Lua bonita

O Google tem um monte de entradas para “Lua bonita, Se tu não fosses casada Eu preparava uma escada Pra ir no céu te buscar”, letra atribuída a Raul Seixas. Lembrei-me dela na madrugada de 24 de outubro, quando linda Lua cheia (ou quase) quis ter a gentileza de aparecer no céu até então nublado.

Não sei se também acontece com o caro e preclaro leitor, mas não me canso de apreciar a Lua. É muito mais bonita, mais limpa, mais civilizada que a baixaria de nossas campanhas eleitorais, onde candidatos e suas equipes se digladiam na luta pelo poder.

Como também se digladiam os membros de várias cortes de Justiça, entre as quais o Supremo Tribunal Federal. Ou será que alguém já se esqueceu daquilo que o ministro Barroso disse do ministro Gilmar, numa tarde/noite em que se mimosearam?

Devo confessar que também não acredito no atual Supremo, ou, quando menos, em cinco dos seus ministros. No país dos meus sonhos já teriam sido “neutralizados”, mas continuam firmes e fortes nos cargos que alcançaram indicados por gente que está na cadeia e aprovados por um Senado de senadores manjados.

Manjar, na rubrica regionalismo brasileiro, “acompanhar a evolução ou o comportamento de, espionar, observar”.

Enquanto ao mais, tchau e bênção procês todos.

Donald J. Trump

Donald J. Trump é uma besta. Agora, cismou de implicar com a comunidade LGTBI+ dos Estados Unidos, grupo que lá vai crescendo numa velocidade impressionante e já alcança 4,5% da população daquele país.

Assim, Trump acaba de perder o apoio importantíssimo de Caitlyn Marie Jenner, nascida William Bruce Jenner em outubro de 1949, atriz, modelo, socialite que, ainda como William Bruce Jenner, conquistou a medalha de ouro no decatlo durante os Jogos Olímpicos de Verão de 1976, quando foi aclamado “o maior atleta do mundo”.

Caitlyn Marie havia apoiado a candidatura Trump à presidência dos EUA, apoio que agora retirou, quando o presidente ameaçou reduzir a homem e mulher a lista dos sexos norte-americanos.

Com efeito, do jeito que a coisa lá vai caminhando, logo serão necessários nos estabelecimentos comerciais, nas escolas e noutros locais uns 20 banheiros separados por “opções” sexuais.

Ao sul do Equador, num país grande e bobo, famílias, grupos de amigos, sócios e a demais gente se digladia pelas eleições do próximo domingo. Grande novidade. A espécie humana gosta de se digladiar. Vejam os casos dos pais que têm a insensatez de deixar pequena, ou grande, ou imensa herança para os filhos. É briga na certa.

Absurdidades

Absurdidades – Domingo à tarde, minha operadora de celular caprichou na mudança do telefoninho por conta do maldito horário de verão. Não se limitou ao adiantamento de uma hora, mas inventou um horário que deve ser do Acre ou da Costa do Marfim, sem olvidar a Guiné Equatorial, país amigo presidido há quase 40 anos pelo eminente Teodoro Obiang Nguema Mbasogo, pai do vice-presidente Teodoro Ngueme Obiang, injustamente perseguido pelas autoridades brasileiras.

E o município de São Rafael, localizado no Oeste Potiguar, microrregião do Vale do Açu, resolveu festejar os 58 anos de sua criação promovendo um festival de cachaça em que o vencedor seria aquele que consumisse a maior quantidade do “precioso” líquido. Como resultado do novel concurso, quatro competidores foram parar no hospital, dois deles em coma alcoólico.

Absurdidade só vista num país em que rapazes e moças de 16 anos podem votar nas eleições para governadores e presidentes da República, mas são inimputáveis quando cometem crimes hediondos.

Em São Paulo, capital, os termômetros anotaram aumento de 3ºC nos últimos 100 anos, motivo para um cavalheiro alto, careca, de barba branca, aparecer na tevê atribuindo ao fato ao aquecimento global. O ilustrado cavalheiro se esqueceu de dizer que só em 1930 aquela cidade alcançou o seu primeiro milhão de habitantes e hoje sua população é de mais de 12 milhões, enquanto a região metropolitana ultrapassa os 21 milhões. Donde se conclui que o careca é uma anta e a ministra Rosa Weber labora em erro ao afirmar que todo juiz honra sua toga.

Não é verdade. Vários juízes desonram suas togas até mesmo no Supremo Tribunal Federal, Corte que abriga a ministra Rosa Maria Pires Weber.

Semana

Semana – Nem a arte do escultor chinês Ai Wey Wey é capaz de explicar a violência que tomou conta de Juiz de Fora nos últimos meses. Wey Wey, como temos visto na tevê, está expondo em São Paulo e uma de suas esculturas pesa 146 toneladas. Composta de ferro utilizado nas obras de concreto armado pode ser transportada e pesada em feixes, mas o peso da obra que o escultor está concluindo na China só poderá ser “estimado” e a peça exigirá base de concreto com dois metros de espessura.

