Confusão

Confusão – Redigida em búlgaro, grego clássico ou quirguistanês, a decisão judicial que autorizou um grupo de psicólogos a atender eventuais clientes interessados em reverter suas tendências sexuais não seria tão criticada, tão incompreendida quanto aquela de permitir aos autores da ação o livre exercício profissional.

Em rigor, só dois comentaristas entenderam a decisão do juiz: este philosopho, no blog do dia 20 de setembro, e o juiz Renato Zupo, da comarca do Araxá, MG, no artigo que publicou na imprensa esmiuçando o assunto e defendendo o colega.

Todos os demais analistas que li na mídia nacional meteram o pau da decisão judicial, chamada de “cura gay”, mostrando que não leram ou não entenderam a autorização do magistrado.

No suelto William, do blog do dia 20, philosophei: “Não confundir com Willian, craque do Chelsea e da seleção de Tite: William Shakespeare matou a charada em inglês: To be or not to be, that is the question.

A questão, a pergunta, a interrogação, o problema, o assunto, o exame, o debate bombou na mídia, nas redes sociais, no país inteiro quando o Conselho Federal de Psicologia (CFP) afirmou que vai recorrer ‘em todas as instâncias possíveis’ da decisão liminar da Justiça Federal do DF, proferida na última sexta-feira (15/9), que permite aos psicólogos tratar gays, lésbicas e bissexuais como doentes, sem, por isso, sofrer qualquer tipo de censura ou penalidade.

Pelo visto, não bastaram as tempestades e os estragos dos furacões Irma e Maria no Caribe e nos EUA. O Brasil cuidou de sua tempestade em copo de água com a respectiva barulheira. É claro, como também é óbvio e evidente, que toda pessoa pode ser homossexual, como também é claro que alguns homossexuais podem ter o direito constitucional de reorientar a respectiva sexualidade.

Se há psicólogos dispostos a ajudá-los na ingente reorientação, ninguém tem nada com isso. O resto é piu-piu, já dizia Ibrahim Sued, meu contemporâneo na redação do Globo”.

No caderno Viagem, do Estadão, edição de 26 de setembro, aprendo que homossexualismo é crime em 70 países, em nove deles punido com a pena de morte. O Brasil, que oficialmente não tem pena de morte, caminha no sentido de punir o heterossexualismo com todas as penas do inferno.

Faz o maior sucesso nos teatros um monólogo em que Jesus Cristo é interpretado por atriz transgênero, magríssima, Renata sei-lá-de-quê, provando que o inspirador da era cristã era mulher.

A matematicidade, qualidade do que é rigoroso, exato, inquestionável, esbarra nos números da sexualidade humana e Fernanda Gentil, di-lo o provedor Terra, ganha beijo da namorada Priscila Montandon na distribuição do Prêmio Comunique-se.

A primeira demografia do comportamento sexual humano foi feita nos EUA pelo Dr. Alfred Kinsey em seus livros “Comportamento Sexual no Macho Humano” (1948) e “Comportamento Sexual na Fêmea Humana” (1953). Estes estudos utilizaram um espectro de sete pontos para definir o comportamento sexual, usando 0 para completamente heterossexual a 6 para completamente homossexual. Na pesquisa de Kinsey, 37% dos homens dos EUA tinham atingido o orgasmo através do contato com outro homem e 13% das mulheres tinham atingido o orgasmo através do contato com outra mulher. Em seu estudo, cerca de 10% dos homens se relacionavam com predomínio de atividade homossexual e 11% se relacionavam igualmente com homens e mulheres. Entre mulheres, 9% das mulheres solteiras e 3% das divorciadas se relacionavam predominantemente com mulheres e 7% das mulheres solteiras e 4% das divorciadas igualmente com homens e mulheres.

Em 2009, em uma pesquisa realizada pela Universidade de São Paulo em 10 capitais do Brasil, 7,8% dos homens diziam-se homossexuais e 2,6% bissexuais, para um total de 10,4%; 4,9% das mulheres diziam-se lésbicas e 1,4% bissexuais, para um total de 6,3%.

Até aqui foram 598 palavras para tentar entender um assunto que não é da conta das pessoas de bem e de tino. Pela atenção, muitíssimo obrigado.

