Futuro, Eleições e Números

Futuro – É auspiciosa a notícia de que Sérgio Cabral Filho e sua Adriana de Lourdes Ancelmo estão matriculados num curso de Teologia, ciência ou estudo que se ocupa de Deus, de sua natureza e seus atributos e de suas relações com o homem e com o universo.

Provisoriamente presos, ele em Benfica, ela no belo apartamento do Leblon, devem cursar Teologia a distância. Logo, logo, estarão soltos, a exemplo de Marcelo Bahia Odebrecht, que já vai passar o Natal em casa.

Os milhões de reais e dólares roubados por Sérgio e Adriana foram desfalcados pelos honorários pagos aos seus advogados. Jus est ars boni et aequi, o Direito é a arte do bem e do justo, ou a arte do bom e do justo, ensina o Google. Portanto, é justo que o bom advogado tome boa parte dos bens roubados, deixando o casal menos rico.

Na emergência, nada melhor do que um curso de Teologia para embasar a fundação de uma igreja evangélica que recomponha e multiplique a fortuna do casal. Zapeando os canais evangélicos da tevê convenci-me de que o plural de fé é fezes.

 

Eleições – Em 2018 vosso país conhecerá os resultados das novas eleições democráticas. Com antecedência de vários meses todos sabemos que serão catastróficos. Lula foi eleito duas vezes, Dilma foi eleita duas vezes. Nem se diga que os eleitos em 2018 vão espelhar o analfabetismo do eleitorado, pois o fenômeno tem sido visto e repetido em países alfabetizados. Trump foi eleito nos Estados Unidos; Hitler, na Alemanha. Tenho amigos estimáveis que adoram Trump, tive amigos estimáveis que curtiram Hitler. Um deles, nascido na Alemanha nazista, industrial no Rio, pai de moças muito bonitas, não podia ouvir o nome de um general hitlerista que não se levantasse da cadeira e ficasse em posição de sentido,       postura tensa em que o militar se mantém perfilado, com os calcanhares unidos, cabeça imóvel apontando para a frente, e palmas das mãos apoiadas nas laterais das coxas.

Não fora militar, mas menino pequeno na Alemanha de Hitler. Diverti-me à beça e à bessa citando nomes de líderes nazistas só para vê-lo naquela posição. Foi logo depois que li “Ascensão e Queda do Terceiro Reich”, de William L. Shirer.

Uma de suas filhas bonitas casou-se virgem com um amigo meu, apaixonadíssimo durante o namoro e o noivado. Lá estive na igreja e na festa do matrimônio desfeito ao cabo de dois anos.

Tempos depois, almocei com o amigo, que me contou detalhes do casamento. Deflorou e emprenhou a jovem na lua de mel. Menos de um mês de casado, ainda sem saber da prenhez, perdeu o tesão matrimonial. Passou a procurar garotas de programa duas, três vezes por semana, para confirmar que o negócio não era com ele, mas em casa com ela. Nasceu o filho, desquitaram-se.

A ex foi passar uns tempos em casa de uma amiga casada, rolou um clima com o marido da amiga, que levou a hóspede para a cama e também não conseguiu consumar o ato. O substantivo de dois gêneros admite também o feminino hóspeda, pouco empregado.

Procurou meu amigo e lhe contou de seu fracasso na cama, como fiquei sabendo no dia em que almoçamos numa churrascaria do Flamengo. A espécie humana é muito mais complicada do que se possa imaginar. Só os resultados eleitorais são previsíveis: umas bostas aqui e ali, como também acolá.

 

Números – As tevês continuam assassinando os números do noticiário. Dia 12 de dezembro, no Bom Dia, Brasil, a morena Ana Paula disse que os incêndios da Califórnia já queimaram 1.300 hectares, “área equivalente a 130 campos de futebol”. Normalmente, a informação “esclarecedora” considera cada campo de futebol equivalente a um hectare (dez mil metros quadrados), o que já é uma besteira. Ana Paula, coitada, foi vítima de um redator de teleprompter que descobriu campos de futebol de 100 hectares.

Na véspera, quando o incêndio californiano andaria pelos 972 hectares, a senhora Leilane Neubarth esclareceu que a área queimada era de 972 metros quadrados. Metros quadrados confirmados pela maranhense Aline Midlej, âncora da GloboNews do dia 12, que seria muito bonita sem as tatuagens nas costas e numa das canelas.

 No telejornal matinal do dia 11, a linda Candice Carvalho, morrendo de frio, ao alcançar a região do ataque terrorista em Nova York, disse que passam por dia, naquele ponto da cidade, 175 milhões de pessoas.

Candidez em pessoa, Candice contraria o seu sobrenome Carvalho Feio. Nada tem de feia, é bonitíssima.  

Brasília, DF

Brasília, DF – Muita coisa que acontece em Brasília só pode ser consequência dos raios cósmicos que atingem o planalto central brasileiro. Os “raios” são partículas extremamente penetrantes, dotadas de alta energia, que se deslocam a velocidades próximas à da luz no espaço sideral, colidem com os núcleos dos átomos da atmosfera terrestre e chegam a Goiás provocando as maluquices que temos visto.

