Receita

Receita – Dias lindos, noites salpintadas de estrelas, temperaturas siberianas e o idoso constatando que os analógicos não se adaptam ao planeta digital. Como entender o processo do aluno Nimrod Reitman por assédio sexual contra sua professora e orientadora no curso de pós-graduação Avital Ronell, feminista, filósofa, lésbica? Nimrod é gay e vive maritalmente com um cavalheiro; Avital tem 66 aninhos e assediou seu aluno durante três anos, viajaram juntos, ela pedia beijos e sugeria que dormissem na mesma cama.

Este negócio de filósofa é um perigo e pode resultar na filosofia da senhora Márcia Tiburi, candidata do PT ao governo do RJ. O lesbianismo de Avital Ronell não deve ser dos mais fanáticos. De repente, depois de passar dos 60 resolveu experimentar o aparelho reprodutor externo de seu jovem e belo aluno.

Diante do exposto, a Universidade de Nova York, NYU, suspendeu a professora pelo período de um ano.

No terreno complexo dos assédios sexuais, lésbica idosa assediando gay trinta anos mais moço é notícia das mais originais, não há negá-lo. Assédios de todos os tipos e gêneros podem ser evitados se o assediado recorrer à culinária francesa.

Dou a receita. Encha um pirex do tamanho de uma xícara média com a mistura de manteiga e dentes de alho descascados, leve ao forno durante não sei quantos minutos até que a mistura se transforme numa espécie de “batata”. Deixe esfriar e saboreie. Alguns minutos mais tarde e durante horas você ficará incomível. Está para nascer o assediador que assedie alguém com aquele cheiro.

Horários

Horários – O programa Hora Um passou a começar às quatro da manhã obrigando a linda Monalisa Perrone a acordar por volta de meia-noite. Como será a vida de uma pessoa que acorda, cinco dias por semana, ali por volta de meia-noite?

Um professor da ESPM, que deve ser a Escola Superior de Propaganda e Marketing, constatou que os assinantes da tevê a cabo pagam por 80 ou 100 canais, mas só acompanham regularmente cinco deles.

Aqui em casa é assim e um dos canais que mais assisto é o GloboNews, ou a GloboNews, que inventou noticiários o dia inteiro. Começa às seis da matina com o Em Ponto e vai por aí até ao Jornal das 10 (da noite), com uma particularidade: somente cinco dias por semana. E as semanas, até ontem, tinham sete dias. Será que “os outros dias” não existem?

Começar um programa às seis da matina, como faz o Burnier na flor dos seus 57 aninhos, não deve ser fácil. O editor-apresentador deve chegar ao estúdio paulistano por volta das três. Só o trânsito é bom nas madrugadas de São Paulo. Será que José Roberto Sartori Burnier Pessoa de Mello sai de casa, antes das três, de barba feita, terno e gravata, ou deixa a barba e o terno para ajeitar na tevê?

Meu chefe de redação num jornal carioca fazia a barba no laboratório fotográfico da empresa às sete da manhã. Pois é: antes da era digital, os jornais tinham laboratórios para revelar os filmes.

Escrevi duas vezes “às seis da matina” e o corretor do computador sublinhou de verde “às”, explicando: “Neste caso, não se usa a crase”. Como sou teimoso, às vezes não obedeço ao corretor.

E volto aos canais que o sujeito paga para não assistir: são pavorosos, repetitivos, inacreditáveis. Nas poucas vezes em que dei uma zapeada fiquei horrorizado com a imbecilidade veiculada. Um imbecil faz um programa idiota que é veiculado na tevê e pago por um cretino. Programa repetido durante semanas.

Por derradeiro, uma constatação: Gênova, capital da região na Ligúria, noroeste da Itália, tem coisas originais. Em 1451 viu nascer Cristóvão Colombo, em 1949 foi a vez de Guido Mantega e agora, em 2018, no dia 14 de agosto, assistiu a um espetáculo inacreditável: a queda de uma ponte imensa, que não podia cair, mas caiu, matando um número ainda incerto de pessoas.

