Historiografia, Corais e Tríduo Momesco

Historiografia – Continua fazendo sucesso o volume II da História da Gente Brasileira, em que a historiadora Mary Del Priori escreve sobre o Império. Na flor dos seus 65 aninhos, Mary Lucy Murray Del Priori descreve os hábitos nacionais do século 19 e cuida do sexo praticado pelos casais metidos em camisolões, com buraquinhos nos lugares da cobiçada e do bráulio, encimados pela frase “Deus proteja este lar”.

Pelo que ouvi na tevê, o livro deve ser muito interessante, a começar pela falta de higiene. Nas cidades, água sempre foi artigo difícil e custou caro. Mary diz que o pessoal só lavava as mãos, os pés e o rosto. No século XX ainda visitei muitas fazendas nas quais “ter água em casa” significava um rego passando pelos fundos do terreiro da sede.

Em rigor, sexo com buraquinho no camisolão não causa espanto. Ainda agora, no século 21, ano da graça de 2018, a cidade de Juiz de Fora, MG, se orgulha de uma igreja evangélica muito badalada que recomenda o sexo através de buraquinhos nos camisolões, de mesmo passo em que proíbe suas fiéis da depilação axilar, genital e locomotora, isto é, nas respectivas pernas.

A historiografia pátria se divide em dois períodos: antes e depois do meu livro Histórias do Brasil de Colombo a Kubitschek, tradução para o português do original latino Historiae Brasiliae a Columbo usque Nonô.

Na primeira edição escrevi Historiae Brasiliae ab Columbus usque Nonô, corrigido por meu avô Mário Brant: “Antes de publicar qualquer coisa em latim fala comigo para não escrever besteiras”.

Sem favor algum foi a obra que estabeleceu  dois períodos, antes e depois, de nossa historiografia, por ter sido o pior livro jamais publicado sobre o assunto. Isto não obstante alcançou quatro edições, pretendia ter humor e foi livro de cabeceira de vários cidadãos brasileiros.

Pormenor curioso: troquei os “direitos autorais”, que as editoras detestam pagar, por 200 exemplares que fui apanhar na imensa gráfica para distribuir por parentes e amigos. Lá chegando, havia diversos gráficos, entre os quais o gerente, me esperando para autografar os exemplares que estavam lendo e curtindo. Donde se conclui que é melhor não concluir nada e tocar o barco enquanto for possível.

 

Corais – Ainda me lembro da alegria dos membros do Tabernáculo Mórmon na cerimônia de posse de Donald J. Trump. Grupos corais esbanjam alegria num fenômeno que ainda não consegui entender. Todo coro, que não seja aquele do Mosteiro de São Bento, no Rio, é pura alegria. O canto gregoriano é muito bonito, mas a vida monástica contraria a natureza. Monacal, monastical, mongil ou monjal é vida incompatível com a alegria que exige sexo em todas as suas formas de expressão, que devem somar 72 como li em algum lugar.

O Tabernáculo Mórmon, da Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, que permite ou permitia a união de um homem com várias mulheres, reflete em sua alegria o prazer do macho de contar com o adjutório doméstico de várias santas, de mesmo passo em que a fêmea da espécie, risonha e franca, demonstra a felicidade de dividir com outras santas a dura missão de suportar um macho roncador e peidorreiro. Tem no Houaiss e está em nosso idioma desde 1789: “Diz-se de ou homem que peida muito”.

 

Tríduo Momesco – Enquanto ao mais, bom carnaval procês todos. Lá pelo final da próxima semana, ou na segunda-feira 19 de fevereiro, a gente se encontra.