Conheço Brasília desde a sua concepção. Estive entre os oitos brasileiros que assistiram Oscar Niemeyer traçando, no Rio, o esboço do Catetinho. Episódio ocorrido num apartamento da Rua Gomes Carneiro, divisa de Copacabana com Ipanema.

Voltando de uma caçada no Pantanal, desci do avião numa Brasília que era só poeira, quando os primeiros edifícios da futura Praça dos Três Poderes estavam sendo construídos. Tomei outro avião para o Rio no dia seguinte. Desde então, lá estive algumas vezes hospedado nas casas de amigos.

Numa delas, participei de jantar em que havia oito ministros de Estado. Magro, queimado de sol, metido num jaquetão cinzento de lã inglesa, sentei-me ao lado de poderosa senhora do primeiro escalão, dez anos mais velha, mas ainda muito comível. Mesa redonda para dez pessoas.

Conversa vai, conversa vem, notei que a alta funcionária esfregava seu joelho na minha perna. Educadíssimo que sempre fui, retribuí o agrado com esgregadas, prelibando o gozo de uma cópula na cúpula da República.

Caminhava o jantar nesse pé, ou nessas coxas e joelhos, quando a referida senhora contou para todos nós de um sonho que tivera na véspera. Sonhou com um pênis ereto e ficou sem saber se o colhia, quando surgiu uma flor na ponta do chanfalho.

Nessa hora gravíssima para os destinos da brasilidade, ninguém menos que Mário Palmério – o imenso Palmério de “Vila dos Confins” – que se acercara de nossa mesa, tomou a palavra para atalhar o tableau dos comensais. E nos contou do enterro, em Uberaba, de um dos seus muitos eleitores.

O digno defunto uberabense fizera em quadro de ereção post mortem, que impedia o fechamento da tampa do caixão. Consultado, um médico recomendou a ablação do membro, vetada pela viúva em prantos. Deputado Federal, Palmério convocou um carpinteiro, que pegou suas ferramentas na oficina próxima e fez um buraco na tampa do caixão. Ainda assim, o chanfalho defunto emergia através do buraco, problema que o deputado tentou solucionar com um montinho de flores, sem sucesso, até que Palmério descobriu pendurado, na parede da casa modesta, um capacete da Revolução Constitucionalista de 1932. E foi assim, com o capacete cobrindo o membro, que o ex-revolucionário pôde ser transportado e enterrado.

Se o caro e preclaro leitor pensa que o episódio terminou ali está muito enganado. A mulher de um ministro de Estado, que circulava pelo salão, ouviu a história do capacete e nos fez o favor de cantar o hino da Revolução de 32: “Salve os heróis de 32/ das falanges paulistas/ que ao vosso lábaro das treze listas/ destes o sangue, a vida, o amor!”.

Imperdível, Preços, Urucânia e Vídeo

Imperdível – Hoje, 11 de dezembro, a Academia Mineira de Letras promove mesa-redonda com o tema “90 anos de Ariano Suassuna: olhares sobre a sua poesia”. O debate será conduzido pela professora doutora Ângela Vaz Leão, a professora doutora Marcélia Guimarães Paiva e a professora mestra Karina Calado.

Das três, só conheço pessoalmente Ângela Vaz Leão e atesto que é uma das mulheres mais inteligentes do planeta. Não há dinheiro que pague um debate que conte com a sua participação. Por isso, o ingresso é gratuito. Horário: 19h30.

 

Preços – Vivendo em Minas neste dezembro de 2017, Bill Shakespeare descobriria que os preços juiz-foranos são piores que os podres do Reino da Dinamarca. Com a receita médica de um comprimido diário ao longo de três meses, uma senhora de posses limitadas procurou drogaria famosa pelos encartes coloridos nos jornais de circulação nacional. Preço de 30 comprimidos: R$ 240,00. Mais adiante, outra farmácia vende o remédio por R$ 140,00, o que não impede uma terceira farmácia de vender por R$ 72,00.

Feliz da vida, a referida senhora comprou os 30 comprimidos por R$ 72,00, mas descobriu pouco adiante uma quarta farmácia que vende o mesmo remédio por R$ 40,00.

 

Urucânia – Os temporais de dezembro fizeram estrago tremendo em Urucânia, MG, cidade que foi famosa pelos incontáveis milagres atribuídos ao padre Antônio Ribeiro Pinto (1879-1963). Milhares de pessoas visitavam a cidade, que hoje tem cerca de 10 mil habitantes.

Otto Maria Carpeaux, filho de pai judeu e mãe católica, nascido Otto Karpfen em Viena (9.3.1900), emigou para o Brasil em 1939 fugindo do nazismo, casado desde 1930 com Helena Carpeaux. Fluente em inglês, francês, italiano, alemão, espanhol, flamengo, catalão, galego, provençal, latim e servo-croata, em um ano dominou o português. Naturalizou-se brasileiro. Ensaísta, crítico literário, crítico de arte, historiador, crítico de música e jornalista, publicou livros monumentais como “A História da Literatura Ocidental”, em 1947, uma das mais importantes obras publicadas no Brasil no século XX.