Dizem os curadores e os críticos que a obra de Wey Wey, também grafado Weiwei, faz o público “pensar”, “refletir”, “meditar” e outras coisas que as pessoas podem fazer sem a obrigação de ver o corpo do referido artista, nu, deitado num colchão velho ao lado de uma jovem, também nua, que não é a senhora Lu Quing, sua mulher. Wey Wey nu e a moça do colchão estão representados em plástico branco.

E assim começamos a última semana das eleições. Não entendo como o ex-juiz Witzel e o Eduardo Paes podem digladiar-se pelo governo de um estado falido como o RJ. O debate paulista entre o Doria e o França, pela Band, foi muito divertido. No fundo, no fundo, tive a impressão de que os dois se gostam, mas trocam farpas, dizem cobras e lagartos.

Tevês e jornais do mundo inteiro, além dos presidentes e primeiros-ministros de diversos países, afetam preocupar-se com a morte do jornalista saudi-arábico Jamal Ahmad Khashoggi, sem que alguém tenha notado o motivo determinante do homicídio: Jamal Ahmad Khashoggi usava camiseta preta.

No mundo civilizado, camiseta preta, camisa social preta com gravata preta (ou de outra cor) justificam homicídios.

Maconha

Maconha – Ontem prometi contar o motivo pelo qual nunca fumei maconha, erva que também atende pelos seguintes nomes: abango, abangue, aliamba, bagulho, bango, bangue, bengue, birra, bongo, cangonha, diamba, dirígio, erva, fuminho, fumo, jererê, liamba, marijuana, massa, nadiamba, pango, rafi, riamba, seruma, soruma, suruma, tabanagira, umbaru.

Explicação simples: nunca me ofereceram. E olhem que frequentei rodas barra-pesadíssimas desde os 18 anos, todas ligadas ao álcool, nunca me ofereceram maconha, cocaína (o crack ainda não “existia”) e a pior delas todas, porque vicia na primeira aplicação: heroína.

Na rubrica química, alcaloide (C21H23NO5) derivado da morfina, com propriedades narcóticas e analgésicas. Cavalheiros lúcidos que experimentaram heroína dizem que a “sensação de entrar no céu” não pode ser melhor. O diabo é que o viciado logo descobre que o céu é um inferno.

Em matéria de vícios, o álcool é mais que suficiente. Álcool social, que não deve ser confundido com o alcoolismo. Conheci centenas de profissionais responsáveis, respeitados, todos do primeiro time, que sempre beberam socialmente. Lá uma vez ou outra o sujeito mamado faz uma besteira, mas não está livre de besteira igual ou pior sem álcool.

O resto é piu-piu, já dizia Ibrahim Sued, meu contemporâneo na redação de um Globo que não existe mais.

Notas

Notas – Elegante, alfabetizado, presidente da República Federativa do Brasil, Michel Miguel Elias Temer Lulia foi indiciado pela Polícia Federal junto com sua filha Maristela e mais nove comparsas num processo relacionado com o Porto de Santos em São Paulo, SP.

Notícia veiculada na tarde/noite de terça-feira, 16 de outubro corrente. Devo confessar que fui dormir na maior perplexidade, apesar de saber que vivo num país grande, bobo e corrupto, mesmo sabendo que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, condenado por unanimidade em segunda instância, está preso em Curitiba, PR.

E o Canadá, que não é o Uruguai, autorizou o consumo recreativo da maconha. Recreativo: “que dá prazer”, sensação ou emoção agradável, ligada à satisfação de uma vontade, uma necessidade, do exercício harmonioso das atividades vitais etc.

Nunca fumei maconha, mas sempre supus que os maconheiros consumissem a droga para ter prazer. Amanhã explico por que nunca experimentei o cânhamo, também conhecido como abango, abangue, aliamba, bagulho, bango, bangue, bengue, birra, bongo, cangonha, diamba, dirígio, erva, fuminho, fumo, jererê, liamba, marijuana, massa, nadiamba, pango, rafi, riamba, seruma, soruma, suruma, tabanagira, umbaru.

Feliz é o eleitor de Roraima, que pode votar num candidato honesto ao governo daquele estado. Chama-se Antônio Denarium e no meu dicionário latim-português denarium significa “moedas”. Nada melhor do que um candidato sério, que não esconde seu propósito governamental.

Maluquices

Maluquices – Não existe uma pessoa, um instrumento, um cálculo capaz de provar que o maldito horário de verão, no Brasil, economize energia elétrica, o que não tem impedido que sucessivos desgovernos insistam na chatice agravada, em 2018, com a sucessiva mudança nas datas em que a besteira funcionará.