Eleições

Eleições – O blog de ontem beirou as 400 palavras, motivo pelo qual deixei de comentar a “obra de arte” estampada no segundo caderno do Globo de sexta-feira, um negócio colorido de 17 por 19 centímetros na foto, que deve expressar, no campo artístico, a puta que pariu seu autor, sem prejuízo das putas que pariram aqueles que divulgam a obra.

Mas o nosso assunto de hoje é eleitoral, depois que o Estadão informou os números da bancada evangélica na Câmara Federal: 182 deputados. Quando se reúnem, suas excelências abrem as mãos, fecham os olhos e pensam nos lucros pingando nos cofres de suas empresas isentas do pagamento de imposto de renda. Dá para imaginar o número de evangélicos eleitos nas próximas eleições.

O sofrido Estado do Rio de Janeiro, por exemplo, já tem uma lista de candidatos ao governo de fazer inveja aos melhores quadros do Zimbábue. Eduardo Paes (DEM), Romário (Podemos), Anthony Garotinho (PRP), Índio da Costa (PSD), Tarcísio Motta (PSOL), Márcia Tiburi (PT), Marcelo Trindade (Novo), Pedro Fernandes (PDT), Wilson Witzel (PSC) e Dayse Oliveira (PSTU).

Um time à altura dos governadores que infelicitaram aquele estado, não todos, é verdade, mas a esmagadora maioria. A candidata do PT é a gaúcha Márcia Angelita Tiburi, artista plástica, professora de Filosofia, escritora de 48 anos, casada com o magistrado Rubens Roberto Rebello Casara. Ela mesma, a senhora que filosofou sobre o ânus numa de suas palestras. Se eleita, pode convidar o Doutor Bumbum para secretário de Saúde do RJ. Alfim e ao cabo, o ânus faz parte do bumbum.

E assim passamos pelo Dia dos Pais, quando, de supetão, me fotografaram para veiculação num WhatsApp familial. Brequei a divulgação da foto pela falta de informações sobre o focalizado como é moda por aí. O certo seria dizer: Eduardo veste camisa Klus, casaco Hering, bermuda Theslo, fuma um Cohiba usa isqueiro Baide e relógio Thommy Hilfiger. Aí, sim, a foto poderia ser divulgada.

Zapeando

Zapeando – Zape, zápete, zapetrape, o Houaiss tem vários verbetes começados por “zap”, mas só encontro o verbo zapear no Aurélio: “Ver televisão, trocando frequentemente os canais, por meio do controle remoto”.

Zapeando os canais da tevê aberta, que são poucos, você pode encontrar programas curiosos. Um deles é o “Casos de Família”, à tarde, no sbt, Sistema Brasileiro de Televisão ou Tevê do Sílvio Santos. O Google tem 146.000.000 (cento e quarenta e seis milhões…) de entradas para o tal programa. Sugiro que o caro e preclaro leitor veja meia dúzia deles para constatar que “aquilo” existe e representa a maioria do povo deste país grande e bobo.

Constatado o fato, cuidemos da democracia, “governo em que o povo exerce a soberania” ou “sistema político em que os cidadãos elegem os seus dirigentes por meio de eleições periódicas”.

Pensadores ilustres atestam que a democracia é a melhor forma de governo, ou a menos ruim, como queira o caro e preclaro leitor de blogues. Contudo, se o referido sistema político não dispensa a eleição dos dirigentes pelos cidadãos de cada país, é preciso pensar nos eleitores da República do Zimbábue e da República Federativa do Brasil.

Daí a ideia que me ocorre e submeto ao leitor: é preciso inventar a democracia sem votos. Já existem invenções fantásticas como o Google e o sofá inteligente, que avisa quando você está sentado há muito tempo na mesma posição e sabe se você tirou um cochilo de xis minutos depois do almoço. Ora, deve ser muito mais fácil inventar a democracia que dispense o votante.

O jornalista que escreveu sobre as fotos de 8 onças-pardas no Parque Estadual dos Três Picos, na Serra de Friburgo, RJ, informou que o tal Parque Estadual  tem 65 mil hectares, “o equivalente a 65 mil campos de futebol”. Tanto ele como o seu editor são eleitores e devem pensar que alguém pode estabelecer equivalências com 65 mil campos de futebol. Ok, a burrice da dupla é do tamanho de um bonde – e o tamanho de um bonde pode ser “realizado” com um ou dois reboques, mas o campo de futebol não tem tamanho padronizado e varia, em números redondos, de sete a onze mil metros quadrados.