Homem considerado muito feio, Carpeaux sofria de uma incongruência biomecânica e neuromotora, que gera um reflexo de espasmo em certos músculos forçando a mandíbula para fora do lugar (eta Google!). Problema que faz o queixo cair deixando o sujeito de boca aberta.

Certa feita, na rodoviária de Belo Horizonte, ao comprar uma passagem de ônibus, ao dizer que desejava um bilhete para…, teve o espasmo e ficou de boca aberta. O pobre bilheteiro adivinhou: “Para Urucânia…” e o gênio austro-brasileiro, recompondo a mandíbula, perdeu as estribeiras: “Para o Rio de Janeiro, seu filho da puta!”.

 

Vídeo – Bombou na internet um vídeo que repassei, constrangido, à lista genteamiga. Nele, uma professora da Uerj ensina seus alunos, moças e rapazes, a instalar com a boca uma camisinha no pênis de um dos alunos. Seria fake? Só pode ser, mas o mundo anda tão maluco que tudo é possível.

Obtive minha carta de bacharel na faculdade do Catete, hoje da Uerj. Não tive uma só professora. Não consigo imaginar o professor Joaquim Pimenta (1886-1963), autor de respeitada Enciclopédia de Cultura, ensinando nossa turma a instalar camisinhas com a boba. Era dele a previsão logo no primeiro dia de aula: “Os senhores entram burros e saem cavalos”. Bondade pura. Entramos burros e saímos burros bacharelados.

Interação, Na mosca, Penico pênico, Jornalismo e Palavras

Interação – Virou moda na tevê interagir com os telespectadores. O cidadão normal liga o televisor para ver um jogo de futebol contando com o narrador e o comentarista, profissionais do ramo. Durante a partida, contudo, é bombardeado pelas asneiras dos sujeitos que interagem com o canal. Do interior do Ceará, um cavalheiro pede ao narrador que mande um abraço para a mãe dele, e o narrador manda.

Só um imbecil completo interage com o canal escrevendo tolices, que o narrador é obrigado a veicular pela direção da tevê. A imbecilidade dos diretores acha que a interação com os imbecis aumenta a audiência do canal e o número de anunciantes.

 

Na mosca – Quando aquele maluco matou 49 frequentadores de uma boate gay em Orlando, Flórida, escrevi que se tratava de um caso de auto-homofobia, pois o assassino frequentava a boate, sinal de que era gay.

Outro dia Day McCarthy, codinome da capixaba Dayane Alcântara Couto de Andrade, de 28 anos, foi acusada de injúria racial. Injuriou Títi, de 4 anos, filha adotiva de Bruno Gagliasso e Giovanna Ewbank. Vi a foto de Dayane nos jornais e diagnostiquei: caso de autorracismo. Dayane é mulatíssima: nariz, lábios, cor da pele.

Dois dias depois do meu diagnóstico publicado neste blogue, a capixaba confessou que também se considera negra e sofre preconceito. Modéstia às favas, mais uma vez acertei na mosca.

 

Penico pênico – Pé de moleque não tem hífen, sinal em forma de um pequeno traço horizontal (-), usado para unir os elementos de palavras compostas, separar sílabas em final de linha e marcar ligações enclíticas e mesoclíticas (por exemplo, em guarda-chuva, telefonaram-lhe, fá-lo-ei).

Se a crase não foi feita para humilhar ninguém, o hífen irrita, mas pode divertir o irritado, quando se põe a pesquisar nos dicionários eletrônicos e acaba descobrindo penicos pênicos.

Na antiga Cartago, hoje Tunísia, Norte da África, as pessoas usavam penicos, vasos para urina e dejeções. Cartago foi uma antiga cidade, originariamente uma colônia fenícia no norte da África, situada a leste do lago de Túnis, perto do centro de Túnis, na Tunísia. Foi uma potência na Antiguidade, disputando com Roma o controle do mar Mediterrâneo.

Catão, o Velho, (234 a.C.-149 a.C.) era um chato. Basta dizer que escreveu em latim um livro sobre agricultura, “De Agri Cultura”, e todos os sujeitos que escrevem sobre agricultura, com exceção de Nelson Palma Travassos, são chatíssimos.

Com sua primeira mulher teve somente um filho. Morta a primeira, Catão, caminhado em anos, papou nova companheira entre suas escravas em idade fértil, a belíssima Salônia, e fez nela outro filho. Que se pode esperar de um homem que se casa duas vezes? Pois muito bem: tribuno e escritor brilhante, Catão vivia pedindo a destruição de Cartago numa frase que o imortalizou. Como não falava inglês, foi mesmo em latim: “Ceterum censeo Carthaginem esse delendam”. E o penico pênico entrou neste belo blogue porque pênico é sinônimo de cartaginês.

Nos dicionários você encontra pé de galinha e pé-de-galinha, pé de cabra e pé-de-cabra, pé-de-burro e pé de burro, pé de boi e pé-de-boi, pé de chumbo e pé-de-chumbo, o que significa dizer que é rigorosamente impossível aprender a hifenizar.