Sintomas

Sintomas – As multidões na Cidade do Rock, a plateia e o palco do programa do Faustão, idem para as plateias e os palcos do Sílvio, do Huck, do Serginho e seus colegas, os plenários da Câmara, do Senado, das Assembleias e das mais de cinco mil câmaras de vereadores, a Rocinha e as demais “comunidades” do Rio, as “comunidades” de outras capitais como a Sol Nascente em Ceilândia, Brasília, DF – conjunto de sintomas que significa, em Medicina, falência múltipla de órgãos.

Mudando de assunto, Isis Valverde, 30, é aiuruocana ou aiuruoquense, sinal de que nasceu em Aiuruoca, MG. Em tupi, significa “casa de papagaio”, com perdão do parequema “ca-ca”, que lembra Kakay e seu aniversário de 60 anos festejado em Portugal.

Antônio Carlos de Almeida Castro, o Kakay, alugou os salões do Palácio Xabregas para receber em Lisboa os amigos que foram do Brasil para abraçá-lo.

Cerca de 220 convidados se reuniram na construção da freguesia do Beato, datada do século XVI, que teve como primeiro proprietário dom Tristão da Cunha, nobre da confiança dos reis dom Manuel e dom João III.

Dom Tristão da Cunha não deve ser confundido com o Dr. Tristão da Cunha, nascido em Teófilo Otoni, Minas Gerais, cidadão digno, avô deste menino Aécio Neves da Cunha.

Entre outros mimos, o aniversariante ofereceu aos amigos um show de Carminho, a mais famosa da nova geração de fadistas. Advogado de celebridades, empresários e políticos, Kakay é patense de Patos de Minas, sendo portanto conterrâneo de Arlindo Porto Neto, ex-senador, ex-ministro da Agricultura, mineiro que não perde uma festa nos melhores salões belo-horizontinos.

Roberto Carlos, Aécio Neves da Cunha, Roseana Sarney, Edison Lobão, Duda Mendonça, José Dirceu, Carolina Dieckmann e Romero Jucá figuram na lista dos clientes de Kakay.

Roseana Sarney e o marido Jorge Murad estiveram no Palácio de Xabregas para abraçar o aniversariante. Famosos criminalistas como Alberto Toron, Marcelo Leonardo e Roberto Podval também foram abraçar o colega patense.

Muitos dos mais famosos clientes do ilustre Kakay não puderam comparecer à festa porque estão presos. Outros, em prisão domiciliar, tiveram seus passaportes apreendidos.

E o mais importante da festa não foi noticiado: a marca dos charutos distribuídos. Um bom charuto vale mais que meia dúzia de convidados.

Ibéricos, Loucura e Polícia

Ibéricos – Ao contrário do que se possa imaginar, os ibéricos não se preocupam somente com os seus presuntos. Sentindo-se desconfortáveis na península de 582.000 km2, já porque têm idiomas próprios, já porque se consideram diferentes da maioria, constituem países como Portugal em 92.212 km2 dos 582.000 km2 totais, ou tentam separar-se como a Catalunha e o País Basco.

Muito me espanta que o Maranhão, com os seus 331.983 km2 e brilhante população orçando por 6.850 milhões de almas, não se livre do Brasil para fulgurar no concerto das nações civilizadas.

Os britânicos enchem suas bocas para falar de Shakespeare, dos Pitts e dos Chaucers, que, no campo intelectual, não chegam aos pés dos Sarneys.

 

Loucura – Reunidos em congresso internacional, os melhores psiquiatras do mundo não seriam capazes de imaginar o nível de loucura do ex-médico Farah Jorge Farah em seus últimos anos de vida.

Farah era cirurgião-plástico; Hosmany Ramos, outrossim. Ainda bem que um Pitanguy e um José Carlos salvaram a reputação daquela especialidade médica.

 

Polícia – Carentes de verbas, equipamentos e profissionais, as polícias brasileiras se viram com o que têm e demoram para solucionar homicídios instigantes, como o da psicóloga e pesquisadora aposentada da FGV Maria Lúcia Magalhães.

Aos 72 anos, parecendo 60, a psicóloga gostava de malhar e não perdia uma sessão da academia, de segunda a sábado. Estimada pelos colegas de ginástica e vizinhos de prédio em Ipanema, tida como pessoa cordial, era solteira sem filhos. E apareceu morta em seu apartamento numa cena em que o assassino simulou afogamento, depois de matá-la com uma pancada no pescoço. Obra de maluco ou de maluca até hoje não identificado(a).