Cês querem saber de uma coisa? Vou parando por aqui. Tchau e bênção.

Néctar?

Néctar? – Uma cervejaria polonesa chamada “A Ordem de Yoni”, que significa vagina em sânscrito, vem de lançar uma cerveja feita a partir do “ácido láctico vaginal de modelos”.

A cervejaria descreve em seu site as características da bebida: “Imagine a mulher dos seus sonhos, seu objeto de desejo. Agora você pode experimentar como ela saboreia, sentir seu cheiro e ouvir sua voz”.

Na tradução para o português devem ter comido mosca no trecho “como ela saboreia”, pois quem saboreia é o consumidor. A cerveja é cara pelos padrões locais (R$ 24) e preta, dando razão ao personagem do Eça: “Em a gente se acostumando, a preta é uma grande mulher”.

Néctar, como vocês devem estar lembrados, na Grécia antiga era a bebida dos deuses do Olimpo, que, segundo a lenda, eternizava a vida. Em sentido figurado significa qualquer bebida deliciosa, encantamento, consolo, refrigério, sensação de deslumbramento.

Preta, loura, avermelhada ou miscigenada fará sucesso a cerveja que, sem propaganda específica, tenha o sabor do ácido láctico vaginal não necessariamente de modelos, que são muito magras e podem, por isso, influenciar no sabor do abençoado ácido.

Com ou sem ácido láctico vaginal, cadinho racial dá samba. Eduardo Giannetti, pensador respeitado, diz que a grande fortuna do Brasil é a mistura de índios, pretos e brancos, também chamada miscigenação.

Faz tempo que estudo o assunto nas pecuárias de corte e leiteira. Em inglês é three cross, cruzamento de três raças, mas depende de um negócio chamado “combinabilidade”. Nem sempre as raças melhores neste ou naquele quesito combinam bem.

Vou parando por aqui. O assunto é seriíssimo para ser tratado por um idoso ignorante. Se escrevesse um livro autobiográfico, o título seria: Asno com CPF.

Climáticas

Climáticas – Apesar da chuvarada de segunda-feira, Belo Horizonte conta com um dos melhores climas do planeta. O bairro da Serra é cinco graus mais frio que o centrão. Morei nos dois e sinto funda saudade do clima do centro daquela cidade, educadíssimo o ano inteiro.

O assunto vem à balha diante da onda de calor enfrentada pelos europeus e atribuída ao “aquecimento global” que inviabilizará a vida na Terra, dizem os pessimistas.

Calor igual ou menor que aquele de Cuiabá, capital do Mato Grosso. Lá estive muitas vezes e sei que o negócio não é de brincadeira, apesar dos ambientes refrigerados. Se você esquece uma esferográfica Bic no painel do automóvel estacionado ao sol cuiabano, descobre que a caneta fica enroscada em poucos minutos. Ainda bem que, hoje, é produto barato. Caixas com 50 unidades estão anunciadas nos jornais por R$ 25. E calculadoras “científicas” cheias de botões por R$ 29,50. Adoro anúncios de papelarias.

Em Cuiabá, apesar dos imóveis e automóveis refrigerados, você luta contra o calor o dia inteiro e só começa a melhorar sua “sensação térmica” a partir das sete da noite, quando toma a segunda ou terceira caipivodca de praxe.

Volto ao clima de Belo Horizonte para constatar um fenômeno inexplicável: pessoas inteligentes e bem-sucedidas que preferem morar num condomínio situado a meia hora da cidade, não raras vezes uma hora dos seus locais de trabalho. Condomínio cujo clima deve ser muito parecido com o do círculo polar ártico.

Jornalistas famosos, médicos vitoriosos, empresários ricos, todos tiritando de frio durante meses e meses, lareiras acesas, roupas cheirando a mofo – felicíssimos com a escolha feita.

Eufemismo

Eufemismo – Eufemismo é palavra, locução ou acepção mais agradável, de que se lança mão para suavizar ou minimizar o peso conotador de outra palavra, locução ou acepção menos agradável, mais grosseira ou mesmo tabuística.