 

Jornalismo – “O título da competição continental será decidido daqui há uma semana, no Rio de Janeiro. Flamengo e Independiente jogarão na próxima quarta-feira, dia 13, às 21h45 (Brasília), no Maracanã”.

Daqui há uma semana!!! Transcrevi do provedor Terra antes das seis da matina de ontem, 7 de dezembro. É o português do nosso atual jornalismo.

 

Palavras – Alfabetizado, professor universitário, Michel Miguel Elias Temer Lulia não está livre de escrever ou dizer asneiras. Aquela carta dirigida a Dilma Vana queixando-se da vice-presidência decorativa foi um monumento de ignomínia.

Outro dia, almoçando com o cocalero Morales, falou do “terrorismo inadequado” daqueles que são contrários à reforma da Previdência. Quem fala de terrorismo inadequado admite a existência de terrorismo apropriado, conveniente, decente, decoroso.

Linha de pobreza, Provérbio e Lição

Linha de pobreza – Todo santo dia a mídia nos fala das pessoas que vivem abaixo da linha de pobreza. No mundo, passam de um bilião; 22% dos brasileiros vivem abaixo da tal linha, que varia conforme a realidade de cada país. Vai de US$ 3,20 nos países de renda média baixa a US$ 5,50 por dia nos países de renda média alta, entre os quais o Brasil.

São 18 reais por dia, R$ 540,00 por mês. Um salário mínimo, dos novos, não permite que duas pessoas vivam acima da linha de US$ 5,50 por dia. Que dizer, então, de uma família?

 

De cotio – É de cotio, a cote, cotidianamente: “pequenos reparos” cortam a luz na avenida principal de Juiz de Fora. Além da bagunça nos computadores, há gente debaixo dos chuveiros elétricos, nos elevadores, clínicas, hospitais, Santa Casa e outros locais onde a falta de luz por cinco minutos pode causar estragos tremendos. O “pequeno reparo” de 29 de novembro durou uma hora.

Já morei sem luz com filhas pequenas, mas tinha geladeira e freezer a gás, lampiões, fogão de lenha, água aquecida na serpentina do fogão fervendo na caixa do telhado, radinhos de pilhas, velas, lanternas e pequena tevê ligada na bateria do automóvel. Dava para viver apesar do frio terrível mil duzentos e sessenta metros acima do nível do mar. Meses depois, miniusina hidrelétrica quebrou o galho.

Recente na história da humanidade, a eletricidade doméstica tornou-se indispensável. Ainda em 1906 – “outro dia” em termos históricos – anúncios nos jornais paulistanos diziam das vantagens de ter luz em casa. E as lâmpadas eram dadas pela empresa anunciante, que as trocava de graça quando queimavam.

Viver nas cidades em 2017, sem luz elétrica, deve ser difícil, como atestam os gatos que levam energia aos barracos das favelas, perdão, “comunidades”. Mais que isso: há notícias de bairros inteiros de boas casas, padrão classe média e classe média alta, abastecidos por gatos. Alfim e ao cabo, como dizia o craque Gerson, brasileiro gosta de levar vantagem em tudo.

 

Provérbio – O Google tem 235.000 entradas para “quem ama o feio, bonito lhe parece”. Se o feio é riquíssimo, o provérbio fica assim: “quem ama o feio, muito bonito lhe parece”. Caprichando, posso recorrer ao advérbio de uso formal: “quem ama o feio, assaz bonito lhe parece”.

Deve ser o sentimento da jovem senhora Hortência Silva Oliveira, de 29 anos, grávida de 7 meses do deputado estadual Jorge Sayed Picciani, de 62, que seria feio se não fosse horrível.

Bombaram nas redes sociais as fotos do casal, a jovem senhora com aquele barrigão de 7 meses, o marido com aquela papada que exubera, exabunda, sobreabunda, superabunda.

No dia em que escrevo, Picciani está preso. Logo, logo estará solto a navegar nos mares corrompidos deste país grande e bobo (gilmares?), ontem tem filho ministro de Estado, filho deputado estadual, filho zootecnista também preso e filho no ventre de Hortência.

 

Lição – “Devo advertir o ilustre amigo que os pés de moleque de Piranguinho são muitos, mas os melhores, incontestavelmente, são os da Barraca Vermelha, que já transportei para Portugal, em grandes quantidades, pelo menos duas vezes, e minha irmã de Barcelos outras duas, quando cá esteve. Por que escrevo no plural? Porque são vários: o de amendoim inteiro, o de amendoim moído, o pé de moça, que leva leite condensado etc. Efusivos cumprimentos. Grande abraço e boa semana”.

Foi a lição que recebi de um amigo, quando escrevi sobre “coincidências” citando o pé de moleque sul-mineiro.

Linha verde, Polícia Federal, Coincidências e Esboroamento

Linha verde – Ruy Castro, mineiro genial, se recusa a escrever pela ortografia inventada na última reforma. Escreve do jeito que deve ser escrito e deixa as mudanças por conta dos revisores do jornal.