Não houve roubo no apartamento, o que sugere crime passional, complicando ainda mais as coisas. Os jornais e a internet esqueceram o assunto nos últimos dez dia, em parte pela situação da Rocinha, em parte pela importância atribuída ao Rock in Rio.

Pauladas, Constitucionalidades, Malucos e Horário de Verão

Pauladas – Semana passada, Michel Miguel Elias Temer Lulia levou duas pauladas capazes de desacoroçoar um cidadão. Quinta-feira, 21 de setembro, recebeu em palácio a visita de Valdemar da Costa Neto. Não faço ao leitor deste belo blogue a descortesia de recordar quem é o neto de Valdemar Costa.

Sobrevivendo à visita, Michel Miguel teve o dissabor de enfrentar no sábado, 23 de setembro, seu aniversário de 77 anos. É duro, duríssimo, é desumano receber cumprimentos por alcançar 77 anos, sobretudo e principalmente no dia em que o caderno Ela, do Globo, estampou foto colorida de primeira página, com o título “O amor cura”, em que dois rapazes brasileiros, torsos desnudos, se beijam gulosamente.

Valdemar da Costa Neto, aniversário de 77 anos e foto gay ocupando toda a primeira página de um dos cadernos de jornal de circulação nacional, em 48 horas, são pauladas muito piores do que todas as denúncias da Procuradoria-Geral da República, ainda quando incluam as figuras do Angorá e do Fodão.

 

Constitucionalidades – O ministros do STF perderam o seu e tomaram o tempo do telespectador analisando o ensino de religião nas escolas públicas. Ora, bolas, se a escola é pública o ensino só pode ser laico: “que ou aquele que não pertence ao clero nem a uma ordem religiosa”.

Se a família do estudante é religiosa, que trate de procurar escola particular nos conformes de sua crença. Os evangélicos, por exemplo, podem escolher entre o evangelho quadrangular (que tem quatro ângulos) e o circular, aquele que só permite o sexo através de um buraquinho nos lençóis, como recomenda uma igreja de muito sucesso aqui em Juiz de Fora. Sem olvidar, naturalmente, as demais denominações evangélicas. Algo me diz que as escolas do apóstolo Valdomiro só perdem para Harvard e para o M.I.T.

Nas escolas israelitas, o ensino do controle dos auditórios deve fazer parte do currículo para explicar o sucesso de Silvio Santos, nascido Señor Abravanel, de Angélica Ksyvickis Huck e Luciano Grostein Huck, Sérgio Groisman.

Tudo, evidentemente, sem respeitar o besteirol da Constituição de 1988. Aí é que está: se foi estudada, discutida e aprovada pelos parlamentares brasileiros, muitos dos quais ainda vivos e atuantes, a Carta Magna não merece o menor respeito.

 

Malucos – O pior daquilo que Donald J. Trump diz da demência de Kim Jong-um, e o norte-coreano diz da loucura de Trump, é que ambos têm carradas de razão.

 

Horário de Verão – Se o governo atual acabar com o Horário de Verão será lembrado pelas pessoas esclarecidas nas próximas gerações. Horário de Verão funciona em diversos países, mas no Brasil é macaquice.

Prestígio, Rocinha, Prateleiras e Desrespeito

Prestígio – Durante anos acompanhei o prestígio, a grande influência de um amigo nos mais altos escalões brasileiros. Baseado no que vi, ouvi e soube, atesto que ninguém pode imaginar o quadro. É curioso notar que o substantivo masculino prestígio vem do latim tardio praestigium,ii, que significava charlataneria, embuste.

Neste suelto significa poder de atração, sedução, fascinação, encanto, grande influência exercida por pessoa sobre outras pessoas.

Antes que a maldade humana possa pensar que procurei o prestigioso brasileiro, devo esclarecer que fui procurado por ele na fazendinha de Itaipava: levou um litro de uísque para conhecer o autor de alguns livrinhos sobre agropecuária. Nesse dia ele era diretor de um jornal dos Associados e foi levado à fazendinha por um amigo comum, engenheiro dos Associados. Entornamos três litros de uísque, o dele e dois meus, ficamos amigos.