Pensando nisso, por volta de 1970 os eufemistas inventaram o substantivo masculino andropausa – conjunto de alterações fisiológicas que marcam a diminuição natural e progressiva da atividade sexual do homem – para evitar o verbo brochar, regionalismo brasileiro que significa perder temporária ou definitivamente a capacidade de ter uma ereção. Brochadinhas eventuais “fazem parte”. Duro, mesmo, é quando fica mole per omnia saecula saeculorum…

Impende notar que Houaiss e Aurélio não se entendem sobre o desagradável assunto, considerando que o Aurélio abona broxa com xis. E agora os cientistas vêm de constatar o óbvio: a andropausa conduz a quadros depressivos. Queriam o quê? Alegria brochante? Festança do broxa?

Assunto que nos remete a um economista que hoje dirige grande clube paulista, foi professor do ITA, deve beirar os 70, de família judaica, cidadão feio pra dedéu, que diz: “Eu tive casamentos satisfatórios com mulheres maravilhosas, tenho filhas lindas, netos incríveis, ganhei dinheiro”.

Pois muito bem: os fados me permitiram acompanhar em Belo Horizonte um seminário promovido por publicação em que trabalhei. Palestrantes: Delfim Neto, Villas-Bôas Corrêa e o citado economista.

Delfim pediu 20 mil reais (doados a um instituto liberal) e passagem São Paulo-BH-Brasília no mesmo dia, sem pernoite em BH. Villas-Bôas Corrêa pediu sete mil reais, passagens Rio-BH-Rio para ele e a mulher sem reserva de hotel, pois ficaria em casa de parentes, e o economista pediu 11 mil reais, quatro passagens SP-BH-SP e a reserva de uma suíte de hotel para quatro pessoas…

Aí é que vem o melhor da festa. O economista trouxe três jovens companheiras, dormiu com elas numa suíte do BH-Othon Palace, fez a palestra e voltou com a trinca para São Paulo. Tem todo o direito de ficar deprimido quando pensar na inevitabilidade de sua andropausa.

Taqueospariu

Taqueospariu – É interjeição, locução, palavra, lexema, sintagma, que diabo é o taqueospariu que resmungo lendo os jornais? Aliás, por que continuo assinando jornais impressos? Talvez porque tenha trabalhado neles durante muitos e muitos anos, mas hoje as assinaturas não se justificam.

Onde andam os cronistas? Ok, há um Werneck, um Ignácio de Loyola e mais dois ou três pelejando num universo em que as credenciais são a cor, a barriga, a fama, o homossexualismo, as gracinhas dos netos ou aquela cabeleira afro que ofende a estética. Não é possível que alguém “goste” daquelas jubas à Marcelo do Real Madrid, e do rastafarismo capilar de mechas enroladas às quais se aplica banha ou cera.

Quantas vezes por mês os rastafarianos lavam as mechas de banha ou cera? Como é possível viver com aquele treco na cabeça ou com uma pessoa que cultiva aquele treco?

No jornais, cadernos inteiros fazendo a louvação da veadagem, do lesbianismo, das criaturas que recorrem à preposição latina trans “além de, para lá de”, o que suscita o assunto sexo.

A onda de frio dos primeiros dias de agosto deixou meu nariz gelado e me lembrou de um livro que li sobre os esquimós. Não os atuais, que vivem em casas aquecidas, mas os de antanho que habitavam iglus e se abstinham dos banhos e do sexo durante meses. Os esquimós cultivavam algo relacionado com o esfregar de narizes, que já não me lembro, mas dizia respeito à amizade ou à importância dos cheiros nos relacionamentos.

Na fazenda do Adelino, em São Brás do Suaçuí, MG, o relacionamento amoroso do Califa era um espetáculo assistido por todos os moradores da fazenda e gente que vinha de fora, quando avisada.

Garanhão mangalarga, o Califa já saía da cocheira sabendo o que iria fazer, cheirava amorosa e demoradamente cada um dos pés da parceira, efetuava a cobertura e se deixava ficar durante minutos sobre a fêmea, pescoço caído, como se estivesse dormindo.

