabara pertence ao ex-governador Sérgio Cabral, que será solto pelo ministro Gilmar Mendes, do STJ, cuja caneta é aparentada com o pênis do médium João de Deus.

E você chegou a 10 de dezembro de 2018 sem conhecer a diferença entre cosplayer e fantasia. Fantasia, regionalismo brasileiro, é vestimenta alegórica usada em certos rituais e festividades, especialmente no carnaval, enquanto cosplayer é maluquice expressada por idiotas que se caracterizam como seus ídolos numa festa cretina que reúne centenas de milhares de imbecis em São Paulo, SP, e terminou domingo.

Reunidos em congresso, abençoados à distância pelo pênis do médium João de Deus, os melhores psiquiatras do mundo seriam incapazes de imaginar festa idiota como a paulistana.  

Idade

Idade – Audição, visão, tesão, tudo diminui ou acaba com a idade, mas o que mais me intriga é a compreensão, que também dá às de vila-diogo. Dou-lhes um exemplo no capítulo dos “carros compartilhados”, nova mania no Rio, em São Paulo e noutras cidades grandes.

Por mais que veja as explicações nas reportagens televisivas não consigo entender a “mecânica” do negócio. Os depoimentos dos adeptos nada têm de convincentes e aquela conversa de economizar 300 reais por mês no sistema compartilhado – gastando 800 pratas em 30 dias, quando gastaria 1.100 sem o compartilhamento – é uma economia que não me convence.

Uma coisa é a carona para três ou quatro pessoas, dividindo o custo da viagem; outra, muito diferente, é o tal compartilhamento. Deve ser aparentado com o co-living e outros “cos” que viraram moda por aí. Convivência é o tipo do negócio difícil e o co-living deve ter todos os inconvenientes do casamento sem o consolo da trepadinha eventual.

Também não consigo entender que alguém se candidate ao governo de estados irremediavelmente falidos, como o Rio de Janeiro e Minas Gerais. Zema e Witzel são cavalheiros honestos: portanto, não se elegeram para roubar. A partir de janeiro, que será dos dois? O tempo dirá, mas continuo sem entender os motivos que os levaram às urnas. 

Preguiça

Preguiça – Vem do latim pigritia,ae e circula por aí desde o século XIII, palavra admirável para definir minha situação diante do computador. Durante milênios tive fascínio pelos teclados da máquina de escrever, da máquina elétrica e do computador; de uns tempos a esta parte, ando com preguiça do conjunto de teclas através das quais se operam as máquinas.

Preguiça do Brasil, da ladroeira que vai por aí, da mídia, preguiça de tudo, sobretudo da vida. Olho para o computador desligado e prometo: amanhã escrevo alguma coisa. Acaba ficando para depois de amanhã, que pode ser hoje ou amanhã, como também pode ser na semana que vem.

A preguiça é tanta que deve ser contagiosa. Tentei abrir o @terra, que se recusou. Fui obrigado a chamar o técnico, que solucionou o problema e me deixou em condições de enviar este bilhete curto, preguiçoso, às vítimas habituais.

Anotações

Anotações – O só fato de um magistrado norte-americano, em novembro de 2018, considerar “constitucional” a mutilação genital feminina, reflete o nível de loucura que vai por aí. Sociedades primitivas pintavam seus corpos e os atravessavam com bambus, madeiras e outros materiais disponíveis alargando orelhas e lábios.

Milhares de anos depois as sociedades supostamente civilizadas espetam-se piercings metálicos e se tatuam com o entusiasmo pictórico dos jogadores de futebol. Sem falar dos imbecis que também alargam suas orelhas.

Salvo melhor juízo, obram muitíssimo bem os silvícolas da Ilha North Sentinel, na Índia, que matam a flechadas todos os que deles se aproximam.

A mutilação genital feminina é “tradição” em alguns lugares, como também é imposição religiosa e tem outras explicações para a barbaridade de suprimir o clitóris das meninas impedindo que, adultas, possam ter orgasmos. De tão maluca, a notícia sobre o fato de o procedimento ser constitucional logo sumiu do noticiário. Os jornais e as tevês andavam ocupados com as vendas da Black Friday em Goiânia, GO, recordista na comercialização de televisores.

Invejoso da constitucionalidade ianque da clitorectomia, um juiz inventou o estupro consensual ao condenar a penas quase simbólicas dois cavalheiros, tio e sobrinho, que estupraram uma jovem em Lérida ou Lleida, cidade e município da província homônima na comunidade autônoma da Catalunha, Espanha.

Argumentou o magistrado catalão que a moça não gritou quando penetrada na sessão de sexo anal. Daí a pena suave cominada ao tio e ao sobrinho.

Vou ao Google e encontro 2.780.000 entradas para “putas Lleida”, prova de que o negócio deve ser animado por lá. Em SEXOBARATO.ES a primeira oferta: “Mujer experimentada de 49 años. Mi nombre es Inés,  soy simpática y si me dejas te complaceré todos tus deseos , me encanta ser objeto de toda clase de fantasías sexuales para luego hacerlas realidad , necesito sexo ya no qu…”.

E assim se conta um tiquinho da loucura que vai por aí. Boa semana procês todos.