A partir de então, acompanhei sua entrada e sua carreira numa das grandes redes de televisão até alcançar a direção nacional de jornalismo. Morando em Juiz de Fora, ajudei-o a procurar uma fazendinha próxima do Rio para passar os finais de semana. Visitei cerca de 50 fazendolas à venda – Opala, pneus e combustível por minha conta – até encontrar a propriedade que o amigo comprou.

Nela, durante anos, tomei uísques e vinhos da melhor supimpitude, fumei imensos charutos presenteados pelo embaixador de Cuba e assisti, boquiaberto, às visitas de um sem conto de famosos e poderosos à fazenda do jornalista, que foi obrigado a improvisar heliporto numa área próxima.

Aí é que está: ministros, governadores, senadores, bilionários – ninguém dispensa as visitas ao cavalheiro de prestígio jornalístico, que, por seu turno, acha que ficou gostoso e pode comer as melhores mulheres do país.

Ao som de numeroso uísque, amigo e palpiteiro livrei-o de muitas enrascadas que teriam destruído seu casamento até hoje estruturado nos conformes dos melhores matrimônios. Conselho simples: come quieto, mas não separa. Divisão de patrimônio conjugal só funciona para os advogados.

Em louvor da direção que lhe deu tamanho prestígio, seja dito que jamais me ofereceu trabalho na rede que dirigia. Sabia de minha péssima situação financeira, representada por um Opala todo enferrujado, com mais de 300 mil quilômetros rodados, e vivia perguntando: “Esta merda ainda funciona?”

Mas emprego na tevê nunca me ofereceu, prova da seriedade com que exercia a importante função.

 

Rocinha – Nos tiroteios da Favela da Rocinha, onde vivem 70 mil pessoas, um fato curioso tem sido esquecido: a avenida que serpenteia a favela já foi pista de um circuito de Fórmula 1. Nele correram, entre outros, o lendário Juan Manuel Fangio (1911-1995).

Circuito que passava pela Visconde de Albuquerque, no canal do Leblon, pela Avenida Niemeyer, subia pela Rocinha e descia pela Marques de São Vicente, pavimentada com paralelepípedos, sem esquecer os trilhos dos bondes. Assistência em pé nas calçadas sem guard-rails, muros, barreiras de pneus, sem nada de coisa alguma: milhares de fãs nas calçadas, inclusivamente o menino que já fui.

O Circuito da Gávea, também conhecido como Trampolim do Diabo, foi disputado pela primeira vez em 1932 e a última corrida foi em 1954. Chico Landi venceu três vezes e tinha a melhor volta: 7min03s.

 

Prateleiras – Saudoso amigo cardiologista tinha formação psicanalítica e vivia falando de uma quarta prateleira, à qual ninguém tem acesso. Se entendi alguma coisa, o analista consegue acessar a terceira prateleira do cliente, mas a quarta é inalcançável.

Não sei se minha confissão de hoje está na terceira ou na quarta, mas o fato é que gostei muito: passei a mão na bunda desnuda da namorada de um amigo. Estávamos os dois casais quase nus e não resisti à tentação de alisar a bunda da bela jovem, mesmo reconhecendo que o traseiro da minha namorada é da melhor supimpitude.

Antes que o caro e preclaro leitor pense que estou maluco, que faço um quadro de lubricidade senil ou resolvi participar de uma suruba, explico: passei a mão na bunda da moça e acordei alegre. Estava dormindo.

 

Desrespeito – Que se pode esperar de um país em que não se respeita um ministro de Estado? Revoltou-me saber que no sistema Drousys, da Oebrecht, ilustre ministro tem o codinome FODÃO na planilha de subornados.

Foda é tabuísmo de cópula (ato sexual). Tabuísmo é palavra, locução ou acepção tabus, consideradas chulas, grosseiras ou ofensivas na maioria dos contextos. FODÃO, portanto, é tabuísmo grande, inadmissível na apelidação de ilustre ministro de Estado.