Parecia sorrir e desmentia o ditado latino “Omnium animal post coitum triste”, que aceita a retificação “Triste est omne animal posto coitum, praeter mulierem et gallum” – depois do coito, todo animal é triste, salvo a mulher e o galo.

Sociedade

Sociedade – Coluna social do Estadão, 3 de agosto: foto de Lucília Diniz e Luiz Trabuco na sessão especial para convidados de “O Fantasma da Ópera”.

Lucília, 62 anos, três ex-maridos, filhos e netos, é empresária, escritora, apresentadora, socialite e youtuber especializada em temas de saúde e bem-estar. Trabuco, 66 anos, preside o Conselho de Administração do Bradesco.

Pela foto estão de cacho. Ela ainda palatável, ele sem cabelos brancos, devem estar aprontando, no que obram muitíssimo bem. 

Da família (ou famiglia?) Diniz, Grupo Pão de Açúcar, Lucília sempre foi deslumbrada. Ainda me lembro do vídeo feito em uma de suas fazendas durante o almoço ao ar livre com o marido plantonista, sujeito gordo, cara de bobo. Espetáculo constrangedor.

Conheci Luiz Carlos Trabuco Cappi há muitos anos, quando ele presidia a arapuca Bradesco Seguros, no almoço paulistano de um amigo comum, lobista, que operava na administração daquele banco. Lá estavam o Márcio Cypriano, então presidente do Bradesco, dois ministros de Estado e mais um monte de gente com champanha a rodo, uísques do primeiro time, charutos de Havana.

Claro que tomei um porre antológico, que me levou à varanda baixa, quase ao rés do gramado interno de um condomínio de alto luxo. Lá encontrei Luiz Carlos Trabuco Cappi, num porre maior que o meu, declamando poesias e chorando feito bezerro desmamado.

Banqueiro chorando ao declamar texto poético é cena incomum ao sul e ao norte do Equador. Desejo ab imo pectore, o que significa dizer “sinceramente”, que Luiz ame Lucília sem porres e prantos, alegremente, como idosos ajuizados.

Aproveitando a notícia que vi ontem na tevê, tão importante que merece caixa-alta: O BRASIL JÁ TEM 60 MILHÕES DE GAMERS. Com 60 milhões de gamers, o Brasil está dispensado de ter rodovias, segurança, ferrovias, hospitais, escolas, honestidade e competência na administração pública.

Fake

Fake – Esta conversa de Fato ou Fake, verdade ou mentira, esbarra na constatação de que a verdade – coisa, fato ou evento real – não está a salvo das divergências. Parece una, singular, indivisível, mas a verdade bíblica, por exemplo, provém de pontos de vista bem diferentes da noção ocidental, que remonta principalmente à terminologia grega.

Para os gregos a verdade é a concordância entre o pensamento e a realidade, a própria realidade enquanto se revela ao espírito.

Temos aspiração tipicamente grega à clareza, à compreensão teórica e intelectual.

A concepção bíblica da verdade, porém, é existencial; corresponde a um desejo prático de conhecimento para a vida. Na própria Bíblia a noção evoluiu: no judaísmo e no NT o termo verdade é cada vez mais relacionado com a lei, a revelação, a palavra de Deus.

Não raras vezes, pelo final das tardes, zapeio o televisor LG de 47 polegadas à procura de um canal que transmita algo palatável. E o que vejo é uma sucessão assustadora de pastores tomando os cobres dos crentes com “suas” verdades, que nem mesmo são as bíblicas.

Deve ser uma espécie de verdade-tunga, no sentido de ato ou efeito de tungar; furto, roubo, que não deve ser confundida com o artista Antônio José de Barros Carvalho e Mello Mourão, conhecido como Tunga, falecido em junho de 2016, o primeiro artista contemporâneo do mundo a ter uma obra no Louvre.

Nunca vi uma obra do finado Tunga que fosse do meu agrado, mas devo ter gosto “diferente” dos críticos de arte. Acho horríveis as obras do Gaudí (1852-1926) em Barcelona, mas tenho amigos distintos que adoram o arquiteto catalão. Donde se conclui que é melhor não concluir nada e deixar como está para ver como é que fica.