Aqui em casa, sem o talento e a coragem do Ruy, tento escrever pela última reforma e conto com o auxílio de um corretor ortográfico meio maluco, que ora funciona, ora aceita as piores erronias.

De uns tempos a esta parte, o referido corretor começou a sublinhar com uma linha verde algumas palavras e frases. Clicado com o botão direito do mouse, o corretor avisa que errei ou sugere modificações. Quando escrevi sobre a cidade de Três Rios, dizendo “Três Rios é quente”, a linha verde corrigiu: “Três Rios são”.

A partir daí, dá para imaginar o tanto que pode ser feito no mais difícil dos capítulos da sintaxe da nossa língua – a regência. Com a milagrosa informática, é possível embutir no corretor, inteirinhos, os dicionários de Verbos e Regimes, e o de Regimes de Substantivos e Adjetivos, do imenso Francisco Fernandes.

 

Polícia Federal – Tem faltado na mídia um comentário, unzinho só, de natureza estética, sobre fenômeno que vemos todos os dias na tevê: mais que bonitas, muitas agentes da Polícia Federal são lindas. Acordadas e uniformizadas desde as quatro da matina, cabelos soltos ou presos, enfeitam as operações da PF. Claro que a maioria é normal, algumas acima do peso, bundudas, revólveres nas cinturas avantajadas, mas as bonitíssimas impressionam pela qualidade.

 

Coincidências – Semana passada, um amigo promotor de Justiça mandou-me nova remessa do famoso pé de moleque de Piranguinho, MG, a capital nacional do pé de moleque. Dia seguinte, no programa da CBN sobre culinária, o chef Rusty Marcellini, falando sobre terroir, palavra francesa sem tradução noutros idiomas, citou o pé de moleque de Piranguinho. Le Petit Robert informa no verbete terroir (1246; tieroer, 1198; lat. pop. terratorium, altér. gallo-rom. de territorium).

Achei a coincidência muito grande, mas não chega aos pés daquela de ontem com a funcionária doméstica que me assiste. A excelente patrícia tem dois prenomes não muito comuns e dois sobrenomes. Pois muito bem: foi fazer, aqui perto, um exame de ressonância magnética e o funcionário da clínica informou: “A senhora já foi examinada hoje”.

Conversa vai, conversa vem, constataram que a outra paciente, de nome igual, realmente fez o mesmo exame uma hora antes. A única diferença é que minha funcionária tem o “da” entre os prenomes e os sobrenomes. A médica responsável quase teve um treco e descobriu que as duas pacientes têm a mesma idade, com a diferença de meses.

 

Esboroamento – É mais que evidente o esboroo de um grande grupo brasileiro de comunicação. Fico triste porque trabalhei lá, demiti-me para morar na roça e mereci de três diretores, dois deles coproprietários, reunião de uma hora pedindo que não deixasse a empresa que “precisava do meu humour”.

Impérios muito maiores, imensamente ricos e poderosos, esboroaram. Processo que pode levar meses, anos, dezenas de anos, mas parece inevitável. Estertorantes, cometem canalhices que tisnam suas histórias: “O caso mais doloroso foi a saída de William Waack de seu posto de trabalho” escreveu Fernando Gabeira domingo, 3 de dezembro, na página 2 do segundo caderno do Globo. Vale notar que Gabeira trabalha na tevê e no jornal do grupo que esboroa, mas o juiz-forano sempre foi corajoso, intrepidez que transmitiu à filha surfista de ondas altas.

E acrescentou sobre Waack: “Sempre o achei um excepcional jornalista. E nós precisamos dele no Brasil, com sua experiência e conhecimento do mundo”.

Circo

Circo – Haroldo Lobo, Milton Oliveira e Carvalhinho, autores de “O Circo Vem Aí”, quando escreveram “Ai, o circo vem aí/ quem chora tem que rir/ com tanta palhaçada”, não podiam adivinhar a palhaçada circense em que chafurda este país grande e bobo.

Tem ladrão preso que é pai de ministro de Estado, ladrão preso que é pai de deputado federal, ladrão preso que é pai de deputada federal, ladra presa e solta no dia seguinte com tornozeleira, ladrão preso e solto três dias depois com tornozeleira, ministro do STF especializado em soltar ladrões – o circo da corrupção ultrapassou os limites do imaginável.

Num país sério bastaria uma dessas palhaçadas para configurar quadro seriíssimo. Aqui as temos às dúzias todas as semanas. O problema é velho de 400 anos, mas passou da conta.

Pregando em 1655 na Igreja da Misericórdia de Lisboa, perante o rei dom João IV de Portugal e sua corte, os maiores dignitários do reino – juízes, ministros e conselheiros – o padre Antônio Vieira (1608-1697) constatava: “O ladrão que furta para comer, não vai nem leva ao inferno: os que não só vão, mas levam, de que eu trato, são outros ladrões de maior calibre e de mais alta esfera; os quais debaixo do mesmo nome e do mesmo predicamento distingue muito bem São Basílio Magno. Não só são ladrões, diz o santo, os que cortam bolsas, ou espreitam os que se vão banhar para lhes colher a roupa; os ladrões que mais própria e dignamente merecem este título são aqueles a quem os reis encomendam os exércitos e legiões ou o governo das províncias, ou a administração das cidades, os quais já com mancha, já com forças roubam cidades e reinos: os outros furtam debaixo do seu risco, estes sem temor nem perigo: os outros, se furtam, são enforcados, estes furtam e enforcam”.