Poética, Cisplatina, Em directo e Prisão

Poética – Nada melhor do que reunir poetas num programa de tevê, como fez a GloboNews, para revelar ao mundo certa poesia que se faz por aí. Um dos convidados, nordestino caminhado em anos, pançudo, calvo, brancas barbaças, quis ter a gentileza de levar imenso ventilador, daqueles de pé, e um saco cheio de tufos de capim fino e seco. Ligando o ventilador, retirava do saco punhados de capim que as pás do aparelho elétrico espalhavam pelo ambiente poetizado. Existe algo mais poético do que jogar capim no ventilador?

A sinonímia de poeta, no Houaiss, remete à de visionário, que não se esquece da significação muito próxima de excêntrico: bizarro, esdrúxulo, esquisito, estapafúrdio, estrambótico, estranho, exótico, extravagante, incomum, inusitado, inusual, invulgar, mirabolante, singular.

O programa da GloboNews foi tudo isso e mais alguma coisa. Poesia e maluquice nem sempre caminham de mãos dadas. Houve e há poetas  mentalmente sadios, mas na tevê os malucos são mais divertidos.

 

Cisplatina – Neymar deixa de seguir Cavani no Instagram, dizem os jornais noticiando esta versão recente da Guerra da Cisplatina, de cisplatino: “que está situado aquém do rio da Prata”. O conflito histórico durou de 1825 a 1828, enquanto o atual começou na hora da cobrança de um pênalti no jogo do PSG contra o Lyon. O brasileiro Neymar quis bater a falta, o uruguaio Cavani também quis e quase chegaram às vias de fato no vestiário, depois do jogo.

Mais grave que isso: Neymar deixou de seguir Cavani no Instagram. É ofensa para ser examinada pela Assembleia Geral da ONU, antes que o Brasil volte a guerrear o Uruguai e vice-versa ao contrário.

 

Em directo – Está ficando difícil ligar o imenso televisor LG. Em cores e em directo, como dizem os portugueses, tragédias naturais e massacres anunciados arrasam o telespectador.

Furacões no Caribe, terremotos no México, tiroteios no Rio, limpezas étnicas aqui e ali, eventualmente acolá, sem falar da interminável guerra da Síria.

 

Prisão – O cantor sertanejo Rafael, da dupla Fábio e Rafael, foi preso na manhã de quarta-feira, 20 de setembro, pela Polícia Civil, em uma operação contra falsificação de cigarros. O cantor foi detido em um prédio de luxo em Londrina, norte do Paraná. O imenso ônibus da dupla foi apreendido durante a operação, que me pareceu um exagero. Falsificar cigarros é crime muito menor do que sair por aí cantando música sertaneja.

Resposta, Esquisitices, Notas seminais e William

Resposta – No teste de ontem, você deve ter notado que, arrumadas, as seis primeiras letras das palavras em caixa alta formam o lexema Brasil.

Lexema, morfema lexical. Unidade de base do léxico, que pode ser morfema, palavra ou locução.

Nestes dias em que pouquíssimas pessoas têm palavra, precisamos recorrer às outras unidades básicas do léxico, ao correr da pena, para evitar as meias palavras e as últimas palavras para evitar a esparrela, o logro, a peça. Lexema é substantivo perfeito.

 

Esquisitices – Cerca de 25% de sangue britânico talvez expliquem minhas esquisitices. Aquele negócio de dirigir na contramão e insistir nos ônibus de dois andares desandou aqui em casa no gosto pelo uísque e pelos gramados. Bebi desgarrafadamente durante séculos e, sempre que possível, cultivei gramadinhos da melhor supimpitude. Nas roças, o gramado separa a civilização da barbárie.

 

Notas seminais – João Batista Sobrinho, 84, pai de Wesley, Joesley & outros, assumiu a presidência do Grupo JBS com a prisão de dois dos seus filhos. Fosse infértil, João não teria filhos biológicos e poderia ser mais feliz na educação de filhos adotivos.

Ibrahim Abud Neto, desbravador do norte do Paraná, não podia ver patrício prosperando que não recomendasse: “Precisa estocar o sêmen dele: filho de turco chegar a ministro…”. Se ainda estivesse por aqui, Ibrahim já teria defendido a transferência de Michel Miguel Elias Temer Lulia para uma central de inseminação artificial: filho de turco chegou a presidente.

Sêmenes bons produzem filhos bons ou ótimos, enquanto semens ruins, que são maioria, devem ser evitados. Difícil, mesmo, é evitar o uso dos plurais de sêmen – semens e sêmenes – na hora de encher linguiça. Aprendi-os no Houaiss há cerca de cinco minutos.