Tudo compatível com a jiboia que apareceu (e sumiu…) no 23º andar de um prédio brasiliense. Morei na roça muitos anos. Tenho medo de serpentes veneníferas. Num só ano, no pequeno jardim de nossa pequena fazenda, a dona da casa abateu 35 jararacas a tiros. Foi um ano atípico. Ainda assim, era muita jararaca em torno da casa.

Jiboia não tem veneno, mas morde, ou pica, sei lá. O imbecil que a criava, sem autorização do Ibama, mora no 28º andar do tal prédio. Que se pode esperar de um sujeito que gosta de cobras?

Como sabe o caro e preclaro leitor de blogues, Carcassonne é uma comuna francesa do departamento de Aude, região da Occitânia. Em 2009 residiam na área urbana 96.420 pessoas.

Semana passada, 13 pessoas morreram na chuvarada que despencou na região, parecida com um temporal anotado por lá em 1891. A chuva de 2018 foi atribuída ao aquecimento global, enquanto a de 1891 correu por conta das chuvaradas que despencam aqui ou ali, eventualmente acolá, “desde que o mundo é mundo”. Resta saber se o WhatsApp também contribuiu para o temporal em Carcassone, como certamente o pum das vacas francesas vem influindo no clima europeu.

Quadro de insanidade agravado pela moda paulistana de jantar numa mesa, pendurada por um guindaste, 50 metros acima do nível do solo. Jantar de alta gastronomia, bancos de automóveis de corrida com cintos de segurança, vinhos, champanhes, comidas da melhor supimpitude. Até ontem não apareceram jiboias na mesa suspensa, mas no Brasil (e em Carcassonne) tudo é possível.

Natureza

Natureza – No tempo de antigamente dizia-se que certas cousas contrariavam a natureza. Dou-lhes exemplo atual nos telejornais da parte da manhã: aquela quantidade de automóveis contraria a natureza. O número de pessoas embarcadas dos trens, metrôs e ônibus também contraria a natureza.

Aí, temos a notícia de que 53 milhões de brasileiros vivem abaixo da linha de pobreza. São 15 vezes a população inteira do Uruguai. Cada um dos 53 milhões de patrícios vive com até 352 reais por mês, menos de 12 reais por dia e trepa com o entusiasmo, com o tesão de um padre chileno. Tesão de padre chileno virou sinônimo de potência sexual.

E Dom Carlos Antônio, bispo da diocese de Apucarana, atesta que a Rede Globo, as novelas da Rede Globo, a programação religiosa da Rede Globo, tudo da Rede Globo conspira para a destruição do cristianismo no Brasil.

Em sua homilia Dom Carlos Antônio foi vivamente aplaudido pela assistência. Está no youtube em cores, como convém.

E tem a jiboia que apareceu num apartamento do 25º andar de um prédio em Brasília. É tanta coisa contrariando a natureza, que vou parando por aqui.

Brasil…

Brasil… – Sexta-feira, 13 de outubro, Arthur Dapieve encerrou sua crônica semanal escrevendo: “Foram 25 anos…”. Na véspera, Celso Itiberê tinha concluído a sua com as seguintes palavras: “Foram 40 anos…” – e os dois explicavam que aquelas eram suas últimas matérias para o jornal que teve a coragem de inventar, há meses, seu desapreço pelo movimento militar de 1964.

Sábado, o arquiteto Washington Fajardo despediu-se dos leitores sem especificar o número de anos de sua colaboração, mas no domingo, 14 de outubro, Mauro Ventura explicou sua despedida ao cabo de 11 anos de colaboração regular.

Domingo espetacular com chamada de primeira página: “O que prometem, na retal final, os candidatos do Rio”. Ora, retal é “relativo ou pertencente ao reto”, “porção terminal do intestino grosso, que se estende até o ânus”.

Retal final só teria cabimento se a “filósofa” Márcia Tiburi, especialista em cus, ainda estivesse na disputa. Pelo visto, até a revisão da primeira página foi para o beleléu.

Concomitantemente, a coluna do senhor Ancelmo Gois anda atingindo a perfeição de conseguir piorar o péssimo. E o negócio vai por aí para tristeza dos que já trabalhamos naquele jornal. Esclareço que não fui despedido: demiti-me para morar no mato. Já contei o episódio um ror de vezes, motivo pelo qual peço licença para cuidar de assunto mais atual.

Depois de muitos anos de pesquisas, a ciência descobriu no pum da vaca o grande responsável pelo aquecimento global. Muito pior, dizem os cientistas, que o escapamento dos motores de milhões de automóveis que circulam pelo planeta.

Agora, cabe à medicina veterinária desenvolver o luftal vacum para resolver ou atenuar o problemão do peido bovino. Conhecida senhora da chamada melhor sociedade belo-horizontina é temida por seu tonitruante traquear. Como foi bonita, ribombou nos motéis da região quando corneava seu famoso marido.

E o imbróglio das placas, hein? Anunciadas ainda outro dia como grande novidade no emplacamento dos automóveis, já foram “proibidas”. O país é pouco sério, mas estava dispensado de exagerar.