E mais adiante: “O que eu posso acrescentar pela experiência que tenho é que não só do Cabo da Boa Esperança para lá, mas também da parte de aquém, se usa igualmente a mesma conjugação. Conjugam por todos os modos o verbo rapio, não falando em outros novos e esquisitos, que não conhecem Donato nem Despautério. Tanto que lá chegam começam a furtar pelo modo indicativo, porque a primeira informação que pedem aos práticos é que lhes apontem e mostrem os caminhos por onde podem abarcar tudo. Furtam pelo modo imperativo, porque, como têm o misto e mero império, todo ele aplicam despoticamente às execuções da rapina. Furtam pelo modo mandativo, porque aceitam quanto lhes mandam; e para que mandem todos, os que não mandam não são aceitos. Furtam pelo modo optativo, porque desejam quanto lhes parece bem; e gabando as coisas desejadas aos donos delas por cortesia, sem vontade as fazem suas. Furtam pelo modo conjuntivo, porque ajuntam o seu pouco cabedal com o daqueles que manejam muito; e basta só que ajuntem a sua graça, para serem, quando menos, meeiros na ganância. Furtam pelo modo permissivo, porque permitem que outros furtem, e estes compram as permissões. Furtam pelo modo infinito, porque não tem fim o furtar com o fim do governo, e sempre lá deixam raízes, em que se vão continuando os furtos. Estes mesmos modos conjugam por todas as pessoas; porque a primeira pessoa do verbo é a sua, as segundas os seus criados e as terceiras quantas para isso têm indústria e consciência. Furtam juntamente por todos os tempos, porque o presente (que é o seu tempo) colhem quanto dá de si o triênio; e para incluírem no presente o pretérito e o futuro, de pretérito desenterram crimes, de que vendem perdões e dívidas esquecidas, de que as pagam inteiramente; e do futuro empenham as rendas, e antecipam os contratos, com que tudo o caído e não caído lhes vem a cair nas mãos. Finalmente nos mesmos tempos não lhes escapam os imperfeitos, perfeitos, plusquam perfeitos, e quaisquer outros, porque furtam, furtavam, furtaram, furtariam e haveriam de furtar mais, se mais houvesse. Em suma, o resumo de toda esta rapante conjugação vem a ser o supino do mesmo verbo: a furtar, para furtar. E quando eles têm conjugado assim toda a voz ativa, e as miseráveis províncias suportado toda a passiva, eles, como se tiveram feito grandes serviços, tornam carregados e ricos: e elas ficam roubadas e consumidas… Assim se tiram da Índia quinhentos mil cruzados, da Angola, duzentos, do Brasil, trezentos, e até do pobre Maranhão, mais do que vale todo ele.

Quatro anos antes na Bahia, em 1641, perante o vice-rei, marquês de Montalvão, Vieira pregara: “Perde-se o Brasil, Senhor (digamo-lo em uma palavra) porque alguns ministros de Sua Majestade não vêm cá buscar nosso bem, vêm buscar nossos bens… El-rei manda-os tomar Pernambuco e eles contentam-se com o tomar. Este tomar o alheio é a origem da doença. Toma nesta terra o ministro da Justiça? Sim, toma. Toma o ministro da República? Sim, toma. Toma o ministro da Fazenda? Sim, toma. Toma o ministro do Estado? Sim, toma. /…/ E como tantos sintomas lhe sobrevêm ao pobre enfermo /…/ milagre é que não tenha expirado”.

Notícia, Racismo fashion, Tempo e Comentário

Notícia – O Jornal Nacional, edição de 27 de novembro, foi econômico ao noticiar o noivado da atriz americana Meghan Markle com o príncipe Harry, neto da rainha Elizabeth II. Vai ver que o JN considera mais importantes as notícias dos namoros de Bonner com Natasha Dantas e de Fátima com o jovem Túlio Gadêlha.

Todos os noticiários dos outros canais destacaram o noivado de Harry, informando que a moça é três anos mais velha que ele, divorciada e filha de negra com branco. Psicoterapeuta e professora de ioga, mãe negra em Los Angeles, onde Megham nasceu, deve ser mulata claríssima, a julgar pelas feições e pela cor da pele da atriz. Barak Obama, mulato no mundo inteiro, nos Estados Unidos é “negro”.

Fosse negra retinta, Megham poderia despertar o interesse libidinal do príncipe com base no depoimento de um personagem do Eça: “Em a gente se acostumando, a preta é uma grande mulher”. Eça foi cônsul na Inglaterra e deve ter sido largamente traduzido para o idioma dos Pitts e dos Chaucers.