 

William – Não confundir com Willian, craque do Chelsea e da seleção de Tite: William Shakespeare matou a charada em inglês: To be or not to be, that is the question.

A questão, a pergunta, a interrogação, o problema, o assunto, o exame, o debate bombou na mídia, nas redes sociais, no país inteiro quando o Conselho Federal de Psicologia (CFP) afirmou que vai recorrer “em todas as instâncias possíveis” da decisão liminar da Justiça Federal do DF, proferida na última sexta-feira (15/9), que permite aos psicólogos tratar gays, lésbicas e bissexuais como doentes, sem, por isso, sofrer qualquer tipo de censura ou penalidade.

Pelo visto, não bastaram as tempestades e os estragos dos furacões Irma e Maria no Caribe e nos EUA. O Brasil cuidou de sua tempestade em copo de água com a respectiva barulheira. É claro, como também é óbvio e evidente, que toda pessoa pode ser homossexual, como também é claro que alguns homossexuais podem ter o direito constitucional de reorientar a respectiva sexualidade.

Se há psicólogos dispostos a ajudá-los na ingente reorientação, ninguém tem nada com isso. O resto é piu-piu, já dizia Ibrahim Sued, meu contemporâneo na redação do Globo.

Incêndios, Teste e Magrinho

Incêndios – A temporada de incêndios florestais faz que o pessoal das tevês insista na besteira de informar que as áreas queimadas são equivalentes a “tantos” campos de futebol. Primeiro, porque campo de futebol pode ter áreas de diversos tamanhos; depois, porque é impossível para o telespectador imaginar área equivalente a seis mil campos de futebol. Mais simples, mais correto, mais inteligente seria falar dos hectares queimados. Cada hectare tem dez mil metros quadrados.

 

Teste – BANDO LADRAVAZ AUTORITÁRIO SEMPRE ROUBANDO INSTITUIÇÕES. Se bem que meio confusa, a frase explica a situação brasileira. Um bando de ladrões autoritários (relativos a autoridades) sempre roubando as instituições (Petrobras, BNDES, Caixa, Eletrobrás & Cia.).

Que mais você notou na frase em letras maiúsculas? Resposta no blog de amanhã, falou?

 

Magrinho – O blogue de hoje está magrinho. Muita coisa acontecendo, pouco tempo para comentar. Gorducho, mesmo, só o ditador da Coreia do Norte.

Viajantes recém-chegados da Suécia e da Alemanha me contam que a 30 quilômetros de Estocolmo ainda se encontram pequenas cidades suecas habitadas por gente com cara de sueco, enquanto a capital já está pintalgada de imigrantes árabes e africanos.

Em Munique, na Alemanha, a situação é diferente: de vez em quando você vê um alemão naquela multidão de turcos, árabes e africanos. Lembra nossa política: de raro em raro, a gente vê um político honesto.

Amor, Textos e Simplificação

Amor – Chamada de primeira página no Globo de 16 de setembro decreta “Todos amam Pabllo Vittar”. Como sou parte do “todos”, fui ao caderno Ela, superiormente editado por Renata Izaal, para conhecer meu amor, que também é seu, caro e preclaro leitor deste belo blogue: a Rainha da WEB.

Descobri que o nosso amor tem 22 anos, é drag queen, tem 4 milhões de seguidores no Instagram, é fã de Beyoncé e diz: “Podem me chamar no masculino ou no feminino”. Com a devida vênia, tiro meu time do campo.

 

Textos – Publicados regularmente na imprensa, diários, semanais ou mensais, os textos assinados despertam reações curiosas em muitos leitores. Homens e mulheres fantasiam situações com os autores, não raras vezes chegando aos finalmentes.

A sexualidade humana sempre foi muito mais complexa do que as justificativas daqueles que gostam de maxixe e jiló. A sinonímia de maxixe diz tudo:  maxixe-bravo, maxixe-do-mato, pepino-de-burro, pepino-espinhoso. Gostar do fruto do jiloeiro deveria ser crime capitulado no Código Penal.