Incompreensível, no campo da atração sexual, é o interesse de Charles, pai de Harry, pela bagulhal Camilla, duquesa da Cornualha. Tem bagulhal no Google, pouco mais de 120 entradas, mas tem.

Camilla, Duchess of Cornwall, GCVOCSMPC (née Camilla Rosemary Shand, previously Parker Bowles; born 17 July 1947), is the second wife of Charles, Prince of Wales.

 

Racismo fashion – Camisa curta, sem fralda, gola ou abertura frontal, com ou sem mangas curtas, geralmente feita de tecido de malha, usada diretamente sobre a pele, como traje informal, e às vezes sob uma camisa ou blusa – a camiseta é muito usada pelos cavalheiros sérios em várias regiões do planeta.

Implico solenemente com as camisetas de cores escuras, pelo seguinte: vestimenta em contacto com a pele deve ser limpíssima, imaculadamente branca. No país dos meus sonhos, cavalheiros de camisetas escuras sob camisas sociais ou esportivas, seriam espancados como muçulmanos rohingya pelos budistas de Myanmar.

Camisetas e camisas negras, no mesmo país sonhado por mim, seriam proibidas por leis que cominassem penas severas aos utentes. Não pelo precedente italiano “camicie nere”, mas por questões higiênicas. Na Itália, a Milícia Voluntária para a Segurança Nacional foi um grupo paramilitar fascista, que se transformou em organização militar. No Brasil atual, defensores das camisetas negras dizem que elas “emagrecem”, quando há maneiras mais saudáveis e inteligentes de emagrecer.

Por derradeiro, convenhamos em que o último parágrafo deste belo suelto ficou da melhor supimpitude: “leis que cominassem penas severas aos utentes”. O adjetivo utente, em lugar do abjeto usuário, e o verbo cominar, são raríssimos no português que circula por aí.

 

Tempo – Segunda-feira à noite, 27 de novembro, a loura meteorologista do Jornal da Band, baseada em fotos de satélites, anunciou temporais tremendos numa faixa que incluía Juiz de Fora, chuvarada confirmada logo depois pela meteorologista do Jornal Nacional, bela mulher negra. Na manhã de terça-feira, dia dos temporais previstos, a simpática e bonita morena meteorologista da Globo confirmou a previsão das colegas e disse que ninguém, aqui em JF, deveria sair de casa “sem sombrinha ou guarda-chuva”.

Como resultado da chuvarada prevista, tivemos uma terça-feira de sol o dia inteirinho. Donde se conclui que, em vez de prever chuvas que não chovem, as meteorologistas das nossas tevês melhor fariam se limitassem o seu trabalho a noticiar o tempo “real”: no Rio 30 graus, sol, em Cuiabá, 32 graus, muita chuva, em Fortaleza, 33 graus, tempo seco.

 

Comentário – Admirável comentário do doutor Chico Pinheiro, ontem, com aqueles anéis escuros que enfeitam suas mãos, depois que um correspondente falou da missa rezada pelo papa em Myanmar e da viagem para Bangladesh: “Taí… É o papa fazendo o seu trabalho”.

Televisão, Autorracismo e Redação

Televisão – A GloboNews presenteou os assinantes da tevê a cabo com um programa sobre drogas sintéticas. A começar pelos repórteres, ninguém entendeu absolutamente nada. Atento ao assunto, barulhento, confuso, como se todos estivessem drogados, o programa foi uma droga.

Rodrigo “Digong” Roa Duterte, 16º presidente das Filipinas, bem que se esforça para matar traficantes e drogados, mas o planeta está cheio de idiotas que adoram experimentar drogas.

Aí, você aprende no Google que o jeito mais comum de consumir ecstasy, também conhecido como “bala” em sua versão pura (MD), é engolindo a pílula, mas há gente que prefere cheirá-la em pó ou enfiá-la no ânus. Bala é a droga preferida dos baladeiros por aumentar a sensibilidade para luzes, sons e toques. Superaquecimento do corpo, taquicardia e desidratação, di-lo a internet, são os verdadeiros perigos.

Nesses casos, tomar muita água pode ser tão fatal quanto ficar sem. Uma garota norte-americana de 15 morreu em um festival depois de tomar MD e muita água. Ensina a mesmíssima internet que o corpo sofre intoxicação caso a água seja tomada muito rapidamente.

Razão teve Joaquim Soares da Cunha, baiano exemplar, no dia em que um comerciante lhe deu água no cálice da cachaça regulamentar. Joaquim lançou o berro que fez surgir seu apelido: Quincas Berro d’Água. E Jorge Amado (1913-2001) publicou seu livro antes da internet.

Quanto à metanfetamina, droga muito potente e altamente viciante, cujos efeitos se manifestam no sistema nervoso e periférico, acabo de aprender sua fórmula química e suponho que você, ilustrado leitor de blogues, esteja curioso de saber: C10H15N.

 

Autorracismo – Residente no Canadá, a capixaba que falou mal da filha dos atores Giovanna Ewbank e Bruno Gagliasso, adotada na República do Malawi, sofre de autorracismo: odeia sua própria raça. Nas fotos estampadas nos jornais, dá para ver que a capixaba têm os dois pés em África.

 

Redação – Não dá para entender a importância atribuída à redação nas provas do Enem. No jornalismo, por exemplo, redação e conhecimentos de português são hoje desnecessários. São malvistos os profissionais que têm noções de regência verbal, de colocação pronominal e outras bobagens adotadas pela língua culta.

Escrito, falado, televisado, o jornalismo atual exige a repetição de besteiras como indicar os pontos cardeais das cidades: zona oeste do Rio, zona sul de São Paulo, zona norte de Goiânia, zona leste do Recife. Que importância tem para o telespectador a notícia de que um fato ocorreu na zona sul do Rio? A Rocinha e o Leblon, respectivamente uma das maiores favelas do Brasil e o metro quadrado mais caro do Rio, ficam na zona sul.

São Paulo e Rio têm favelas imensas embutidas nos chamados bairros nobres. Falei favelas? Peço perdão: a moda é chamar de comunidades.

Entre outras acepções, comunidade é “população que vive num dado lugar ou região, geralmente ligada por interesses comuns”. Quais são os “interesses comuns” entre os traficantes e a população honesta da Rocinha, de Paraisópolis?

E as jornalistas da GloboNews que não se limitam ao “obrigada” quando recebem notícias, ao vivo e em cores, de outros jornalistas? Muitas dizem “obrigada pelas suas informações”. Fico furioso com o arremate “pelas suas informações”.

Empregos e Antroposofia

Empregos – Muita gente se queixa do desemprego neste país grande e bobo, mas há ofertas interessantes aqui mesmo em Juiz de Fora, cidade-polo da Zona da Mata de Minas.

Operoso cavalheiro, dono de dois açougues, oferece emprego de balconista e acena com o salário de R$ 1.740,00 de carteira assinada, esclarecendo que o balconista deve levar seu almoço de casa.

Tive o cuidado de anotar e conferir os horários para informar ao leitor deste belo blogue. De segunda a sexta-feira das 8 às 19 horas. Sábado das 8 às 15 horas. Domigo é uma sopa: das 8 da matina ao meio-dia.

 

Antroposofia – Qualquer doutrina a respeito da natureza espiritual do ser humano, antroposofia ou antropossofia, nas rubricas filosofia e religião, é doutrina mística formulada pelo pensador espiritualista austríaco Rudolf Steiner (1861-1925) que, com base na teosofia de Blavatsky (1831-1891) e em questionamentos filosóficos, políticos e religiosos, procura refletir a respeito da condição humana.

Puta que o pariu!, exclamaria um sujeito mal-educado, mas sou cavalheiro educadíssimo e curioso, tanto assim que fui ao Google para aprender alguma coisa da agricultura antroposófica, que faz sucesso em pequenas regiões do Rio Grande do Sul, na Alemanha e noutros lugares. Ouvi na CBN que um quilo de arroz antroposófico custa quatro vezes mais que o arroz comum – e há quem compre.

Acabo de ler alguma coisa sobre o assunto no Google e descubro que a agropecuária antroposófica deve ser estimulada no mundo inteiro como forma de diminuir o trabalho dos psiquiatras esvaziando os hospícios, assim como as penitenciárias.

No capítulo das preparações de campo para estimular a formação de húmus, por exemplo, processo P500 (chifre-esterco), o sujeito pega uma mistura de húmus preparada para encher o chifre de um bovino fêmea (leia-se “vaca”) com estrume de gado, enterrando o chifr, no outono, entre 40 a 60 cm abaixo da superfície do terreno. O conjunto é deixado em decomposição durante o inverno e recuperado para uso na primavera seguinte. Foi demonstrado que o rendimento médio do processo pode ser de 35 gramas de “preparado seco” por chifre.

Preparação que trabalha no desenvolvimento radicular da planta, na forma da planta e na sua vitalidade, promovendo o seu crescimento bem como a microvida do solo ativo na fração do húmus. A agitação durante uma hora completa o processo de elaboração do (chifre-esterco) que se torna “ativo assim que ele é espalhado sobre a terra”.

No processo P501 (chifre-quartzo), o quartzo é esmagado e pulverizado para encher o chifre bovino (de vaca) enterrando-o no solo na primavera, recolhendo-o no outono.

Os chifres podem ser os mesmos usados no P500. E o negócio vai por aí na agropecuária antroposófica, que só é possível nas regiões que não criam bovinos mochos, isto é, sem chifres.

Esquizofrenias paranóides, hebefrênicas, catatônicas, indiferenciadas, residuais, simples e depressões pós-esquizofrênicas, episódios maníacos, episódios depressivos, transtornos somatoformes, personalidades anancásticas, pedófilos, assassinos seriais, estupradores, deputados e senadores envolvidos na Lava-Jato – a agropecuária inspirada em Steiner, que se baseou em Blavatsky, será uma bênção para a humanidade, com o só risco de provocar nova doença, a viadagem antroposófica, praticada pelos cavalheiros que resolvam enfiar os chifres (de vacas) naqueles orifícios que notória pudicícia não me deixa especificar.