Detesto textos rácicos fora das publicações agropecuárias. Como ninguém sabe o que é rácico, a começar aqui pelo degas, explico que é racial, relativo a raça, como o daquela jovem senhora de cor que escreve no Globo. E diz que a primeira coisa que faz, ao entrar numa reunião, é ver se tem preto.

Preta, tudo para ela é rácico. Desejo que seja feliz e me poupe, que não me encha o saco. Há tanta coisa para ler e sobretudo para reler, que não posso perder tempo com a moça nem com os petistas e assemelhados, cambada de idiotas ou ladrões, não raras vezes ladrões idiotas.

Textos insuportáveis são também os semanais que continuam na semana seguinte. É muita pretensão do autor achar que alguém vai esperar sete dias, no mundo atual, pela continuação daquilo que publicou hoje.

Sete anos Jacó serviu Labão, porque de olho em Raquel, serrana bela, filha do patrão. Hoje, nas redes sociais, Jacó não perderia cinco minutos seguindo Raquel, mas ficaria arrasado, como ficaram inúmeros jovens brasileiros diante do hotel carioca em que se hospedava a fibromiálgica Lady Gaga.

Entrevistados pela GloboNews, os fãs da moça, todos eles, têm trejeitos. Trejeiteiros, muitos viajaram centenas ou milhares de quilômetros para assistir ao show da nova-iorquina Stefani Joanne Angelina Germanotta no Rock in Rio.

Até aqui, gastei 292 palavras evitando falar do entusiasmo que alguns textos masculinos despertam em leitoras, bem como das fantasias que textos femininos podem despertar em cavalheiros da maior respeitabilidade. Caminhado em anos, gosto dos escritos de uma gaúcha que dizem ser muito feia. Fosse mais moço, arriscar-me-ia. O máximo que poderia acontecer, se acontecesse, seria uma brochada.

Mestre Aurélio prefere broxar com xis, verbo intransitivo: perder, ocasional ou definitivamente, a potência sexual. Broxar ou brochar é phodda, com ph de pharmácia e dois dês de Toddy. E a história da atração feminina pelo texto masculino fica para outro dia, mas sempre existiu e existe. Bobagem, né?

 

Simplificação – Quando publicou sua “História do Brasil pelo método confuso”, sob pseudônimo de Mendes Fradique, José Madeira de Freitas (1893-1944) não contava com a cerimônia de hoje na Procuradoria-Geral da República.

Método simples, organizado, seria afastar o procurador Rodrigo Janot do presidente Michel Temer, que se odeiam: bastava que Temer viajasse ontem, domingo, para os Estados Unidos, deixando Rodrigo Maia como presidente da República. Rodrigo Maia e Rodrigo Janot se encontrariam normalmente na PGR, sem flechadas e olhares mortais, o cargo seria transferido para a procuradora Raquel Dodge, tudo sem a necessidade de antecipar horários e acirrar ânimos.

Hoje, Michel Miguel Elias Temer Lulia, descansado, jantaria com Donald John Trump, amanhã faria o discurso na ONU e voltaria ao Brasil. Mas o pessoal, por aqui, gosta de complicar as coisas.

Máquinas, Collins Avenue e Diuturno

Máquinas – Colhedeiras de café, de melões, embaladoras de ovos, classificadoras de café, milhares de maçãs fotografadas e classificadas por minuto, hoje tem máquina para tudo que se possa imaginar, sem prejuízo das máquinas inimagináveis.

Só falta inventarem a mais simples: máquina para embalar areia em sacos plásticos. Em 2017, não faz sentido ensacar areia à mão, como vimos na tevê antes do Furacão Irma chegar à Flórida.

 

Collins Avenue – No auê midiático do Furacão Irma se aproximando da Flórida, o telespectador brasileiro deve ter visto centenas de vídeos da Collins Avenue, em Miami, avenida onde fui preso no século e no milênio passados. Acusação: furto de automóvel. Episódio divertido que tento resumir neste belo blogue.

Seguinte: passando por Miami na flor dos meus 18 aninhos, aluguei um Chevrolet conversível, em meu nome, com dois companheiros de excursão que tinha como objetivo “aprender inglês” numa temporada de dois meses em Lafayette, Louisiana.

Rodamos por Miami o dia inteiro comigo ao volante, os dois sócios e três moças que nos faziam companhia. À noite, minha futura namorada passou mal e não quis sair do hotel para jantar com o grupo. Os dois sócios no aluguel do Chevrolet reivindicaram as chaves e os documentos do carro para passear e jantar fora.

Ali por volta das dez da noite a namorada melhorou e saímos a pé, o galã de chapéu de feltro e sobretudo de lã, ela em vestido de noite, para comer qualquer coisa num dos restaurantes da Collins.

Dobrada a esquina, lá estava o Chevrolet estacionado ao longo do meio-fio, vidros abertos, sem chave na ignição ou documentos no porta-luvas.

Acontece que o Chevrolet daquele tempo tinha uma espécie de orelha, em torno do buraco onde se enfiava a chave, que, na dependência da forma de desligar o motor, permitia que o carro funcionasse torcendo a tal orelha. E o nosso conversível, de capota fechada, fora desligado permitindo a ligação do motor através da orelha.

Procurei nos restaurantes do entorno e não encontrei os sócios. Assumi o volante, jantei com a bela jovem num restaurante a alguns quarteirões, voltamos para o hotel… e nada de encontrar os sócios com os documentos e as chaves do carro.

Uma hora da manhã, partida do ônibus para Lafayette prevista para as cinco da matina, peguei o carro para procurar os sócios. Voltei à Collins, parei no lugar onde tinha encontrado o veículo e desci para botar moeda de 10 centavos no parquímetro, sem saber que o pagamento era dispensado a partir das cinco da tarde.

Um carro da polícia, luzes apagadas, parou de esguelha diante do Chevrolet e o imenso policial me alcançou no parquímetro: “Este carro é seu?”. Expliquei que era. E ele, do alto dos seus dois metros: “As chaves e os documentos?”. Expliquei que não os tinha. E isso num inglês que até hoje é nenhum.

Rápida revista à procura de armas, um dos policiais assumiu o volante do Chevrolet, o outro me empurrou para o banco do carona da viatura, pegou o microfone e avisou: “Prendemos o Chevrolet conversível e o ladrão”.

Sirena ligada, a duzentos por hora, num átimo chegamos à delegacia, onde fui desembarcado na parte dos fundos, passando pelas celas gradeadas em aço inox, cheias de bandidos, até chegar ao cubículo de identificação, com aquele vidro em que o criminoso é visto de fora para dentro.

Os sócios, quando viram minha cara de susto atrás do vidro, comentaram qualquer coisa, e o delegado perguntou: “Vocês conhecem o preso?”. Uma das moças, que falava bom inglês, explicou: “Ele é o dono do carro”. E o delegado, dois imensos revólveres nos coldres, botas, roupas de caubói: “Bota para fora!, que eles são franceses e são todos doidos”.

Com as chaves e os documentos voltamos ao Chevrolet seguidos por uns dez policiais, que desejavam saber o que tinha acontecido. A moça que falava inglês explicou o episódio. Abandonaram o Chevrolet na Collins Avenue porque o sócio dirigia muito mal. Peguei o carro mais tarde, os sócios deram parte do furto e fui preso logo depois.

Entre a queixa na delegacia e a minha prisão não se passaram dez minutos. Os policiais explicaram que havia mais de 300 viaturas à procura do Chevrolet e que os carros roubados, quando não eram localizados poucos minutos depois do crime, sumiam para sempre.

 

Diuturno – Muita gente confunde diuturno com “diurno e noturno”, quando significa “que se prolonga, prorroga ou protela no tempo; prolongado, longo, demorado.

A diuturnidade das ações policiais noticiadas pelos telejornais é assustadora: você liga a tevê e constata que a Polícia Federal está realizando buscas e apreensões em três endereços de um ministro de Estado e senador da República com mandato até 2019.

Na véspera vimos buscas, apreensões e prisões de outros figurões da mesma República; amanhã e depois teremos cenas parecidas, mostrando que as instituições “estão funcionando”.

Dez da matina, dia 14 de setembro, toca a campainha no exato momento em que este belo suelto chegou a “estão funcionando”. Era o barbeiro agendado para amanhã, que antecipou o serviço por falta de clientes em seu salão. Cortou-me o cabelo, queixou-se da crise, recebeu os cobres, voltou para o salão. Fui ao banho e voltei para fechar o blogue, Segunda-feira a gente comenta o final de semana.